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Boas festas!


Aprenda a ter um infarto

Aprenda a ter um infarto

Doze conselhos para ter um infarto feliz!
Dr. Ernesto Artur - Cardiologista

Quando publiquei estes conselhos “amigos da onça” em meu site, recebi uma enxurrada de e-mails, até mesmo do exterior, dizendo que isto lhes serviu de alerta, pois muitos estavam adotando esse tipo de vida inconscientemente.
1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias.
2 Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos.
3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde.
4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem.
5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios etc.
6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes.
7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro.
8. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de ferro. (e ferro , enferruja!!)
9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo.
10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de estômago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Eles vão te deixar tinindo.
11. Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.
12. E por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis.
Repita para si: Eu não perco tempo com bobagens.

Os ataques de coração
Uma nota importante sobre os ataques cardíacos..Há outros sintomas de ataques cardíacos, além da dor no braço esquerdo(direito). Há também, como sintomas vulgares, uma dor intensa no queixo, assim como náuseas e suores abundantes.
Pode-se não sentir nunca uma primeira dor no peito, durante um ataque cardíaco. 60% das pessoas que tiveram um ataque cardíaco enquanto dormiam, não se levantaram. Mas a dor no peito, pode acordá-lo dum sono profundo.Se assim for, dissolva imediatamente duas Aspirinas na boca e engula-as com um bocadinho de água... Ligue para Emergência (193 ou 190) e diga ”ataque cardíaco” e que tomou duas Aspirinas. Sente-se numa cadeira ou sofá e force uma tosse, sim forçar a tosse, pois ela fará o coração pegar no tranco; tussa de dois em dois segundos, até chegar o socorro. NÃO SE DEITE!

Eu estou certo

Eu estou certo

Por que queremos sempre ser os donos da verdade?
Por que nossas ideias precisam sempre prevalecer?
Será que precisamos vencer todas as discussões que travamos?
Dale Carnegie, escritor e orador americano, autor do best seller: Como fazer amigos e influenciar pessoas, narra uma experiência particular muito rica.
Conta ele: Certa noite, estava num banquete dado em honra a um homem muito importante.
Durante esse banquete, um outro homem que estava sentado ao meu lado contou um caso que girava em torno da seguinte afirmativa: "Há uma Divindade que protege nossos objetivos, traçando-os como os desejamos."
Ele mencionou que tal frase era da Bíblia.
Enganara-se. Eu sabia disso. Sabia, e com toda a certeza. Não podia haver a menor dúvida a respeito.
E assim, para conseguir um ar de importância e demonstrar minha superioridade, tornei-me um importuno e intrometido encarregando-me de corrigi-lo.
Acionou suas baterias. "Quê? De Shakespeare? Impossível! Absurdo! Essa frase era da Bíblia." E ele conhecia.
O homem que narrava o caso estava sentado á minha direita, e o senhor Frank Gammond, meu velho amigo, à minha esquerda.
O Sr. Gammond havia dedicado anos ao estudo de Shakespeare. Assim, o narrador e eu concordamos em submeter a questão ao Sr. Gammond.
Este escutou, cutucou-me por baixo da mesa e disse: "Dale, você está errado. O cavalheiro tem razão, a frase é da Bíblia."
De volta para casa, disse ao Sr. Gammond: "Frank, eu sei que a frase é de Shakespeare."
"Sim, naturalmente", respondeu. "Hamlet, ato V, cena 2. Mas nós éramos convidados numa ocasião festiva, meu caro Dale.
Por que provar a um homem que ele estava errado? Isso iria fazer com que ele gostasse de você?
Por que não evitar que ele ficasse envergonhado?
Não pediu sua opinião. Não a queria. Por que discutir com ele? Evite sempre um ângulo agudo."
O homem que me disse isso ensinou-me uma lição inesquecível. Eu não só tinha embaraçado aquele contador de estórias, como também o meu amigo.
Teria sido muito melhor se eu não tivesse sido argumentativo.
* * *

A necessidade de sermos aceitos num grupo, de mostrar o que sabemos, muitas vezes nos coloca em situações desagradáveis.
Somos descorteses e inconvenientes, querendo provar um ponto de vista com veemência, apenas para que todos percebam como eu estava certo.
Será que o mais importante nessas conversas é estar certo ou ser polido, fraterno com a outra pessoa?
Por que nossas idéias precisam sempre prevalecer?
Eis o orgulho disfarçado de sapiência, de eloqüência, esquecendo que o amor nos faz querer ajudar o outro, em toda oportunidade, e nunca desmerecê-lo.
Pensemos sobre isso, e nas conversações lembremos de dar espaço ao outro, de procurar exaltar as qualidades do próximo, sendo polidos e amáveis em toda oportunidade.
A caridade tem mais nuances do que se pode imaginar...

Autor: Redação do Momento Espírita com base no cap. I, pt. III, do livro Como fazer amigos e influenciar pessoas, de Dale Carnegie, ed. Companhia Editora Nacional.

Respeito é bom

Lya LuftRespeito é bom


"Sendo humanos, homens, mulheres e crianças, somos ainda animais predadores, querendo ocupar espaço a patadas. A gente precisa ser domesticado desde o dia em que nasce"


Respeito é bom e eu gosto", diz uma das mil frases feitas - esse sutil veneno ou pontapé no estômago - que pontilham nossa sabedoria dita popular. Vale para muitos aspectos da nossa vida. Vamos ver alguns.
Escuto frequentemente a queixa de mulheres de que ainda não são respeitadas como merecem, em seu trabalho ou individualmente. Primeiro, é uma questão de tempo, pois em quase todos os territórios da atividade humana, menos cozinhar e parir, mulheres são novidade. Ainda estamos buscando nosso jeito de trabalhar, de comandar, de usar nossa autonomia.
Certa vez, querendo me elogiar, um crítico escreveu: "(...) é uma excelente escritora, pois, embora sendo mulher, escreve com mão de homem". Isso por si basta para reconhecer a carga de preconceito que sobrevive mesmo entre pessoas com certo preparo, inclusive mulheres, diga-se de passagem, que em geral são os piores juízes de outras mulheres. Se ela faz bem um trabalho (vale para juízas, reitoras, governadoras, vereadoras, motoristas de ônibus, policiais, grandes cirurgiãs etc.), é porque o faz como homem. Quantas gerações terão de passar, para que isso mude?
Esse preconceito é demorado e obstinado, e nós mulheres colaboramos com ele dando nossa melancólica parcela, por exemplo, no jeito como nos portamos, como nos vestimos, como agimos no trivial, ou quando estamos no poder, qualquer poder. Não é por nada que boa parte das propagandas de quaisquer produtos usa mulheres quase nuas ou em trejeitos sensuais: vende, dá ibope, dá vontade de comprar... o que é um modo de poder. Falo com certa frequência na psicóloga que atende seus pacientes de minissaia ou profundos decotes, e digo que, lidando com a alma desses pacientes, a roupa não parece muito adequada. Nada contra a peça de roupa, desde que num corpo adolescente: adolescentes ainda não atendem pessoas com problemas psicológicos.
Enquanto nos portarmos feito crianças pouco inteligentes, ou enquanto nosso maior trunfo forem nádegas firmes, fica difícil reclamar que não nos respeitam o bastante. Estarei dando muito valor a exterioridades como saia, joias, trejeitos? Estou. A aparência é nosso primeiro cartão de visita, dizendo coisas como: eu me acho linda, eu sou sensual, estou consciente disso. O segundo cartão é a linguagem: se eu não sei nem articular direito meu pensamento falando ou escrevendo, não vou ser um grande candidato a um emprego razoável, pelo menos um cargo em que eu precise pensar... e falar.
Pais também se queixam de que os filhos não os respeitam. Um bom começo de diálogo é indagar como eles, pais, se portam em casa. Gentis um com o outro, com empregadas, com os filhos - ou a gente acha que dentro da porta de casa, com filhos, vale tudo, até grosseria e falta de compostura? O comportamento das crianças e adolescentes e seus conceitos sobre o mundo (eles os têm desde cedo, não se iludam!) refletem sua casa. Um pouco incômodo: querendo ou não, somos seus primeiros modelos, e eles percebem muito bem o que é natural e o que é fingido em nós.
Isso se estende para a escola, onde professores suportam violência verbal e física, agressividade, má-educação, hostilidade por parte de alguns alunos - não todos, possivelmente nem a maioria. Se pudéssemos pesquisar a vida familiar dessa meninada, com frequência iríamos constatar que ela apenas reproduz ou continua, na rua, no pátio da escola e na sala de aula, o tratamento que predomina em sua casa. Lá, talvez, os filhos não conheçam limites ou, quem sabe, o pai é do tipo que aprecia um coronelismo ultrapassado.
Observo muita gente, e não só jovens, dando de ombros ou rindo ao assistir a uma entrevista de alguns dos nossos líderes (ou escutando belas frases sobre ética): também na vida pública, o respeito tem de ser conquistado e merecido. Sendo humanos, homens, mulheres e crianças, somos ainda animais predadores, querendo ocupar espaço a patadas. Se pudermos, em vez de falar, rosnamos; em lugar de curtir, cuspimos em cima. A gente precisa ser domesticado desde o dia em que nasce.

Lya Luft é escritora

Texto publicado na Revista VEJA
Edição 2139 / 18 de novembro de 2009
Seção Lya Luft

Talvez

TalvezAristóteles Onassis

Talvez eu venha a envelhecer rápido demais. Mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena.

Talvez eu sofra inúmeras desilusões no decorrer da minha vida. Mas farei com que elas percam a importância diante dos gestos de amor que encontrei.

Talvez eu não tenha forças para realizar todos os meus ideais. Mas jamais irei me considerar um derrotado.

Talvez em algum instante eu sofra uma terrível queda. Mas não ficarei por muito tempo olhando para o chão.

Talvez um dia eu sofra alguma injustiça. Mas jamais irei assumir o papel de vítima.

Talvez eu tenha que enfrentar alguns inimigos. Mas terei humildade para aceitar as mãos que se estenderem em minha direção.

Talvez numa dessas noites frias, eu derrame muitas lágrimas. Mas não terei vergonha por este gesto.

Talvez eu seja enganado inúmeras vezes. Mas não deixarei de acreditar que em algum lugar alguém mereça a minha confiança.

Talvez no decorrer dos anos eu perca grandes amizades. Mas irei aprender que aqueles que realmente são meus verdadeiros amigos nunca estarão perdidos.

Talvez algumas pessoas queiram o meu mal. Mas irei continuar plantando a semente da fraternidade por onde passar.

Talvez eu fique triste ao concluir que não consigo seguir o ritmo da música. Mas então, farei com que a música siga o compasso dos meus passos.

Talvez eu nunca consiga enxergar um arco-íris. Mas aprenderei a desenhar um, nem que seja dentro do meu coração.

Talvez hoje eu me sinta fraco. Mas amanhã irei recomeçar, nem que seja de uma maneira diferente.

Talvez eu não aprenda todas as lições necessárias. Mas terei a consciência de que os verdadeiros ensinamentos já estão gravados em minha alma.

Talvez eu me deprima por não ser capaz de saber a letra daquela música. Mas ficarei feliz com as outras capacidades que possuo.

Talvez eu não tenha motivos para grandes comemorações. Mas não deixarei de me alegrar com as pequenas conquistas.

Talvez a vontade de abandonar tudo torne-se minha companheira. Mas ao invés de fugir, irei correr atrás do que almejo.

Talvez eu não seja exatamente o que eu gostaria de ser. Mas passarei a admirar quem sou. Porque no final saberei que mesmo com incontáveis dúvidas eu sou capaz de construir uma vida melhor.

E se ainda assim não me convencer disso, é porque como diz aquele ditado "AINDA NÃO CHEGOU O FIM".

Porque no final não haverá nenhum "TALVEZ" e sim a certeza de que minha vida valeu a pena e eu fiz o melhor que podia.

Amigo de si mesmo

Amigo de si mesmo
Martha Medeiros


Em seu recém-lançado livro Quem Pensas Tu que Eu Sou?, o psicanalista Abrão Slavutsky reflete sobre a necessidade de conquistar o reconhecimento alheio para que possamos desenvolver nossa autoestima. Mas como sermos percebidos generosamente pelo olhar dos outros? Os ensaios que compõem o livro percorrem vários caminhos para encontrar essa resposta, em capítulos com títulos instigantes como Se o Cigarro de García Márquez Falasse, Somos Todos Estranhos ou A Crueldade é Humana. Mas já no prólogo o autor oferece a primeira pílula de sabedoria. Ele reproduz uma questão levantada e respondida pelo filósofo Sêneca: "Perguntas-me qual foi meu maior progresso? Comecei a ser amigo de mim mesmo".


Como sempre, nosso bem-estar emocional é alcançado com soluções simples, mas poucos levam isso em conta, já que a simplicidade nunca teve muito cartaz entre os que apreciam uma complicaçãozinha. Acreditando que a vida é mais rica no conflito, acabam dispensando esse pó de pirilimpimpim.


Para ser amigo de si mesmo é preciso estar atento a algumas condições do espírito. A primeira aliada da camaradagem é a humildade. Jamais seremos amigos de nós mesmos se continuarmos a interpretar o papel de Hércules ou de qualquer super-herói invencível. Encare-se no espelho e pergunte: quem eu penso que sou? E chore, porque você é fraco, erra, se engana, explode, faz bobagem. E aí enxugue as lágrimas e perdoe-se, que é o que bons amigos fazem: perdoam.


Ser amigo de si mesmo passa também pelo bom humor. Como ainda há quem não entenda que sem humor não existe chance de sobrevivência? Já martelei muito nesse assunto, então vou usar as palavras de Abrão Slavutsky: "Para atingir a verdade, é preciso superar a seriedade da certeza". É uma frase genial. O bem-humorado respeita as certezas, mas as transcende. Só assim o sujeito passa a se divertir com o imponderável da vida e a tolerar suas dificuldades.


Amigar-se consigo também passa pelo que muitos chamam de egoísmo, mas será? Se você faz algo de bom para si próprio estará automaticamente fazendo mal para os outros? Ora. Faça o bem para si e acredite: ninguém vai se chatear com isso. Negue-se a participar de coisas em que não acredita ou que simplesmente o aborrecem. Presenteie-se com boa música, bons livros e boas conversas. Não troque sua paz por encenação. Não faça nada que o desagrade só para agradar aos outros. Mas seja gentil e educado, isso reforça laços, está incluído no projeto "ser amigo de si mesmo".


Por fim, pare de pensar. É o melhor conselho que um amigo pode dar a outro: pare de fazer fantasias, sentir-se perseguido, neurotizar relações, comprar briga por besteira, maximizar pequenas chatices, estender discussões, buscar no passado as justificativas para ser do jeito que é, fazendo a linha "sou rebelde porque o mundo quis assim". Sem essa. O mundo nem estava prestando atenção em você, acorde. Salve-se dos seus traumas de infância. Quem não consegue sozinho, deve acudir-se com um terapeuta. Só não pode esquecer: sem amizade por si próprio, nunca haverá progresso possível, como bem escreveu Sêneca cerca de 2.000 anos atrás. Permanecerá enredado em suas próprias angústias e sendo nada menos que seu pior inimigo.


Publicado na Revista O Globo, 15 de novembro de 2009

A Lista

A Lista
Oswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos, quem você mais via há dez anos atrás...
Quantos você ainda vê todo dia?
Quantos você já não encontra mais?
Faça uma lista dos sonhos que tinha...
Quantos você desistiu de sonhar?
Quantos amores jurados pra sempre...
Quantos você conseguiu preservar?
Onde você ainda se reconhece, na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria?
Quantos amigos você jogou fora...
Quantos mistérios que você sondava, quantos você conseguiu entender?
Quantos defeitos sanados com o tempo, era o melhor que havia em você?
Quantas mentiras você condenava, quantas você teve que cometer?
Quantas canções que você não cantava, hoje assobia pra sobreviver...
Quantos segredos que você guardava, hoje são bobos, ninguém quer saber...
Quantas pessoas que você amava, hoje acredita que amam você?

Confiar sem se machucar?

Confiar sem se machucar?
:: Rosemeire Zago ::

Quase sempre criamos expectativas em nossas relações pessoais, afetivas, familiares. Confiamos, acreditamos, gostamos e muitas vezes nos decepcionamos e nos machucamos. Criamos ilusões diante de quem conhecemos e quando estes têm comportamentos inesperados, o chão de nossa segurança desaparece e nos sentimos ameaçados. Quando isso acontece, muitas vezes custamos a acreditar nos fatos, apesar deles serem reais e estarem à nossa frente. Como defesa para não sentirmos a dor, negamos, fugimos, mas logo a mágoa volta para nos lembrar que fomos enganados, traídos.

Muitas vezes, dependendo do grau do envolvimento, acabamos por confundir a realidade com nossas necessidades e vemos o outro como desejamos que fosse e não como ele se apresenta. Ou seja, com muita facilidade confundimos ideal com real. Claro que outras vezes, o outro faz de tudo para acreditarmos que ele seja como anjo, mas com o tempo percebemos que estava muito distante disso.

Os principais responsáveis por nossas desilusões somos nós mesmos, pois idealizamos a outra pessoa e, ainda que inconscientemente, projetamos nela a responsabilidade de satisfazer nossas necessidades. Assim, perdemos a capacidade de discernir a realidade da necessidade e a própria responsabilidade de suprirmos nossas carências.

Se reparar melhor e voltar um pouco ao passado, talvez perceba que foi enganado, na verdade, por ignorar sua intuição, sua voz interior, que quase sempre diz: "não vai dar certo, não confie, não vá adiante". Ignoramos nossos valores como se não fosse correto confiar em nossa própria voz. E aí nos enganamos e nos machucamos.

Isso quer dizer que não devemos acreditar nas pessoas? Devemos acreditar acima de tudo em nós mesmos, e muitas pessoas confiam mais em outras pessoas do que em si próprias e esse não é o melhor caminho. O que devemos evitar é colocar todo nosso referencial de vida e valores no outro, deixar de viver a própria vida e viver a vida do outro. Não podemos perder nosso referencial interno, pois ao mantermos nossas referências, ficará mais difícil alguém nos decepcionar a ponto de nos perdermos de nós mesmos.

Algumas pessoas sofrem demais, porque na verdade, esperam demais, ou ao menos, esperam que o outro tenha respeito e valores semelhantes aos seus, o que nem sempre acontece. Confiar em alguém nos dias de hoje é algo muito delicado. Se você se considera uma vítima constante de pessoas assim, não será hora de parar um pouco e repensar sobre seus próprios valores e a forma de conduzir a própria vida? Ou ainda, não confiar tanto assim? Você pode sofrer por ter sido enganado, mas sofrerá muito mais por ter se deixado enganar. De nada adiantará ficar revoltado, brigar com o mundo, achar que não se deve mais acreditar no ser humano. Mas talvez seja importante para você acreditar acima de tudo em você mesmo.

Lembre-se que quem engana ao outro, na verdade, está enganando e fugindo de si próprio. Ou seja, quem "brinca" com os sentimentos de alguém, quem machuca o outro, está desrespeitando antes de tudo a si mesmo, escondendo-se atrás de máscaras por não conseguir suportar seus intensos conflitos internos. Parece que pessoas assim se esquecem que com o tempo as conseqüências podem se inverter, tendo efeito bumerangue: vai e volta. Estão tão atentas como lesar ou prejudicar o outro que nem conseguem perceber o mal que estão causando a si mesmas e nem se dão chance de descobrirem que podem ser muito felizes sem ser preciso machucar alguém. Em qualquer relacionamento, e independente do tempo que se mantenha, podemos ouvir o que nos dizem, entender o que pensam, ou melhor, dizem pensar, mas dificilmente saberemos o que realmente sentem. Se até nossos próprios sentimentos nos fogem ao controle, imagine o que o outro sente. Amizade, cumplicidade, ética, responsabilidade, comprometimento, respeito, são valores hoje muito difíceis de serem encontrados.

Talvez por isso, seja tão importante valorizarmos aqueles que nos são caros, que mostram coerência entre o que sentem, fazem e falam. E mais importante ainda, é valorizarmos nossa intuição, que muitas vezes nos diz para não seguirmos adiante, mas ignoramos e seguimos em frente e depois nos decepcionamos, não só com o outro, mas também com nós mesmos. Por isso, observe mais, fale menos e tenha a certeza que para alguém ser especial para você e participar da sua vida, deve respeitar ao outro como a si mesmo o que, infelizmente, poucos conseguem. Por tudo isso, confie acima de tudo em você! E no máximo em uma folha de papel em branco, se quiser desabafar. E lembre-se do escreveu Jean Paul Sartre: "Não importa o que fizeram com nós, o que importa é aquilo que fazemos com o que fizeram de nós".

Rosemeire Zago é psicóloga clínica, com abordagem junguiana e especialização em Psicossomática. Desenvolve o autoconhecimento através de técnicas de relaxamento, interpretação de sonhos, importância das coincidências significativas, mensagens e sinais na vida de cada um, promovendo também o reencontro com a criança interior.

Conheça meu eBook sobre interpretação de sonhos: Os Sonhos e Seus Significados.Visite seu Site
Email: r.zago@uol.com.br

Texto publicado no site: SOMOS TODOS UM - STUM
http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/c.asp?id=09274

Música

New Beginning
Carlos Santana
Sean Paul and Joss Stone
Talking about matters of the heart
Baby we should never be apart
[Verse 1:]

Going back to the memories
Reminiscing 'bout you and me
Thinking how it used to be
It's plain and clear
I treated you bad
But girl you know that I care
Every relation(ship) have wear and tear..
Just draw near girl and try to hear and listen what my heart says.
Many days and many nights
Many heartbreaks... many fights
Many wrongs but so many rights
So girl don't let this love die
Never meant to 'cause you no pain,
Girl I never meant to treat you lame.
Gimme one more chance rewind come back again.
Don't let this love die.
[Chorus:] Just Cry Baby Cry
(Don't cry no more)
Cause every tear that flows falls into the ocean
And rises to the skyAnd then the rain will come
Right before the sun shines...
[Verse 2:]

Can you feel me reaching out to you girl, can you hear my open thoughts
Never want (to) disrespect you girl don't let this come break us apart.
Cause I know I would die without you, my girl can you hear my broken heart.
It's calling out to the good times that we had back at the start.
Baby...
(Don't call me baby...)
You know I need you in my life daily.
(You know you played me...)
I was a player but now your love changed me.

(Dead wrong...)
I'm going crazy (I'm gone)... Never thought losing you would be so hard
[Chorus:]
It's your turn to cry baby cry
(Don't cry no more)

Cause every tear that flows falls into the ocean
And rises to the sky

And then the rain will come
Right before the sun shines...
[Tag:]
So let go
And move on
What we wereIs now undone
My tears have all dried
It's your turn now to cry...
Bridge
You're losing your love and your trust for me girl
And you know, I would go to the ends of the world.
If you wanted...

Just like we started.
Girl 'cause I don't want to fight no more.
Make it like it was before.
I'll tell you the truth and you died and I cried
Lets get back to that place and then look in your eyes

Can you feel it inside
No clouds in your sky
The sun is gonna shine

Chat to her Santana!


[Chorus:]It's your turn to cry baby cry
(Don't cry no more)
Cause every tear that flows falls into the ocean
And rises to the sky
And then the rain will come
Right before the sun shines...
Just Cry Baby Cry
(New beginning)
Cause every (yaya) tear that flows (whoa) falls into the ocean
And rises to the sky
And then the rain will come
Right before the sun shines...
Just Cry Baby Cry
(Cry baby)
Cause every tear that flows falls into the ocean (oooh)
And rises to the sky
And then the rain will come
Right before the sun shines...

Pensamento


De todos os animais da criação, o homem é o único que bebe sem ter sede, come sem ter fome e fala sem ter nada que dizer.

John Steinbeck

Clarice Lispector

Leia o texto abaixo e depois leia de baixo para cima

Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais queJá te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...
Atribuem o texto a Clarice Lispector

Não estás deprimido, estás distraído



“NÃO ESTÁS DEPRIMIDO, ESTÁS DISTRAÍDO”
Uma reflexão extraordinária escrita por Facundo Cabral
http://www.facundocabral.org/

Não estás deprimido, estás distraído, distraído em relação à vida que te preenche. Distraído em relação à vida que te rodeia: Golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.


Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando no mundo existem 5,6 milhões. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me, o que algo fundamental para viver.

Não cais no que caiu teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria aos noventa. Só para citar dois casos conhecidos.

Não estás deprimido, estás distraído, por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não podes ser dono de nada. Além disso, a vida não te tira coisas, a vida te liberta de coisas. Te alivia para que voe mais alto, para que alcances a plenitude. Do útero ao túmulo, vivemos numa escola, por isso, o que chamas de problemas são lições. Não perdeste nada, aquele que morre simplesmente está adiantado em relação a nós, porque para lá vamos todos. Além disso, o melhor dele, é o amor, segue em teu coração.

Quem poderia dizer que Jesus esta morto? Não existe a morte: existe mudança. E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, Michelangelo, Whitman, São Agostinho, a Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditavam que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.

Faz apenas o que amas e serás feliz e aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando deve chegar, porque o que deve ser será, e chegará naturalmente. Não faças nada por obrigação nem por compromisso, apenas por amor. Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível. E sem esforço, porque és movido pela força natural da vida, a que me levantou quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha; a que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.

Deus te tornou responsável por um ser humano, e é tu mesmo. A ti deves fazer livre e feliz, depois poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros. Lembra-te de Jesus: "Amarás ao próximo como a ti mesmo". Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que estás vendo, é uma obra de Deus; e decide agora mesmo ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.

Aliás, a felicidade não é um direito, e sim um dever, porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os que te amam. Um único homem que não possuiu nenhum talento nenhum valor para viver, mandou matar seis milhões de irmãos judeus.

Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo. Temos para gozar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman, as músicas de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven, as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.

E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e as duas são boas; se a doença ganha te liberta do corpo que é cheio de moléstias: tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas... e se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido, portanto, facilmente feliz. Livre do tremendo peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente,.... como deve ser.

Não estás deprimido, estás desocupado. Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Aliás o serviço é uma felicidade segura como gozar a natureza e cuidar dela para aqueles que virão. Dá sem medida e te darão sem medida. Ama até que te tornes o ser amado, mais ainda converte-te no mesmíssimo Amor . E não te deixes confundir por uns poucos homicidas e suicidas, o bem é maioria, porém, não se nota porque é silencioso, uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida.


Se Deus possuísse uma geladeira, teria a tua foto pregada nela. Se ele possuísse uma carteira, tua foto estaria dentro dela. Ele te envia flores a cada primavera. Ele te envia um amanhecer a cada manhã. Cada vez que desejas falar, Ele te escuta. Ele poderia viver em qualquer ponto do Universo, porém escolheu o teu coração. Enfrenta, amigo, Ele está louco por ti!

Deus não te prometeu dias sem dor, riso sem tristeza, sol sem chuva, porém prometeu força para cada dia, consolo para as lágrimas e luz para o caminho. Quando a vida te apresenta mil razões para chorar, mostra que tens mil e uma razões para sorrir. Não... não estás deprimido... estás distraído!

Pensamento


O correr da vida embrulha tudo; a vida é assim: esquenta, esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.
Guimarães Rosa

Aprendiz

Aprendiz
Eu não sabia, mas antes do câncer, eu já estava doente.
Duas doenças me limitaram mais do que a quimioterapia e a cirurgia.
Os nomes delas são “Não Posso” e “Não Consigo”.
Quando eu estava atacada no vírus
“Não posso” eu dizia e agia assim:
- Não posso tirar foto de lado…
Porque meu nariz e queixo são pontudos;
- Não posso usar saia curta…
Porque meus joelhos são muito grossos;
- Não posso sorrir muito em foto…
Porque meu bigode chinês aparece;
-Não posso andar de avião…
Porque tenho medo.
-Não posso ter plantas em casa…
Porque não sei cuidar.
E assim eu permanecia …doente de mim mesma.
E assim eu seguia, impondo-me limites… Quando eu estava atacada do vírus
“Não consigo” eu dizia e agia assim:
- Não consigo ficar bem nas fotos…
Porque sempre arregalo os olhos;
- Não consigo pousar para fotos…
Porque tenho vergonha;

- Não consigo sorrir para valer…
Porque meus dentes não são bonitos;
- Não consigo ler livros…Porque dá sono;
- Não consigo fazer caridade regularmente…
Porque não tenho tempo.

Quantas vezes reclamei da oleosidade do meu cabelo, do quanto ele era fino e pesado. A escova não durava nada… Fiz até permanente para dar volume…fiquei parecendo um poodle. Hoje, depois de encarar a doença, cheguei à conclusão de que o câncer mata muita coisa realmente… entre elas…Preguiça, vergonha, solidão, hipocrisia, futilidades, medos, culpas, limitações, radicalismos, carência, dependências, auto-crítica, intolerância, baixa autoestima e muito mais. Neste processo conheci estas frases e elas definem o que acredito hoje…

“O que somos é um presente de Deus.
O que nos tornamos, é o nosso presente para ele.”

Não aprendi a voar. Isto é com os pássaros.

Aprendi a me sentir como se estivesse voando.

Descobri que a gente pode sorrir por fora e por dentro.








Ser diferente é muito diferente de ser esquísito, feio ou anormal.


















O silêncio pode ser melhor do que mil palavras.Conherer a mim mesma é um aprendizado constante.















Existe mais beleza nos processos e nas atitudes do que nas formas.













É certo que o câncer muda a vida da gente, porém eu discordo que ele seja um presente. Ele é uma oportunidade!Mas… Até quando precisaremos dele para percebermos as belezas que existem em nós e à nossa volta?
Viver… E não ter a vergonha de ser feliz…

Cantar e cantar e cantar…

A beleza de ser um eterno aprendiz…

Elis Rejane Busanello
03/abril/2009

Pensamento





"Quase todos os homens são capazes de suportar adversidades, mas se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder."


Abraham Lincoln

Mercedes Sosa * Gracias a La Vida

Mercedes Sosa
Tucumán, 9-Jul-1935 - Buenos Aires, 4-Oct-2009http://pt.wikipedia.org/wiki/Mercedes...

Gracias a La Vida
- Letra de Violeta Parra - http://pt.wikipedia.org/wiki/Violeta_...

Gracias a la Vida que me ha dado tanto me dio dos luceros que cuando los abro perfecto distingo lo negro del blancoy en el alto cielo su fondo estrella doy en las multitudes el hombre que yo amo.

Gracias a la vida, que me ha dado tanto me ha dado el oido que en todo su anchograba noche y dia grillos y canarios martillos, turbinas, ladridos, chubascosy la voz tan tierna de mi bien amado.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto me ha dado el sonido y el abedecedario con él las palabras que pienso y declaro madre amigo hermano y luz alumbrando, la ruta del alma del que estoy amando.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto me ha dado la marcha de mis pies cansados con ellos anduve ciudades y charcos, playas y desiertos montañas y llanosy la casa tuya, tu calle y tu patio.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto me dio el corazón que agita su marco cuando miro el fruto del cerebro humano, cuando miro el bueno tan lejos del malo, cuando miro el fondo de tus ojos claros.

Gracias a la Vida que me ha dado tanto me ha dado la risa y me ha dado el llanto,asi yo distingo dicha de quebranto los dos materiales que forman mi cantoy el canto de ustedes que es el mismo cantoy el canto de todos que es mi propio canto.

Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida
Gracias a la Vida

Tradução para Português:
Mercedes Sosa - Obrigado à vida
(Violeta Parra)
Obrigado à vida que me tem dado tantodeu-me dois olhos que, quando os abro perfeitamente distingo o preto do branco e no alto céu, o seu fundo estrelado e nas multidões, o homem que eu amo.

Obrigado à vida que me tem dado tanto deu-me o ouvido que, em toda a amplitude, grava, noite e dia, grilos e canários martelos, turbinas, latidos, chuviscos e a voz tão terna do meu bem amado.

Obrigado à vida que me tem dado tanto deu-me o som e o abecedário e, com ele, as palavras com que penso e falo mãe, amigo, irmão e luz iluminando a rota da alma de quem estou amando.

Obrigado à vida que me tem dado tanto deu-me a marcha dos meus pés cansados com eles andei por cidades e charcos, praias e desertos, montanhas e planícies, pela tua casa, tua rua e teu pátio.

Obrigado à vida que me tem dado tanto deu-me o coração que todo se agita quando vejo o fruto do cérebro humano, quando vejo o bem tão longe do mal, quando vejo no fundo do teus olhos claros.

Obrigado à vida que me tem dado tanto deu-me o riso e deu-me o pranto assim eu distingo a felicidade da tristeza, os dois materiais de que é feito o meu canto e o canto de todos, que é o meu próprio canto.

Obrigado à Vida
Obrigado à Vida
Obrigado à Vida
Obrigado à Vida

Desassossegados

Desassossegados

Desassossegados do mundo correm atrás da felicidade possível, e uma vez alcançado seu quinhão, não sossegam: saem atrás da felicidade improvável, aquela que se promete constante, aquela que ninguém nunca viu, e por isso sua raridade.


Desassossegados amam com atropelo, cultivam fantasias irreais de amores sublimes, fartos e eternos, são sabidamente apressados, cheios de ânsias e desejos, amam muito mais do que necessitam e recebem menos amor do que planejavam.


Desassossegados pensam acordados e dormindo, pensam falando e escutando, pensam antes de concordar e, quando discordam, pensam que pensam melhor, e pensam com clareza uns dias e com a mente turva em outros, e pensam tanto que pensam que descansam.


Martha Medeiros

O que explica Rio-2016? A vocação inata do Brasil para a felicidade

A nossa felicidade vista de Madrid.
O texto não fala de política, disputas e vaidades.
O jornal espanhol fala de como nos sentimos felizes.
O jeito brasileiro de ser.
Uma agradável leitura.
14 de outubro de 2009

O que explica Rio-2016? A vocação inata do Brasil para a felicidade
EL PAIS
Juan Arias

O fato de o Rio de Janeiro ter ganhado a disputa para hospedar os Jogos Olímpicos de 2016, deixando para trás cidades de grande prestígio como Madri, Chicago e Tóquio, já foi analisado de todas as formas. Tudo foi dito. Que a América do Sul já merecia uma Olimpíada. E é verdade. Que o Brasil é hoje a potência econômica emergente da região. Também é verdade, assim como que boa parte da vitória se deveu à enorme popularidade mundial do carismático ex-metalúrgico e hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E com ele a atuação do deus do futebol, Pelé, e do mago carioca Paulo Coelho, que soube ganhar a simpatia das mulheres dos delegados do Comitê Olímpico Internacional (COI), as quais convidou para jantar em um restaurante em Copenhague, em um clima de felicidade brasileira. Ou terão sido só as imagens das belezas únicas da mágica cidade carioca? Também, mas não só.

Existe outro elemento pouco destacado, que é a vocação inata do Brasil e dos brasileiros para a felicidade, que acaba se irradiando internacionalmente, contagiando o mundo.

Se houvesse sido feita uma pesquisa nacional, teria aparecido que nesse dia 100% dos brasileiros se sentiram felizes quando o presidente do COI abriu o envelope e apareceu Rio de Janeiro como vencedora da competição para realizar os Jogos Olímpicos de 2016. Os brasileiros, que gozam de uma formidável coesão nacional, estão sempre abertos para acolher qualquer motivo para ser felizes. E abrigar os jogos lhes causou orgulho e felicidade. E não escondem isso - outra característica do brasileiro.

Em minha primeira entrevista com a atriz de cinema e teatro Fernanda Montenegro, quando cheguei ao Brasil, há dez anos, ela me disse algo que nunca esqueci e que mais tarde pude tocar com a mão: "A diferença entre um europeu e um brasileiro é que o brasileiro não se envergonha de dizer que é feliz, e o europeu, sim".

Qualquer um que passa pelo Brasil, por turismo ou trabalho, sente-se rapidamente capturado pela cordialidade, a exuberância afetiva, o acolhimento alegre de sua gente, do norte ao sul do país. "É que com os brasileiros não se pode brigar, porque sorriem até quando você fica nervoso", me disse um correspondente argentino. É verdade. A vocação do brasileiro é mais para a paz, a amizade, o entendimento mútuo, o desejo de agradar, do que para a guerra ou a disputa. E então, o que acontece com a violência que mata no Brasil mais que em outros países? Não é uma violência brasileira, mas produzida pelo câncer do tráfico de drogas.

A melhor arma do brasileiro continua sendo o sorriso. O catedrático de estética da Universidade do Rio Isaías Latuf foi indagado em plena na rua em Buenos Aires se era brasileiro. "Como percebeu?", ele perguntou. E a resposta foi: "Por seu sorriso".

Segundo uma pesquisa realizada em 2008 em 120 países pelo Instituto Gallup e apresentado pela Fundação Getúlio Vargas, a felicidade do brasileiro é superior a seu PIB. O jovem brasileiro aparece com uma avaliação da felicidade superior à média mundial. O estudo revela que os jovens brasileiros entre 15 e 29 anos apresentam maior esperança de ser felizes nos próximos cinco anos do que os jovens do resto do mundo. E essa esperança de felicidade alcança 9,29%.

Os psicólogos tentaram analisar esses dados. Como é possível que os jovens de um país que aparece somente no 52º lugar no índice mundial de renda se sintam os mais felizes do planeta? O psicólogo Dionisio Benaszewski atribui isso ao fato de que, segundo a mesma pesquisa, os jovens brasileiros valorizam mais a felicidade do que o trabalho ou o dinheiro. Se há algo que de fato eu constatei no Brasil é que a maioria dos cidadãos, até os mais pobres, não vivem para trabalhar; trabalham para viver e para viver felizes. É quase impossível conseguir que alguém queira trabalhar em um domingo, mesmo ganhando o dobro. Costumam dizer: "Ah, não, domingo não dá".

Segundo Benaszewski, existe outro elemento gerador de felicidade no Brasil, que é causado pelas boas relações existentes entre membros da família e entre vizinhos. Aqui a rede de solidariedade, sobretudo entre os mais pobres, é formidável. Um exemplo disso são as favelas do Rio, que entre elas se chamam de "comunidades". E o são. O elemento afeto nas relações e o afã por ajudar-se mutuamente nas adversidades, ou de desfrutar os momentos felizes, são proverbiais.

Costuma-se dizer que os brasileiros sabem tirar felicidade até das pedras. Eles a buscam na alegria e na tristeza. No dia em que o Rio ganhou como sede dos Jogos Olímpicos, um casal de jovens brasileiros entrevistado em Madri por um repórter do programa de Iñaki Gabilondo disse algo mais ou menos assim: "Não fiquem tristes. Venham para o Rio, que é uma cidade maravilhosa, que se sentirão felizes". Pensei que, se tivesse sido o contrário, se Madri tivesse ganhado e o Rio, perdido, a jovem também teria se consolado de alguma forma, dizendo que estava feliz na maravilhosa cidade de Madri.

Assim são os brasileiros. São mergulhadores no mar da felicidade e, como não escondem isso, acabam contagiando os outros. Sem dúvida esse contágio também teve a ver na hora da votação em Copenhague.

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Decidi Triunfar

Decidi Triunfar

E assim, depois de muito esperar, num dia como outro qualquer, decidi triunfar.
Decidi não esperar as oportunidades e sim, eu mesmo buscá-las.
Decidi ver cada problema como uma oportunidade de encontrar uma solução.
Decidi ver cada deserto como uma possibilidade de encontrar um oásis.
Decidi ver cada noite como um mistério a resolver.
Decidi ver cada dia como uma nova oportunidade de ser feliz.

Naquele dia descobri que meu único rival não era mais que minhas próprias limitações.
E que enfrentá-las era a única e melhor forma de superá-las.
Naquele dia, descobri que eu não era o melhor, e que talvez eu nunca tenha sido.
Deixei de me importar com quem ganha ou perde, agora, me importa simplesmente saber melhor o que fazer.
Aprendi que o difícil não é chegar lá em cima, e sim deixar de subir.
Aprendi que o melhor triunfo que posso ter é ter o direito de chamar a alguém de "Amigo".
Descobri que o amor é mais que um simples estado e enamoramento, "o amor é uma filosofia de vida".

Naquele dia, deixei de ser um reflexo dos meus escassos triunfos passados.
E passei a ser minha própria tênue luz deste presente.
Aprendi que de nada serve ser luz se não vai iluminar o caminho dos demais.
Naquele dia decidi trocar tantas coisas...
Naquele dia, aprendi que os sonhos são somente para fazer-se realidade.
E desde aquele dia já não durmo para descansar...
Agora simplesmente durmo para sonhar.

Walt Disney

Clarice Lispector

Medo

"Quero escrever o borrão vermelho de sangue com as gotas e coágulos pingando de dentro para dentro.

Quero escrever amarelo-ouro com raios de translucidez.

Que não me entendam pouco-se-me-dá. Nada tenho a perder.

Jogo tudo na violência que sempre me povoou, o grito áspero e agudo e prolongado, o grito que eu, por falso respeito humano, não dei. Mas aqui vai o meu berro me rasgando as profundas entranhas de onde brota o estertor ambicionado.

Quero abarcar o mundo com o terremoto causado pelo grito. O clímax de minha vida será a morte. "

Clarice Lispector (texto e quadro)

Tenho Tanto Sentimento

Tenho Tanto Sentimento

Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.
Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa

Citações

Citações

- Devemos aceitar o que é impossível deixar de acontecer.

- Até mesmo a bondade, se em demasia, morre do próprio excesso.

- O cansaço ronca em cima de uma pedra, enquanto a indolência acha duro o melhor travesseiro.

- Vazias as veias, nosso sangue se arrefece, indispostos ficamos desde cedo, incapazes de dar e de perdoar. Mas quando enchemos os canais e as calhas de nosso sangue com comida e vinho, fica a alma muito mais maleável do que durante esses jejuns de padre.

- Ninguém poderá jamais aperfeiçoar-se, se não tiver o mundo como mestre. A experiência se adquire na prática.

- Se o ano todo fosse de feriados, o lazer, como o trabalho, entediaria.

- Ventre grande é sinal de espírito oco; quando a gordura é muita, o senso é pouco.

- Que é o homem, se sua máxima ocupação e o bem maior não passam de comer e dormir?

- Do jeito que o mundo anda, ser honesto é (igual) a ser escolhido entre dez mil.

- Hóspede oferecido (...) só é bem-vindo quando se despede.

- Um homem inteligente pode transformar-se num joão-bobo, quando não sabe valer-se de seus recursos naturais.

- Quem não sabe mandar deve aprender a ser mandado.

- A mulher que não sabe pôr a culpa no marido por suas próprias faltas, não deve amamentar o filho, na certeza de criar um palerma.

- As coisas mais mesquinhas enchem de orgulho os indivíduos baixos.

- Ninguém pode calcular a potência venenosa de uma palavra má num peito amante.

- Sábio é o pai que conhece seu próprio filho.

- Tem ventura fugaz, sempre periga, quem se fia em rapaz ou rapariga.

- Ser ou não ser... eis a questão.

- É estranho que, sem ser forçado, saia alguém em busca de trabalho.

- As mais belas jóias, sem defeito, com o uso o encanto perdem.

- O bom vinho é um camarada bondoso e de confiança, quando tomado com sabedoria.

- Nunca poderá ser ofensivo aquilo que a simplicidade e o zelo ditam.

William Shakespeare (1564-1616)

Você quer ser feliz ou ter razão?

Você quer ser feliz ou ter razão?
por Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.br

Você já reparou como facilmente somos gentis, inteligentes, simpáticos com pessoas estranhas e justamente na nossa casa? Com os nossos familiares costumamos muitas vezes nos mostrar muito mais fechados, irritados e carrancudos.

Já reparou como as pessoas do convívio diário tiram você do sério?

Claro que cada pessoa tem seu limite, tem suas razões e seus momentos de harmonia e desarmonia, mas a família é um teste. Você já se perguntou por quê?

Nos ensinamentos espirituais, aprendemos que normalmente a família é o berço do aprendizado e dos resgates kármicos porque nela se encontram nossos mais queridos amores e também nossos mais complicados desafetos, justamente porque é ali que nossas arestas são lapidadas. É na família que temos a liberdade de ser nós mesmos, sem máscaras, sem regras sociais, mas será que exatamente por conta dessa liberdade temos o direito de sermos desrespeitosos e mal educados? Será que porque temos que conviver com essas pessoas temos o direito de mostrarmos nossa contrariedade e mal humor?

Uma criança, supostamente, não escolhe de quem será filha, mas crescendo é naturalmente convidada a aprender e melhorar seu comportamento. Uma vez, ouvi um amigo dizer que quando crescemos podemos ou não abrir mão de uma herança maligna. O que significa que, tendo consciência, não devemos mais nos esconder atrás de comportamentos negativos de nossos pais e familiares. Podemos dizer não a algo que vem conosco de berço. Podemos mudar. E muitas vezes é esse o grande convite da nossa encarnação.

Felizmente, muitas histórias não precisam terminar em separação e ranger de dentes. Podemos construir amor em nossas vidas, podemos encontrar outras pessoas e criar um novo núcleo familiar, podemos viver da forma que desejarmos viver, porém, seja qual for o tipo de sua família, pode ter certeza que os desafios da convivência continuarão a bater em sua porta. Pode ser que você deseje morar sozinho para se proteger da intimidade complicada, mas se assim for, outros núcleos passarão a incomodar você. Quem não tem que conviver com pessoas diferentes no trabalho? Nos estudos? Ou até mesmo na academia?

A vida vai juntando as pessoas justamente porque precisamos da experiência de lidar com o outro e com os desafios que ele nos trás.

Os filhos também não vêm prontos. Quem já teve filhos, sabe muito bem que cada pessoa é um universo; crianças criadas numa mesma casa, com os mesmos pais podem ser completamente diferentes. E essas diferenças costumam se mostrar já quando são bebês. E isso é natural porque somos almas que vêm para este plano de existência com suas histórias e seus desafios. Porém, ninguém vem totalmente pronto. Todos nascemos para nos aprimorar.

Se você não está muito bem em sua casa pense no que pode ser feito para melhorar a convivência, já que nem sempre é possível sair e fechar a porta atrás de si. Será que ficar mais em silêncio não ajudaria? Será que sublimar certas provocações também não seria saudável?

Com certeza, em alguns momentos você pode ter razão e até sentir necessidade de afirmar seu ponto de vista, mas muitas vezes vale muito mais deixar as situações passarem e se dissolverem por si mesmas. Como diz Sai Baba: "Você quer ser feliz ou ter razão?"

Confira os ensinamentos e meditações curativas que Maria Silvia ensina participando de um dos seus grupos.Venha participar do seu Grupo de Meditação Dinâmica que acontece todas as quartas-feiras no seu espaço em São Paulo. Venha ouvir pessoalmente as canalizações.
Texto revisado por: Cris

por Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.br
Maria Silvia Orlovas é uma forte sensitiva que possui um dom muito especial de ver as vidas passadas das pessoas à sua volta e receber orientações dos seus mentores.
Me acompanhe no Twitter
E-mail:morlovas@terra.com.br
Visite o Site do autor

Texto publicado no Site STUM: http://somostodosum.ig.com.br/clube/c.asp?id=19882

Clarice Lispector

Estou atrás do que fica atrás do pensamento.
Inútil querer me classificar: eu simplesmente escapulo.

Gênero não me pega mais.

Além do mais, a vida é curta demais para eu ler todo o grosso dicionário a fim de por acaso descobrir a palavra salvadora.

Entender é sempre limitado.

As coisas não precisam mais fazer sentido.
Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido.

Eu não: quero é uma verdade inventada.

Porque no fundo a gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..


Clarice Lispector

Gesto de Doação - Campanha: Câncer Infantil

Gesto de Doação

Campanha: Câncer Infantil

Os padrões de beleza em xeque

SEM RETOQUES
Os padrões de beleza em xeque
Fotografia foi tema da colunista Martha Medeiros e provocou polêmica entre leitores de Zero Hora

Uma dobrinha de gordura vem provocando um debate ao redor do mundo sobre relações entre corpo e imagem – com a participação animada também dos homens, que em tese não se importam com isso.

A dobrinha em questão é a da modelo Lizzie Miller, que figura em uma imagem discreta na página 194 da revista de moda Glamour, com uma barriguinha que foge do padrão subsaariano exigido das atuais modelos – e tem sido elogiada justamente por isso.

A foto foi tema da colunista de ZH Martha Medeiros na edição de ontem e provocou uma enxurrada de comentários no blog da escritora e um grande número de e-mails.

– O que me impressionou foi a grande quantidade de homens que escreveram para dizer que se espalhou uma ideia falsa de que eles exigem mulheres perfeitas. Acho ótima essa discussão, levantada pela imagem de uma garota linda, confortável com ela mesma e com uma imagem saudável – disse Martha.

A garota em questão – 20 anos, 1m79cm e 79 quilos – declarou em entrevista ao jornal britânico The Guardian que se entristece por ser qualificada como modelo “tamanho grande”.

– Praticamente toda foto em revista ou anúncio é manipulada... Não acho que o público entenda quanta fumaça e espelhos são utilizados para fazer as mulheres ficarem daquele jeito – disse a modelo.

Alguns comentários aprovaram a valorização de um corpo mais “real” em um editorial de moda. Outros apontaram que a barriguinha talvez fosse muito grande para alguém de apenas 20 anos.

O fato é que a discussão sobre o tem sido recorrente, e o exemplo de Lizzie é só o mais recente em uma cadeia de experimentações que fogem do padrão esguio/famélico da indústria do visual.

Em abril, a edição francesa da revista Elle reuniu em um ensaio atrizes e modelos europeias como Sophie Marceau, Monica Bellucci, Eva Herzigova, Charlotte Rampling e Anne Parilaud, todas sem maquiagem ou retoques no programa Photoshop – iniciativa que teve grande repercussão.

– Costumo dizer que essas moças são operárias da moderna indústria da imagem, asfixiadas pela exigência do mercado que representam. Assim como o operário do modelo capitalista industrial era a massa de músculos exaurida por horas, a indústria da moda opera com a mesma lógica hoje com a magreza – diz Ana Clara Torres Ribeiro, socióloga e professora da UFRJ.
ZERO HORA.com

A mulher da página 194

A mulher da página 194
Martha Medeiros

Ela é loira e linda. Tem 20 anos. Modelo profissional. Saiu na última edição da revista americana Glamour ilustrando uma reportagem sobre auto-imagem, e foi o que bastou para causar um rebuliço nos Estados Unidos. A revista recebeu milhares de cartas e e-mails. Razão: a barriga saliente da moça. Teor das mensagens: alívio. Uma mulher com um corpo real.

Não sei se Lizzie Miller, que ficou conhecida como a mulher da página 194, já teve filhos, mas é pouco provável, devido à idade que tem.

No entanto, quem já teve filhos conhece bem aquela dobrinha que se forma ao sentar. E mesmo quem não teve conhece também, bastando para isso pesar um pouco mais do que 48 quilos, que é o que a maioria das tops pesa. Lizzie não é um varapau — atua no mercado das modelos “plus size”, ou seja, de tamanhos grandes. Veste manequim 42, um insulto ao mundo das anoréxicas.

A foto me despertou sentimentos contraditórios. Por mais que estejamos saturados dessa falsa imagem de perfeição feminina que as revistas promovem, há que se admitir: barriga é um troço deselegante. É falso dizer que protuberâncias podem ser charmosas. Não são.

Só que toda mulher possui a sua e isso não é crime, caso contrário, seríamos todas colegas de penitenciária. Sem photoshop, na beira da praia, quase ninguém tem corpaço, a não ser que estejamos nos referindo a volume. Se estivermos falando de silhueta de ninfa, perceba: são três ou quatro entre centenas. E, nesse aspecto, a foto de Lizzie Miller serve como uma espécie de alforria. Principalmente porque ela não causa repulsa, ao contrário, ela desperta uma forte atração que não vem do seu abdômen, e sim do seu semblante extremamente saudável. É saúde o que essa moça vende, e não ilusão.

Um generoso sorriso, dentes bem cuidados, cabelos limpos, segurança, satisfação consigo próprio, inteligência e bom humor: é isso que torna um homem ou uma mulher bonitos. Aquelas meninas magérrimas que ilustram editoriais de moda, quase sempre com cara de quem comeu e não gostou (ou de quem não comeu, mas gostaria), são apenas isso: magérrimas. Não parecem pessoas felizes. Lizzie Miller dá a impressão de ser uma mulher radiante, e se isso não é sedutor, então rasgo o diploma de Psicologia que não tenho. Ela merecia estar na primeira página, mas, mesmo tendo sido publicada na 194, roubou a cena.

* Texto publicado na página 02 da Zero Hora – 02/09/09

Glamour

Music

Lullaby
Justin Timbarlake
The Cure

Rio de Janeiro 2016!

É isso aí, Rio de Janeiro 2016!
Apesar dos malas de plantão dizendo que não dava, que o Rio de Janeiro nunca poderia receber uma sede de Jogos Olímpicos, mostramos que podemos.
Mostramos com o sucesso do Pan do Rio de Janeiro em 2007 e vamos repetir em 2016.
Lembrem-se cariocas, a vitória é nossa!

VIVA AO RIO DE JANEIRO!

O clarão é Deus

O clarão é Deus
Maitê Proença

Deus surgiu na minha vida aos 6 anos de idade, e chegou junto com o pecado. Filha de pais ateus, até então, eu não havia sido apresentada a uma coisa nem outra. Um dia colocaram-me num colégio de freiras no qual rapidamente fui atualizada sobre essas questões importantes da vida. Ali aprendi que algumas faltas eram mais graves que outras. Matar, por exemplo. Mas eu nunca matei ninguém... Ah, é? E, quando você caminha, o que acontece com todas aquelas formigas que vão sendo pisoteadas? Assustada, passei meses andando de cabeça baixa para evitar tamanho pecado. Trocaram-me de colégio.

Passou-se um ano, e surgiu o assunto da primeira comunhão. Você não vai fazer? Não sei, o que é isso? É para Deus te perdoar dos pecados. Ahn... Em casa, minha mãe tirava dúvidas a sua maneira: Deus é como Papai Noel, só existe para quem acredita nele. E ela sabia que eu já não acreditava. Assim, pulamos a primeira comunhão.
Aí minha mãe morreu, meu pai pirou, e por coincidência fui parar numa hospedaria para filhos de missionários luteranos americanos, espalhados pelo Brasil. Ali rezava-se antes de cada refeição, e, à noite, por uma hora de fervor, cantavam-se hinos de louvor a Cristo. Éramos 30 meninas e meninos, de 5 a 18 anos, cuidados por um casal que viera de Minnesota com a missão de manter a fé daqueles pirralhos custasse o que custasse. Meu caso deu certo trabalho. Eu não fazia parte da turma, não tinha fé alguma, e era imprescindível integrar-me às crianças cristãs antes que elas se integrassem a meus modos pagãos. Acontece que aquela gente era muito boa, e eu andava numa carência infinita. Então, com o amor que me dedicaram, demorou pouco para que eu me bandeasse de armas e bagagem, pensamentos e espírito para onde a seta luterana apontava. Assim, aos 14 anos, passei a viajar pelo Brasil uma vez por mês, dando testemunhos de minha conversão a Jesus em igrejas protestantes espalhadas pelo país. Aos 16, cansei dessa vida, discuti com o responsável da hospedaria e fui bater na porta de uma igreja. Católica. Você é padre, não é? Pois eu sou órfã, e não tenho onde morar. Padre Xico me convidou para morar na torre da igreja, e ali me instalei por um par de anos. No térreo ficava a sala de estar. O sacerdote morava no 1o andar, o segundo piso servia para hospedar bispos e monsenhores, e no terceiro ficava meu quarto. Certa vez aconteceu um show do Vinicius e Toquinho na cidade, e eu fui conferir. Ao final do espetáculo, fui cumprimentar os artistas, e Toquinho se ofereceu para me levar em casa. Quando pedi que estacionasse na porta da igreja, o moço não entendeu nada. Você mora com o padre? Moro. E você dá para o padre? Não, o padre é casto, e eu sou virgem - não dou para ninguém. As segundas intenções que levaram Toquinho a me acompanhar, tão gentilmente, até minha casa morreram ali. Anos depois, já atriz, eu contei essa história para ele, e ambos demos boas risadas.

A vida foi seguindo. Levou-me para a Europa, e dali para a Ásia, numa peregrinação que durou dois anos. Eu ia a pé, de carona, como desse - e ia conhecendo bem a gente local. Quando se viaja pobre, precisa-se das pessoas, da generosidade delas, de suas gentilezas. Nessa troca diária em que eu também tinha de estar disponível, conheci muita gente boa e simples. E gente simples tem religião. Pelas pessoas, e não por interesse em suas crenças, fui novamente levada a Deus. Agora Ele ganhava várias faces, e as formas de louvá-Lo eram múltiplas e sempre muito fervorosas. Assim, fui percebendo que Deus não dava a mínima se a gente queria chamá-lo de Buda, Maomé, Oxalá ou Jesus. Deus não cabia numa caixinha, nem na minha compreensão, e isso de certa forma me confortava.

Então, quando mais tarde a vida apertou e minhas pessoas começaram a morrer muito pela segunda vez - amigos, meu pai e meu irmão se mataram - e minha solidão precisava de um amor sobrenatural para sará-la, lembrei de Deus, e fui procurá-lo. Quando encontrei, Ele era um Deus maduro e generoso, que me curou por inteiro, e, como que para me separar definitivamente de todo mal, ainda me deu uma filha de presente. Eu que tentava havia dez anos, sem nenhum problema físico, só consegui engravidar quando virei uma pessoa completa, ou seja, de espiritualidade plena. Não vou contar, porque não cabe aqui, como se deram os milagres de minha vida, mas esse de minha filha aconteceu exatamente nessas circunstâncias.

O Deus que hoje reconheço tem a face feminina, é doce, tolerante, compreensivo e infinitamente bom. É Ele quem me orienta e me encaminha todos os dias em cada momento. Olhando para trás e lembrando de tantas ocasiões em que poderia ter desistido de tudo, mas não o fiz, percebo que sempre houve um clarão ao fim de cada túnel, e que essa luz dava sentido a todos os aspectos de minha caminhada.
Antes, apenas, eu não sabia que a luz tinha um nome. Hoje eu sei.

Feliz Natal.

Crônica publicada na Revista Época - Edição 397, 26/12/2005
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,,EPT1094418-2813,00.html

Mulher ao espelho

Mulher ao espelho
Cecília Meireles


Hoje que seja esta ou aquela, pouco me importa.
Quero apenas parecer bela, pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena, já fui Margarida e Beatriz.

Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal faz, esta cor fingidado meu cabelo, e do meu rosto, se tudo é tinta: o mundo, a vida, o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira a moda, que me vai matando.

Que me levem pele e caveira ao nada, não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados, olhos, braços e sonhos seus e morreu pelos seus pecados, falará com Deus.
Falará, coberta de luzes, do alto penteado ao rubro artelho.

Porque uns expiram sobre cruzes, outros, buscando-se no espelho.

Torcida da vida

Torcida da vida

Mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você.

Tinha gente que torcia para você ser menino. Outros torciam para você ser menina.

Torciam para você puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai. Estavam torcendo para você nascer perfeito.

Daí continuaram torcendo...

Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra, pelo primeiro passo.

O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida.

E o primeiro gol, então?

E, de tanto torcerem por você, você aprendeu a torcer.

Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel.

Torcia o nariz para o quiabo e a escarola.Mas torcia por hambúrguer e refrigerante.

Começou a torcer até para um time.Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente que torce diferente de você.

Seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho, escovar os dentes, estudar inglês e piano.

Eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana.

Seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula, falar palavrão. Eles também estavam torcendo para você ser bacana.

Nessas horas, você só torcia para não ter nascido.

E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido.Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir.

E quando os hormônios começaram a torcer, torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso.

Depois começou a torcer pela sua liberdade.

Torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua. Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa.

Passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as idéias dos professores e para qualquer opinião dos seus pais.

Todo mundo queria era torcer o seu pescoço.

Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro.

Torceu para ser médico, músico, advogado...

Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol. Seus pais torciam para passar logo essa fase.

No dia do vestibular, uma grande torcida se formou. Pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você.

Na faculdade, então, era torcida pra todo lado.

Para a direita, esquerda, contra a corrupção, a fome na Albânia e o preço da coxinha na cantina.

E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para 'ela'...

Primeiro, torceu para ela não ter outro. Torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo, muito magro.

Descobriu que ela torcia igual a você. E de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho.

Torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana para a viagem de lua-de-mel.

E, daí pra frente, você entendeu que a vida é uma grande torcida. Porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tinha muita gente torcendo por ele.

Mesmo com toda essa torcida, pode ser que você ainda não tenha conquistado algumas coisas.

Mas muita gente ainda torce por você!!

Carlos Drummond de Andrade

Clarice Lispector

A Nossa Vitória de cada Dia

Olhe para todos ao seu redor e veja o que temos feito de nós e a isso considerado vitória nossa de cada dia.


Não temos amado, acima de todas as coisas.
Não temos aceite o que não se entende porque não queremos passar por tolos.


Temos amontoado coisas e seguranças por não nos termos um ao outro.


Não temos nenhuma alegria que não tenha sido catalogada.


Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas.


Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.
Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.


Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.


Temos procurado nos salvar mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes.
Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer a sua contextura de ódio, de amor, de ciúme e de tantos outros contraditórios.


Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar a nossa vida possível.


Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa.


Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada.


Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos no que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gaffe.


Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses.


Não temos sido puros e ingénuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer «pelo menos não fui tolo» e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.


Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos.


Temos chamado de fraqueza a nossa candura.


Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.


Clarice Lispector, in 'Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres'
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