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Clarice Lispector

...Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente a minha própria vida. Viver é uma espécie de loucura que a morte faz. Vivam os mortos porque neles vivemos...
 
Clarice Lispector - livro: Um sopro de vida
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Quando dói olhar para trás...

Quando dói olhar para trás e você está assustado demais para olhar em frente, você pode olhar ao seu lado, e o seu melhor amigo estará lá.

Se você quer os acertos...

Se você quer os acertos, esteja preparado para os erros.

Carl Yastrzemski

O tempo muito nos ensinou...

O tempo muito nos ensinou.
Ensinou a amar a vida,
Não desistir da luta,
Recomeçar na derrota,
Renunciar as palavras e pensamentos negativos,
Enfim , acreditar nos valores humanos.
Ser otimista!

Cora Coralina

Nem tudo é fácil

Nem tudo é fácil

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.

É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada

É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.

É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.

É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.

É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.

É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.

É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.

Se você errou, peça desculpas…

É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?

Se alguém errou com você, perdoa-o…

É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?

Se você sente algo, diga…

É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar

alguém que queira escutar?

Se alguém reclama de você, ouça…

É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?

Se alguém te ama, ame-o…

É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?

Nem tudo é fácil na vida…Mas, com certeza, nada é impossível

Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,  realidade!!!

Cecília Meireles
Poetisa e professora

Música


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Crazy
Gnarls Barkley

I remember when, I remember, I remember when I lost my mind
There was something so pleasant about that phase
Even your emotions had an echo
In so much space

And when you're out there, without care
Yeah, I was out of touch
But it wasn't because I didn't know enough
I just knew too much

Does that make me crazy?
Does that make me crazy?
Does that make me crazy?
Possibly

And I hope that you are having the time of your life
But think twice, that's my only advice
Come on now, who do you, who do you, who do you, who do you think you are?
Ha ha ha, bless your soul
You really think you're in control

Well, I think you're crazy
I think you're crazy
I think you're crazy
Just like me

My heroes had the heart to lose their lives out on a limb
And all I remember is thinking "I want to be like them"
Ever since I was little, ever since I was little it looked like fun
And it's no coincidence I've come
And I can die when I'm done

Maybe I'm crazy
Maybe you're crazy
Maybe we're crazy
Probably

Pensamento

"Grandes realizações não são feitas por impulso, mas por uma soma de pequenas realizações."

Vincent Van Gogh

Música

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The Shape of My Heart
Sting
Written by Sting & Dominic Miller

He deals the cards as a meditation
And those he plays never suspect
He doesn't play for the money he wins
He don't play for respect
He deals the cards to find the answer

The sacred geometry of chance
The hidden law of a probable outcome
The numbers lead a dance

I know that the spades are the swords of a soldier
I know that the clubs are weapons of war
I know that diamonds mean money for this art
But that's not the shape of my heart

He may play the jack of diamonds
He may lay the queen of spades
He may conceal a king in his hand
While the memory of it fades

I know that the spades are the swords of a soldier
I know that the clubs are weapons of war
I know that diamonds mean money for this art
But that's not the shape of my heart
(*)That's not the shape, the shape of my heart

And if I told you that I loved you
You'd maybe think there's something wrong
I'm not a man of too many faces
The mask I wear is one

Well, those who speak know nothin'
And find out to their cost
Like those who curse their luck in too many places
And those who fear are lost

I know that the spades are the swords of a soldier
I know that the clubs are weapons of war
I know that diamonds mean money for this art
But that's not the shape of my heart
(*)That's not the shape of my heart
That's not the shape, the shape of my heart

Pensamento

"Em toda luta por um ideal, tropeça-se em adversários e criam-se inimizades.

O homem firme não os ouve e nem se detém em contá-los.

Segue a sua rota, irredutível em sua fé, imperturbável em sua ação, porque quem marcha em direção à uma luz não pode ver o que ocorre na sombra."

José Ingenieros

Vende-se tudo

Vende-se tudo
Martha Medeiros


No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos.
O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:
- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.


Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa.


Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante.
Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas. Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu, mais sem alma.


No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros.


Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo. Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar.


Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida… Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile. Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio.
Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.


Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde. Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza. só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir.


É melhor refletir e começar a trabalhar o desapego já!

A habilidade de se auto-acolher após uma discussão

A habilidade de se auto-acolher após uma discussão:: Bel Cesar ::

São nos momentos em que nos desentendemos com os outros que mais temos que nos entender conosco mesmo. Afinal, o desconforto com o outro nos leva a sentir nossa própria desarmonia. Diante de tais situações, o melhor é saber se recolher, dar a si a oportunidade de aumentar a sua compreensão da situação antes que a situação se torne caótica demais.

Toda negatividade se origina de um certo descontentamento. Mas, muitas vezes procuramos a raiz desse descontentamento no lugar errado. Polarizamos os conflitos. Sobrecarregamos pessoas e situações com tantos defeitos que nem nos damos conta que fazemos parte deste conflito.

Não é fácil escutar o descontentamento alheio sem se deixar contaminar pelo próprio desconforto. Por isso, quando uma discussão torna-se apenas um desabafo agressivo, o melhor é refletir antes de sair acusando o outro disto e daquilo. Saber se auto-observar e suportar o silêncio, gerado após de uma descarga de insatisfações de ambas as partes, requer a habilidade de se auto-acolher. Nestes momentos, buscar apoio em nós mesmos nos dá a chance de reconhecer nossas próprias falhas.

O problema surge quando não sabemos como nos auto-acolher. Pois buscamos no outro a base de nossa segurança. Naturalmente, não é fácil encontrá-lo disponível para nos receber, se há pouco havia uma enxurrada de insatisfações.

Mas, se estivermos acostumados a depender do estado emocional alheio para nos sentirmos bem, instintivamente começaremos a tentar transformá-lo para que ele possa nos atender em nossa necessidade de ser visto e acolhido. O outro, pressionado por nosso desejo "secreto" de mudá-lo, pode reagir negativamente e se tornar ainda mais indisponível. A essa altura ambos irão se sentir desconfortáveis sem saber bem o porquê. Afinal, todo esse processo de buscar se acalmar nas condições emocionais alheias ocorre, na maioria das vezes, sem que ambos estejam conscientes de suas carências e intenções.

Aqui ocorre um grande perigo: "Quando não temos a nós mesmos para nos acolher acusamos o outro de não estar pronto para nos receber".
Surge, então, o ressentimento de não ter recebido a atenção que se buscava. É como diz a psicanalista Maria Rita Kehl: "O ressentido acusa, mas não está seriamente interessado em ser ressarcido do agravo que sofreu". Afinal, ele não quer liberar o outro de sua punição, quer continuar secretamente a transformá-lo para que ele se adapte as suas demandas.

Lama Michel Rinpoche em seus ensinamentos nos alerta: "Agredir o outro é uma forma de autoagressão. Pois a agressão nos impede de elaborar a nossa raiva interiormente. O quanto o outro quer lhe agredir é uma questão dele, mas o quanto nos deixamos ser agredidos é uma questão nossa.
Numa discussão, aquele que quer mais agredir é o mais fraco interiormente. Quanto mais elaboramos a nossa raiva interiormente, menos precisamos do outro para extravasá-la". Mais uma vez, podemos reconhecer que quando não nos acolhemos perdemos a chance de nos encontrar!

Os mestres budistas nos lembram que o que nos deixa doentes não é o fato de não expressarmos a nossa raiva, mas, sim, o apego ao desejo intenso de expressá-la. É o apego a esse desejo que devemos nos libertar. Para tanto, temos que nos acolher, escutar nossos próprios ressentimentos, faltas e insatisfações. Até sentir o calor da discussão passar...

Uma vez equilibrados, agora, está na vez de acolher o outro. Como?
Uma vez estava muito magoada com algo que um amigo me disse, e Lama Gangchen Rinpoche me falou: "Não escute as palavras, elas são apenas a mente. Escute além das palavras. Assim, você vai encontrar o coração e, de coração para coração, algo acontece. Passo a passo".

Bel Cesar é psicóloga e pratica a psicoterapia sob a perspectiva do Budismo Tibetano.Trabalha com a técnica de EMDR, um método de Dessensibilização e Reprocessamento através de Movimentos Oculares. Autora dos livros Viagem Interior ao Tibete, Morrer não se improvisa, O livro das Emoções e Mania de sofrer pela editora Gaia.
Visite o Site: http://www.vidadeclaraluz.com.br/
Email: belcesar@ajato.com.br


Publicado no site STUM: http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/c.asp?id=10075

Saudade é o amor que fica

Saudade é o amor que fica

Médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional, com toda vivência e experiência que o exercício da medicina nos traz, posso afirmar que cresci e me modifiquei com os dramas vivenciados pelos meus pacientes. Dizem que a dor é quem ensina a gemer. Não conhecemos nossa verdadeira dimensão, até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além. Descobrimos uma força mágica que nos ergue, nos anima, e não raro, nos descobrimos confortando aqueles que vieram para nos confortar.

Um dia, um anjo passou por mim... Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada, porém por 2 longos anos de tratamentos os mais diversos, hospitais, exames, manipulações, injeções, e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimioterapias e radioterapia.

Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. E comecei a ouvir uma resposta que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.

Meu anjo respondeu:

- Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. Mas eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!

Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem seus heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei:

- E o que morte representa para você, minha querida?
- Olha tio, quando agente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa própria cama não é? Quando nós dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa cama, não é?
- É isso mesmo querida, você é muito esperta!
- Olha tio, eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

Fiquei boquiaberto, não sabia o que dizer. Chocado com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que o sofrimento acelerou, com a visão e grande espiritualidade desta criança, fiquei
parado, sem ação.

- E minha mãe vai ficar com muitas saudades minha, emendou ela.

Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei ao meu anjo: "E o que saudade significa para você, minha querida?"

- Não sabe não tio? Saudade é o amor que fica!


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Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e mais simples para a palavra saudade: é o amor que fica!
Um anjo passou por mim...
Foi enviado para me dizer que existe muito mais entre o céu e a terra, do que nos permitimos enxergar. Que geralmente, absolutilizamos tudo que é relativo (carros novos, casas, roupas de grife, jóias) enquanto relativizamos a única coisa absoluta que temos - nossa transcendência.
Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas me deixou uma grande lição, vindo de alguém que jamais pensei, por ser criança e portadora de grave doença, e a quem nunca mais esqueci. Deixou uma lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores.
Hoje, quando a noite chega e o céu está limpo, vejo uma linda estrela a quem chamo “meu anjo”, que brilha e resplandece no céu. Imagino ser ela, fulgurante em sua nova e eterna casa.
Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que ensinaste, pela ajuda que me deste. Que bom que existe saudades! O amor que ficou é eterno.

Rogério Brandão
Médico Oncologista. Membro da Sociedade Brasileira de Oncologia
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IMAGEM: Quadro - A menina o cahorro e o lago - Salvador Dali
Recebi o texto por e-mail, gostei e publiquei aqui, no entanto, não posso confirmar a autoria.

Pensamento


"Uma coisa não é justa porque é lei; mas deve ser lei porque é justa"
Montesquieu
(Charles-Louis de Secondat, político, filósofo e escritor francês, 1689-1755)

Atalhos

Atalhos
Martha Medeiros
Livro Divã


Quanto tempo a gente perde na vida? Se somarmos todos os minutos jogados fora, perdemos anos inteiros. Depois de nascer, a gente demora pra falar, demora pra caminhar, aí mais tarde demora pra entender certas coisas, demora pra dar o braço a torcer. Viramos adolescentes teimosos e dramáticos. Levamos um século para aceitar o fim de uma relação, e outro século para abrir a guarda para um novo amor, e já adultos demoramos para dizer a alguém o que sentimos, demoramos para perdoar um amigo, demoramos para tomar uma decisão. Até que um dia a gente faz aniversário. 37 anos. Ou 41. Talvez 48. Uma idade qualquer que esteja no meio do trajeto. E a gente descobre que o tempo não pode continuar sendo desperdiçado. Fazendo uma analogia com o futebol, é como se a gente estivesse com o jogo empatado no segundo tempo e ainda se desse ao luxo de atrasar a bola pro goleiro ou fazer tabelas desnecessárias. Que esbanjamento. Não falta muito pro jogo acabar. É preciso encontrar logo o caminho do gol.


Sem muita frescura, sem muito desgaste, sem muito discurso. Tudo o que a gente quer, depois de uma certa idade, é ir direto ao assunto. Excetuando-se no sexo, onde a rapidez não é louvada, pra todo o resto é melhor atalhar. E isso a gente só alcança com alguma vivência e maturidade.


Pessoas experientes já não cozinham em fogo brando, não esperam sentados, não ficam dando voltas e voltas, não necessitam percorrer todos os estágios. Queimam etapas. Não desperdiçam mais nada.


Uma pessoa é sempre bruta com você? Não é obrigatório conviver com ela.


O cara está enrolando muito? Beije-o primeiro.


A resposta do emprego ainda não veio? Procure outro enquanto espera.


Paciência só para o que importa de verdade. Paciência para ver a tarde cair. Paciência para sorver um cálice de vinho. Paciência para a música e para os livros. Paciência para escutar um amigo. Paciência para aquilo que vale nossa dedicação.
Pra enrolação...atalho.

Confidências

Confidências

Existem pais que se esmeram na educação dos seus filhos. Não perdem nenhuma chance. As mínimas coisas, os menores acontecimentos são motivo de ensinamento.

Lemos recentemente o depoimento de um executivo muito bem sucedido.
Ele teve o prazer de ouvir da boca de um amigo: Gosto muito de vir à sua casa. É um lugar onde posso dizer tudo o que quero, com a certeza de que você não passará adiante.
Confessava o executivo que o elogio cabia muito mais à sua mãe do que a ele próprio.
Recordava-se de que, quando tinha mais ou menos oito anos de idade surpreendeu uma amiga de sua mãe em confidências com ela.
Tudo se deu mais ou menos assim. Ele brincava do lado de fora da janela aberta da sala, enquanto ambas conversavam. A senhora em questão, pesarosa, revelava à sua mãe coisas muito íntimas e sérias a respeito de seu filho.
Como toda criança, ele aguçou os ouvidos o quanto pôde para não perder nenhuma vírgula do relato. E quanto mais baixava a voz a confidente, mais ele estendia as antenas da audição.
Quando a visitante saiu, sua mãe, que percebera que ele tudo ouvira, o chamou e lhe disse:
Meu filho, se a Sra. Silva tivesse deixado a sua bolsa aqui, hoje, nós a daríamos a outra pessoa?
Prontamente, ele respondeu:
Claro que não!
A mãe prosseguiu:
Pois o que a Sra. Silva deixou hoje aqui é uma coisa muito mais preciosa do que a sua bolsa. Ela nos contou uma história cuja divulgação poderá prejudicar muita gente.
Da mesma forma que a bolsa, ela não nos pertence. Por isso, não a podemos transmitir a ninguém. Não a daremos a quem quer que seja. Você compreendeu?
O garoto assentiu com a cabeça. E a lição lhe serviu para a vida. Ele cresceu, cultivando o respeito a confidências de que fosse, eventualmente, o ouvinte.
E até mesmo a bisbilhotices, fofocas que um amigo, cliente ou conhecido lhe trouxesse e deixasse em sua sala. Ali mesmo elas morriam. O que lhe valeu o respeito e a confiança de muitos.
Concluía o executivo dizendo que, por vezes, ao se surpreender prestes a passar adiante alguma coisa alhures ouvida, imediatamente lembrava-se da bolsa da Sra. Silva e fechava a boca.
A vida é feita de oportunidades. A educação no lar é de precioso quilate. Por ser informal, isto é, não obedecer a rígido currículo, mas se valer das chances que surjam no dia a dia, devem os pais se mostrar sempre atentos, não deixando escapar momento algum propício à edificação.
Quem investe hoje na educação do filho, pode guardar a certeza de que ele poderá partir para longe, singrar os mares, voar pelo mundo, alçar o voo da notoriedade, mas as lições profundas recebidas no lar permanecerão como roteiro de vida.
Não há quem não recorde, em momento especial de sua vida, as lições que recebeu no berço. Os gestos, as atitudes, as palavras dos pais permanecem vivas, apesar e além do tempo.
Basta que nos demos conta do que se passa conosco mesmos, que já abandonamos o colo dos pais há alguns anos.
Não são os seus exemplos e suas orientações que nos norteiam em muitas decisões?
E quantas vezes nos surpreendemos a dizer: Mamãe tinha razão. Bem dizia meu pai.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. A bolsa, do livro E,
para o resto da vida, de Wallace Leal Rodrigues, ed. O clarim, em 19.07.2010.
Site: http://www.momento.com.br/pt/ler_texto.php?id=2672&stat=0

Pensamento

"A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos."

Norman Cousins

Por que me cobro tanto?

Por que me cobro tanto?por Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.br

Você já parou para se perguntar por que você se cobra tanto?

Tenho visto muita gente pesada, sofrida por conta da autocobrança. Pessoas que se exigem demais, que sempre estão olhando suas falhas e querendo repará-las, fazer melhor. Até aí, tudo bem. O problema é quando surge a culpa.

Claro que todos nós temos responsabilidades sob nossas ações, escolhas e atitudes, mas de nada adianta ficarmos presos à culpa e punição. A culpa nos mantém estagnados, não nos deixa caminhar e mesmo que a vida traga coisas novas e boas, quando estamos embalados nessa energia não conseguimos ver, porque não nos abrimos. E às vezes até achamos que não merecemos.

Nem sempre essas reações são racionais ou lúcidas. Esses sentimentos restritivos e punitivos podem gerar condicionamentos inconscientes. Energias que estão em nosso corpo sutil e que desafetos espirituais se alimentam da nossa forma negativa de pensar e agir. Por isso, temos que nos amar e ter coragem de fazer uma auto-análise profunda mas, ao mesmo tempo, positiva.

A culpa gera o sentimento de que somos responsáveis por tudo o que estamos vivendo e, às vezes, somos mesmo, mas em seguida a culpa nos coloca como vítimas e impotentes. Assim, o que fizemos de ruim fica preso no tempo e espaço sem solução. Ficamos energeticamente estagnados. Por isso, sempre sugiro aos meus clientes que têm a tendência a serem pesados no autojulgamento, para não se culparem tanto.
Ok! Tive uma atitude errada, fui egoísta, menti... Mas e daqui para frente? Posso mudar?
Precisamos ter luz para sair dos nossos estados infernais.

Pois é, amigo leitor, pode acreditar que criamos nossos infernos. O lado bom de tudo isso é que se podemos criar um inferno, também podemos criar um céu. Por que não?

Mas, para uma criação positiva, precisamos ver nossas sombras e examinar com coragem nossos comportamentos. Devemos ficar atentos às nossas atitudes, com a forma que tratamos as pessoas, com nossa cara feia e até com nosso silêncio. Afinal, o que estamos guardando dentro de nós?

Por que ficamos deprimidos? Que tipo de energia está vibrando em nós quando adoecemos?

Nem sempre é por causa do mundo externo, nem a nossa família, por mais difícil que ela seja. Porque muita gente, com família difícil e problemas financeiros, deu a volta por cima. Muita gente todos os dias reescreve sua história. Por que não você?

Elizabeth estava arrasada porque depois de 20 anos de casamento o marido fora embora. Ela se sentia acabada e julgava que era culpada por tudo o que estava vivendo, pois sempre soube que o marido era egoísta e inconstante e, mesmo assim, dedicou-se a ele.

Seu inconsciente mostrou cenas escuras, dores e as imagens de vidas passadas trouxeram uma criança abandonada que seguiu a vida como mendiga se defendendo do mundo. Nitidamente, uma prisão de sofrimento. Expliquei para ela que o caminho da cura é se abrir, meditar e aceitar o novo. Mas, além do trabalho mental de efetivamente vigiar seus pensamentos e mudar sua forma de ver a vida, é preciso também fazer exercícios, caminhar, respirar ar puro para motivar o corpo a aceitar um jeito novo de viver.

Cada um tem sua receita e, justamente por isso, recomendo a participação em grupos, na socialização, pois nesses encontros e vivências, mudamos mais rapidamente nossa energia e nos abrimos para o outro.

Confira outros segredos acessando meu Blog: http://mariasilviaporlovas.blogspot.com/
Confira os ensinamentos e meditações curativas que Maria Silvia ensina participando de um dos seus grupos.
Venha participar do seu Grupo de Meditação Dinâmica que acontece todas as quartas-feiras no seu espaço em São Paulo. Venha ouvir pessoalmente as canalizações.

por Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.br
Maria Silvia Orlovas é uma forte sensitiva que possui um dom muito especial de ver as vidas passadas das pessoas à sua volta e receber orientações dos seus mentores.


Texto publicado no site STUM: http://somostodosum.ig.com.br/clube/c.asp?id=22805

Ensaio sobre a amizade

Ensaio sobre a amizade

"Nesta página, hoje, sem razão especial
nem data marcada, estou homenageando
aqueles que têm estado comigo seja
como for, para o que der e vier"


Que qualidade primeira a gente deve esperar de alguém com quem pretende um relacionamento? Perguntou-me o jovem jornalista, e lhe respondi: aquelas que se esperaria do melhor amigo. O resto, é claro, seriam os ingredientes da paixão, que vão além da amizade. Mas a base estaria ali: na confiança, na alegria de estar junto, no respeito, na admiração. Na tranqüilidade. Em não poder imaginar a vida sem aquela pessoa. Em algo além de todos os nossos limites e desastres.

Talvez seja um bom critério. Não digo de escolha, pois amor é instinto e intuição, mas uma dessas opções mais profundas, arcaicas, que a gente faz até sem saber, para ser feliz ou para se destruir. Eu não quereria como parceiro de vida quem não pudesse querer como amigo. E amigos fazem parte de meus alicerces emocionais: são um dos ganhos que a passagem do tempo me concedeu. Falo daquela pessoa para quem posso telefonar, não importa onde ela esteja nem a hora do dia ou da madrugada, e dizer: "Estou mal, preciso de você". E ele ou ela estará comigo pegando um carro, um avião, correndo alguns quarteirões a pé, ou simplesmente ficando ao telefone o tempo necessário para que eu me recupere, me reencontre, me reaprume, não me mate, seja lá o que for.

Mais reservada do que expansiva num primeiro momento, mais para tímida, tive sempre muitos conhecidos e poucas, mas reais, amizades de verdade, dessas que formam, com a família, o chão sobre o qual a gente sabe que pode caminhar. Sem elas, eu provavelmente nem estaria aqui. Falo daquelas amizades para as quais eu sou apenas eu, uma pessoa com manias e brincadeiras, eventuais tristezas, erros e acertos, os anos de chumbo e uma generosa parte de ganhos nesta vida. Para eles não sou escritora, muito menos conhecida de público algum: sou gente.

A amizade é um meio-amor, sem algumas das vantagens dele mas sem o ônus do ciúme – o que é, cá entre nós, uma bela vantagem. Ser amigo é rir junto, é dar o ombro para chorar, é poder criticar (com carinho, por favor), é poder apresentar namorado ou namorada, é poder aparecer de chinelo de dedo ou roupão, é poder até brigar e voltar um minuto depois, sem ter de dar explicação nenhuma. Amiga é aquela a quem se pode ligar quando a gente está com febre e não quer sair para pegar as crianças na chuva: a amiga vai, e pega junto com as dela ou até mesmo se nem tem criança naquele colégio.

Amigo é aquele a quem a gente recorre quando se angustia demais, e ele chega confortando, chamando de "minha gatona" mesmo que a gente esteja um trapo. Amigo, amiga, é um dom incrível, isso eu soube desde cedo, e não viveria sem eles. Conheci uma senhora que se vangloriava de não precisar de amigos: "Tenho meu marido e meus filhos, e isso me basta". O marido morreu, os filhos seguiram sua vida, e ela ficou num deserto sem oásis, injuriada como se o destino tivesse lhe pregado uma peça. Mais de uma vez se queixou, e nunca tive coragem de lhe dizer, àquela altura, que a vida é uma construção, também a vida afetiva. E que amigos não nascem do nada como frutos do acaso: são cultivados com... amizade. Sem esforço, sem adubos especiais, sem método nem aflição: crescendo como crescem as árvores e as crianças quando não lhes faltam nem luz nem espaço nem afeto.

Quando em certo período o destino havia aparentemente tirado de baixo de mim todos os tapetes e perdi o prumo, o rumo, o sentido de tudo, foram amigos, amigas, e meus filhos, jovens adultos já revelados amigos, que seguraram as pontas. E eram pontas ásperas aquelas. Agüentei, persisti, e continuei amando a vida, as pessoas e a mim mesma (como meu amado amigo Erico Verissimo, "eu me amo mas não me admiro") o suficiente para não ficar amarga. Pois, além de acreditar no mistério de tudo o que nos acontece, eu tinha aqueles amigos. Com eles, sem grandes conversas nem palavras explícitas, aprendi solidariedade, simplicidade, honestidade, e carinho.

Nesta página, hoje, sem razão especial nem data marcada, estou homenageando aqueles, aquelas, que têm estado comigo seja como for, para o que der e vier, mesmo quando estou cansada, estou burra, estou irritada ou desatinada, pois às vezes eu sou tudo isso, ah!, sim. E o bom mesmo é que na amizade, se verdadeira, a gente não precisa se sacrificar nem compreender nem perdoar nem fazer malabarismos sexuais nem inventar desculpas nem esconder rugas ou tristezas. A gente pode simplesmente ser: que alívio, neste mundo complicado e desanimador, deslumbrante e terrível, fantástico e cansativo. Pois o verdadeiro amigo é confiável e estimulante, engraçado e grave, às vezes irritante; pode se afastar, mas sabemos que retorna; ele nos agüenta e nos chama, nos dá impulso e abrigo, e nos faz ser melhores: como o verdadeiro amor.

Lya Luft é escritora
Imagem: Atômica Studio
veja on-line
Edição 1962,

Música

video

Oasis, Falling Down

Summer sun that blows my mind
Is falling down on all that I've ever known
In time we'll kiss the world goodbye
Falling down on all that I've ever known
Is all that I've ever known

A dying scream makes no sound
Calling out to all that I've ever known
Here am I, lost and found
Calling out to all

We live a dying dream
If you know what I mean
All that I've ever known
It's all that I've ever known
Catch the wheel that breaks the butterfly
I cry the rain that fills the ocean wide
I tried to talk with God to no avail
Called him up in-and-out of nowhere
Said "If you won't save me, please, don't waste my time"

Catch the wheel that breaks the butterfly
I cry the rain that fills the ocean wide
I tried to talk with God to no avail
Called him up in-and-out of nowhere
Said "If you won't save me, please, don't waste my time"

Summer sun that blows my mind
Is falling down on all that I've ever known
In time we'll kiss the world goodbye
Falling down on all that I've ever known
Is all that I've ever known

Impulso

Impulso

"Se impulso fosse garantia de sucesso, o mundo seria dos cangurus".

Decisões tomadas por impulso são as que mais parecem certas. Mas infelizmente, pessoas e empresas conhecem na pele os desastres causados por elas. Mas... Sem impulso, nenhuma ave levanta vôo. Sem impulso, nenhum avião decola. Nenhuma bola atravessa o gol.

Por outro lado, nada é mais perigoso para a felicidade e a prosperidade do que decisões tomadas sem pensar.

Veja só:

Quando um jogador vai bater um pênalti, o que ele faz? Fica ao lado da bola e sai como um louco pra dar um chute na hora em que o juiz apita...
O jogador e-s-p-e-r-a.... Respira fundo... Anda para trás um pouco, d-e-v-a-g-a-r ... o-l-h-a para a barreira... o-l-h-a para o gol... Deixa a torcida rezando... Calibra a força... , respira fundo novamente... Foca... Calcula o ângulo e...num impulso poderoso arrancar gritos da galera....Chuta!

Existe uma razão para o jogador fazer tudo isso porque se ele seguir esse ritual, tem 1 chance em 4 de fazer o gol . Caso contrário tem 1 chance em 105 (sim, eu disse cento e cinco!)... E estaria fora...

A mesmíssima coisa acontece em sua vida. Cada decisão importante é um pênalti que você chutará para o gol. O que você prefere: 25% de chance de dar certo ou somente 0,95%? Use-os a seu favor.

Ninguém deve tomar uma decisão importante, antes de parar - Focar e só então, decidir.. o impulso é a última ação, jamais a primeira. Impulso serve para impulsionar, não para decidir. Quando os impulsos nos controlam, engordamos por comer tudo o que temos impulso em comer, ficamos sem dinheiro por comprar tudo o que temos o impulso em comprar e nos complicamos por fazer escolhas das quais nos arrependemos por muito tempo.

Mas existe um truque para usar o impulso, sem ser usado por ele. Simplesmente, inverta sua sequência de ações, aplicando o impulso depois, bem depois, da sua decisão, jamais antes.

Como diz o ditado, "se impulso fosse garantia de sucesso, o mundo seria dos cangurus".

Nunca imaginei um dia

Nunca imaginei um dia
Martha medeiros
Revista O Globo
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Music

video

Frozen

You only see what your eyes want to see
How can life be what you want it to be?
You're frozen
When your heart's not open

You're so consumed with how much you get
You waste your time with hate and regret
You're broken
When your heart's not open

Mmm-mm-mm... If I could melt your heart
Mmm-mm-mm... We'd never be apart
Mmm-mm-mm... Give yourself to me
Mmm-mm-mm... You hold the key

Now there's no point in placing the blame
And you should know I suffer the same
If I lose you
My heart will be broken

Love is a bird, she needs to fly
Let all the hurt inside of you die
You're frozen
When your heart's not open

Mmm-mm-mm... If I could melt your heart
Mmm-mm-mm... We'd never be apart
Mmm-mm-mm... Give yourself to me
Mmm-mm-mm... You hold the key

You only see what your eyes want to see
How can life be what you want it to be?
You're frozen
When your heart's not open

Mmm-mm-mm... If I could melt your heart
Mmm-mm-mm... We'd never be apart
Mmm-mm-mm... Give yourself to me
Mmm-mm-mm... You hold the key

Mmm-mm-mm... If I could melt your heart
Mmm-mm-mm... We'd never be apart
Mmm-mm-mm... Give yourself to me
Mmm-mm-mm... You hold the key

If I could melt your heart...

Juízo

mesmo tendo juízo
não faço tudo certo
todo paraíso
precisa um pouco de inferno

Martha Medeiros

Pensamento



Ganhamos força, coragem e confiança a cada experiência em que verdadeiramente paramos para enfrentar o medo.

Eleanor Roosevelt

Quanto nós merecemos?

Quanto nós merecemos?Lya Luft

O ser humano é um animal que deu errado em várias coisas. A maioria das pessoas que conheço, se fizesse uma terapia, ainda que breve, haveria de viver melhor. Os problemas podiam continuar ali, mas elas aprenderiam a lidar com eles.

Sem querer fazer uma interpretação barata ou subir além do chinelo: como qualquer pessoa que tenha lido Freud e companhia, não raro penso nas rasteiras que o inconsciente nos passa e em quanto nos atrapalhamos por achar que merecemos pouco.

Pessoalmente, acho que merecemos muito: nascemos para ser bem mais felizes do que somos, mas nossa cultura, nossa sociedade, nossa família não nos contaram essa história direito. Fomos onerados com contos de ogros sobre culpa, dívida, deveres e… mais culpa.

Um psicanalista me disse um dia:
– Minha profissão ajuda as pessoas a manter a cabeça à tona d’água. Milagres ninguém faz.
Nessa tona das águas da vida, por cima da qual nossa cabeça espia – se não naufragamos de vez –, somos assediados por pensamentos nem sempre muito inteligentes ou positivos sobre nós mesmos.

As armadilhas do inconsciente, que é onde nosso pé derrapa, talvez nos façam vislumbrar nessa fenda obscura um letreiro que diz: “Eu não mereço ser feliz. Quem sou eu para estar bem, ter saúde, ter alguma segurança e alegria? Não mereço uma boa família, afetos razoavelmente seguros, felicidade em meio aos dissabores”. Nada disso. Não nos ensinaram que “Deus faz sofrer a quem ama”?

Portanto, se algo começa a ir muito bem, possivelmente daremos um jeito de que desmorone – a não ser que tenhamos aprendido a nos valorizar.

Vivemos o efeito de muita raiva acumulada, muito mal-entendido nunca explicado, mágoas infantis, obrigações excessivas e imaginárias. Somos ofuscados pelo danoso mito da mãe santa e da esposa imaculada e do homem poderoso, pela miragem dos filhos mais que perfeitos, do patrão infalível e do governo sempre confiável. Sofremos sob o peso de quanto “devemos” a todas essas entidades inventadas, pois, afinal, por trás delas existe apenas gente, tão frágil quanto nós.

Esses fantasmas nos questionam, mãos na cintura, sobrancelhas iradas:
– Ué, você está quase se livrando das drogas, está quase conquistando a pessoa amada, está quase equilibrando sua relação com a família, está quase obtendo sucesso, vive com alguma tranqüilidade financeira… será que você merece? Veja lá!

Ouvindo isso, assustados réus, num ato nada falho tiramos o tapete de nós mesmos e damos um jeito de nos boicotar – coisa que aliás fazemos demais nesta curta vida. Escolhemos a droga em lugar da lucidez e da saúde; nos fechamos para os afetos em lugar de lhes abrir espaço; corremos atarantados em busca de mais dinheiro do que precisaríamos; se vamos bem em uma atividade, ficamos inquietos e queremos trocar; se uma relação floresce, viramos críticos mordazes ou traímos o outro, dando um jeito de podar carinho, confiança ou sensualidade.

Se a gente pudesse mudar um pouco essa perspectiva, e não encarar drogas, bebida em excesso, mentira, egoísmo e isolamento como “proibidos”, mas como uma opção burra e destrutiva, quem sabe poderíamos escolher coisas que nos favorecessem. E não passar uma vida inteira afastando o que poderia nos dar alegria, prazer, conforto ou serenidade.

No conflitado e obscuro território do inconsciente, que o velho sábio Freud nos ensinaria a arejar e iluminar, ainda nos consideramos maus meninos e meninas, crianças malcomportadas que merecem castigo, privação, desperdício de vida. Bom, isso também somos nós: estranho animal que nasceu precisando urgente de conserto.

Alguém sabe o endereço de uma oficina boa, barata, perto de casa – ah, e que não lide com notas frias?

Lya Luft é escritora
Revista Veja, Edição 1935, 14 de dezembro de 2005

Clarice Lispector

Eu adoro voar

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? EU ADORO VOAR!


Clarice Lispector

Mãe desnecessária

"Mãe desnecessária”Marcia Neder - Revista Cláudia - 0508

A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase e ela sempre me soou estranha. Até agora. Agora que minha filha adolescente, aos quase 18 anos, começa a dar vôos-solo. Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara. Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada venha me acusar de desamor, preciso explicar o que significa isso. Ser "desnecessária" é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda e um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.
Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe – solidários – criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão. Ao aprendermos a ser "desnecessários", nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.

Enquanto houver mulheres alegres ou tristes falando, fluindo e influindo de amor, a humanidade pode ter alguma esperança.
Arthur da Távola"

Poemas

Poemas inéditos
Martha Medeiros

meu caro estranho, nossa estranheza nos levou à cama
e seguimos nos desconhecendo
não perguntei de onde vieram tuas cicatrizes
e não me perguntaste se eu já havia usado o cabelo mais curto
simplesmente nos beijamos e dispensamos todos os porquês
fui uma mulher qualquer e fostes mais um homem
e se esse descompromisso não merece ser chamado de amor
ainda assim não carece ser desfeito e esquecido

meu caro estranho,
mesmo nos amores não há nada muito além disso

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o que eu lembro de nós, e teria tanto pra lembrar, são apenas as mãos entrelaçadas
naquela tarde numa mesa de calçada, era um bar, nada mais havia para conversar
tentamos dizer as últimas palavras, dar um epílogo decente ao nosso amor
mas nenhum sentimento era soletrável, parecíamos dois gagos rumo à desistência
então tuas mãos pegaram as minhas, teus dedos brincaram com meu anel
e nem era um anel dado por ti, jamais perguntaste sobre meu passado
e meus dedos encaixaram-se entre os teus, e as pontas dos polegares roçaram-se
e os chopes esquentaram, o silêncio tomou posse da mesa, nossas mãos de uma ternura que seríamos incapazes diante do final, e é delas que eu lembro, não envelheceram
te amo com as mãos até hoje, te escrevo, agora escreva pra mim, com as tuas

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que valentia é essa de que me vanglorio? a valentia de atravessar a rua
mas é da covardia de não me enfrentar que me alimento e sangro todo dia

apontassem uma arma para o meio da minha testa eu urinaria minha coragem
que eu sou valente é para a molecagem e não para o que presta
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Quantas histórias que eu não escrevi por recato
Da vez em que quase fui estuprada mas ele escapou antes
Da vez em que chorei dentro do ônibus com um cachorro-quente esfriando nas mãos
Não havia jantar em casa, estava sem dinheiro e tive pena de mim
O cobrador também, mas cobrou a passagem mesmo assim

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um, dois e... quando me dou conta, já fui, me joguei
antes de contar até três disse o que não era para ser dito
fiz coisas que não era para ter feito
me arrebento rápido, nem dói de tão ligeiro
mentira, dói de qualquer jeito
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http://www.clicrbs.com.br/blog/jsp/default.jsp?source=DYNAMIC,blog.BlogDataServer,getBlog&pg=1&coldir=1&tp=10&template=3948.dwt&blog=255

Alegres e ignorantes

Alegres e ignorantes

Lya Luft
Revista Veja - Edição 2154. março de 2010

"Estar informado e atento é o melhor jeito de ajudar a construir a sociedade que queremos, ainda que sem ações espetaculares"
Ilustração Atômica Studio
Há fases em que, inquieta, eu talvez aponte mais o lado preocupante da vida. Mas jamais esqueço a importância do bom humor, que na verdade me caracteriza no cotidiano, mais do que a melancolia. Meu amado amigo Erico Verissimo certa vez me disse: "Há momentos em que o humor é até mais importante do que o amor". Eu era muito jovem, na hora não entendi direito, mas a vida me ensinou: nem o amor resiste à eterna insatisfação, à tromba assumida, às reclamações constantes, à insatisfação sem tréguas. Bom humor zero. Desperdício de vida: acredito que, junto com dinheiro, sexo e amor, é a alegria que move o mundo para o lado positivo. Ódio, indignação fácil, rancores e inveja – e nossa natureza predadora – promovem mediocridade e atos cruéis.
Quando, seja na vida pessoal, seja como cidadãos ou habitantes deste planeta, a descrença e o desalento rosnam como animais no escuro no meio do mato, uma faísca de bom humor clareia a paisagem. Mas há coisas que nem todo o bom humor do mundo resolveria num riso forçado. Como senti ao ler, numa dessas pesquisas entre esclarecedoras e assustadoras (quando vêm de fonte confiável), que mais de 30% da nossa chamada elite é de uma desinformação avassaladora. Aqui o termo "elite" não tem a ver com aristocracia, roupa de grife, apartamento em Paris ou décima recostura do rosto, mas com a gente pensante. A que usa a cabeça para algo além de separar orelhas. Pois, segundo a pesquisa, entre nós a imensa maioria dos ditos pensantes não consegue dizer o nome de um só ministro desta nossa República. Senadores, nem falar.
A turma que completa o 2º grau, que faz faculdade, que tem salário razoável, conta no banco, deveria ser a informada. Essa que não precisa comprar carro em noventa meses e deixar de pagar depois de quatro. A elite que consegue viajar conhece até algo do mundo, e poderia ter uma pequena biblioteca em casa. Em geral, não tem. Com sorte, lê jornal, assiste a boas entrevistas e noticiosos daqui e de fora, enfim, é gente do seu tempo. Para isso não se precisa de muita grana, acreditem. Mesmo assim, essa elite é pouco interessada numa realidade que afinal é dela.
Resolvi testar a mim mesma: nomes de ministros atuais desta nossa República. Cheguei a meia dúzia. São quase quarenta. Então começo a bater no peito, em público, aliás. Num país onde mais da metade dos habitantes são analfabetos, pois os que assinam o nome não conseguem ler o que estão assinando, ou vivem como analfabetos, pois não leem nem o jornal largado na praça, os que sabem ler deveriam ser duplamente ativos, informados e participantes. Não somos. Nossos meninos raramente sabem o título de seus livros escolares ou o nome dos professores (sabem o dos jogadores de futebol, dos cantores de bandas, das atrizezinhas semieróticas). Agimos como se nada fora do nosso pequeno círculo pessoal nos atingisse.
Além das desgraças longe e perto, vindas da natureza ou do homem, estamos num ano eleitoral. Inaugurado o circo de manobras, mentiras e traições escrachadas ou subliminares que conhecemos. Precisamos de claridade nas ideias, coragem nos desafios, informação e vontade, e do alimento dos afetos bons. Num livro interessante (não importa o assunto) alguém verbaliza velhas coisas que a gente só adivinhava; um filme pode nos lembrar a generosidade humana; uma conversa pode nos tirar escamas dos olhos. Estar informado e atento é o melhor jeito de ajudar a construir a sociedade que queremos, ainda que sem ações espetaculares. Mas, se somos desinformados, somos vulneráveis; se continuarmos alienados, bancaremos os tolos; sendo fúteis, cavamos a própria cova; alegremente ignorantes, podemos estar assinando nossa sentença de atraso, vestindo a mordaça, assumindo a camisa de força que, informados, não aceitaríamos.

Alegria, espírito aberto, curiosidade, coisas boas desta vida, todos as merecemos. Mas me poupem do risinho tolo da burrice ou da desinformação: o vazio por trás dele não promete nada de bom.

Tempos modernos

Tempos modernos
João Ubaldo Ribeiro
Domingo, Fevereiro 28, 2010, O Globo

Creio que seria otimista demais e falsearia um pouco a verdade, se dissesse que sou um idoso calouro. Faz um par de anos, a depender da jurisdição em que me encontrasse, eu era idoso ou não. Hoje sou, digamos, idoso universal, habilitado a sacar da algibeira o Estatuto do Idoso e dar carteiradas triunfais em filas de banco, bilheterias de cinema e embarques de avião. E, gradualmente, descobri que minha vida social é cada vez mais ocupada por médicos e clínicas, porque a manutenção do idoso requer atenção diuturna. Depois de algum tempo, a gente passa a funcionar na base do "se hoje é sexta, então aqui deve ser o cardiologista" e faz belas amizades entre os companheiros de destino.

Antigamente não havia tantas especialidades e muita gente se entendia com apenas um médico quase a vida inteira. Agora não, agora o sujeito vai a qualquer clínico e é imediatamente mandado a uma espécie de laboratório da Nasa, para fazer exames até em partes do corpo que nem sabia que tinha. O papo fica muito animado, em meio a relatos emocionantes de tomografias dramáticas, colonoscopias épicas, ultrassonografias arrebatadoras, ressonâncias magnéticas feéricas e dedadas diabólicas. Vínculos afetivos duradouros são com certeza formados pelas vítimas e é uma forma tão legítima de fazer amizades quanto qualquer outra.

É o que penso, chegando adiantado a uma sala de espera médica e me preparando para a demora. Dou um bom-dia meio entredentes ao único outro presente na sala, escolho uma cadeira perto das revistas, pego uma destas e começo a tentar me entreter com a narração do novo amor de uma personalidade de televisão. Lembro que, há poucas semanas, em outra sala de espera, o novo amor dela não tinha nada a ver com o atual. Coração espaçoso, o dela, ainda mais que cada novo amor é descrito como mais intenso que o anterior, coisa para toda a existência, até o próximo príncipe encantado aparecer.

Mas não chego a me inteirar dos detalhes desse amor febril, porque, ao ajeitar os óculos, ergui os olhos e o senhor à minha frente sorriu. Na dúvida sobre quem era, retribuí o sorriso e dei um "ôi, como vai?"

- Vou bem, obrigado - disse ele.

- Mas o senhor não me conhece, eu é que o conheço. O senhor é escritor, escreve no jornal.

- É, eu sei, ninguém é perfeito, ha-ha.

- Eu leio sempre os seus escritos no jornal, gosto muito.

- Muito obrigado.

- Os livros eu não leio. Já tentei, mas não consegui.

- Nem eu. Só escrevi, nunca li.

- É interessante a pessoa conhecer um escritor pessoalmente. Ainda mais assim, na sala de espera de um psiquiatra. Nunca pensei em encontrar um escritor assim, na sala de um psiquiatra.

- Bem, eu não sou propriamente maluco.

- Eu sei, eu sei. São as neuras. Hoje em dia, ninguém escapa, a vida moderna é muito estressante. Mas eu pensava que o escritor dava vazão a isso em seus escritos, nunca imaginei... Eu achava que escritor, além de não trabalhar, também dava vazão as suas neuras escrevendo e botando tudo para fora. Para mim é uma surpresa.

- É, pode ser, mas eu estou aqui como o senhor está.- O meu caso é a minha mulher. Você não imagina... Posso chamar o senhor de "você"? Obrigado. Pois é, você não imagina... Posso lhe fazer uma confidência?

- Bem, não sei, eu...

- Muito obrigado. Você já ouviu falar dessa mania que as mulheres estão agora, de posar peladas?

- Acho que li qualquer coisa.

- A minha agora entendeu de posar pelada, ela e umas amigas. Já vão contratar estúdio e fotógrafo, acho até que já contrataram.

- É para alguma revista?

- Não, não, é só porque elas acham que assim estão expressando sua liberdade, sem preconceitos, nem limitações, nem hipocrisia, nem falsos pudores e falsas vaidades. É o que ela diz.

- Mas ela está falando sério mesmo?

- Está, está!

- Ela não vai publicar essas fotos, vai?

- Acho que vai. Em revista, não sei. Mas ela já veio com uma conversa de calendário, junto com as amigas. E também um livro, se não conseguirem revista. Já têm até título para o livro. Vai se chamar "Mulheres de Verdade", todas elas peladonas, no máximo de lingerie incrementada. Bem produzidinhas, maquiladas, penteadas, mas sem retoques nas fotos e sem nada de fotoxópi, isso ela diz que é fundamental.

- Acho que entendi o projeto, não deixa de ser interessante.

- Interessante? Isso não é normal, claro que não é normal. É por isso que eu vim procurar um psiquiatra.

- Mas ele não pode tratar sua mulher através de você. Por que ela não veio com você?

- Claro que não veio, a consulta não é para ela, é para mim. Ele tem que me dar uma superbola para quando esse calendário ficar pronto e eu tiver que passar na frente da barbearia. De cara limpa eu não enfrento, essa vida moderna é muito estressante.
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