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Mistérios gozosos

Mistérios gozosos
Affonso Romano de Sant'Anna

Uma coisa especial ocorre com a mulher depois que ama.
Reparem, estou dizendo: depois que ama.
Não estou me referindo a ela enquanto está no ato do amor.
Disto se pode falar também, e a literatura a partir do romantismo e depois o cinema, modernamente, já tentaram de várias formas simular na relação amorosa como a mulher suspira, se contorce, desliza as mãos e entreabre a boca do corpo e da alma.
Mas, quando digo "depois que ama", refiro-me ao estado de graça que a envolve após o gozo ou gozos, e que perdura horas e horas e às vezes dias.
Fica macia que nem gata aos pés do dono.
Mais que gata, uma pantera doce e íntima.
Sua alma fica lisinha, sem qualquer ruga.
A vida não transcorre mais a contrapelo, desliza...
Ela tem vontade de conversar com as flores, com os pássaros, com o vento.
Sobretudo, descobre outro ritmo em sua carne.
É tempo do adágio, de calma e fruição.
Neste período, aliás, o tempo pára.
Em estado de graça ela se desinteressa do calendário.
O cotidiano já não a oprime.É a hora de uma ociosidade amorosa.
O fato é que a mulher nessa atmosfera sai do trivial, se agiliza e glorificada, pervaga pela casa.
O homem, animal desatento, às vezes não se dá conta.
Em geral, nunca se dá conta.
Ou dá-se conta nos primeiros minutos após o ato de amor, e depois se deixa levar pela trivialidade, deixando-a solitária em sua felicidade clandestina.
Na verdade, ela sobrepaira ao tempo, está adejando em torno do amado, que deveria suspender tudo para sentir desenhar-se em torno de si esse balé de ternura.
Deveria o homem avisar ao escritório: hoje não posso ir, estou assistindo à reverberação do amor naquela que ama.
E como isto se assemelha à floração rara de certas plantas.
Os amados deveriam interromper tudo: seus negócios e almoços e ficarem ali, prostrados, diante da que celebra nela o que ele ajudou a deslanchar.
Já vi algumas mulheres assim.
Era capaz de pressentir a 115 m que elas estavam levitando de tanto amor que seus amados nelas desataram.
Há uma coisa grave na mulher que foi ao clímax de si mesma.
Que não esteja distraído o parceiro ou parceira.
Ela tem mesmo um perfume diverso das demais.
É um cio diferente.
É quando a mulher descerra em si o que tem de visceralmente fêmea, tranqüila que, mais que possuída, possui algo que atingiu raramente.
As outras mulheres percebem isto e a invejam.
Os machos farejam e se perturbam.
É como se estivessem num patamar seguro a se contemplar.
É quase parecido a quando a mulher vive a maternidade.
Mas aqui é ainda diferente, porque na maternidade existe algo concreto se movimentando dentro dela.
Contudo, nessa atmosfera que se segue a uma epifânica sessão de amor, diverso, porque ela está acariciando uma imponderável felicidade.
Estou falando de uma coisa que os homens não experimentam assim.
O gozo masculino é mais pontual e parece se exaurir pouco depois do próprio ato.
Só os escolhidos, os de alma feminina, vez por outra, o sentem prolongar-se dentro de si.
Mas em geral, é diferente.
Terminado o ato, uns até rolam para o lado e dormem como se tivessem tirado um fardo do ombro, outros acendem o cigarro, vestem suas ansiedades e voltam ao trabalho.
É constatável, no entanto, que o homem apaixonado também transmite força, alegria, energia.
Ele oscila entre Alexandre o Grande e o artista que chegou ao sucesso!
Também brilha.
Mas é diferente.E não é disto que estou falando, senão do gozo feminino que não se esgota no gozo e se derrama em gestos e atenções por horas e dias a fio.
Freud andou várias vezes errando sobre as mulheres e, por exemplo, colocou equivocadamente aquela questão de que a mulher teria inveja do homem por ser este um animal fálico.
Convenhamos: inveja têm (e deveriam ter) os homens quando prestam atenção no fenômeno que ocorre com as mulheres, que ao serem amadas atingem o luminoso êxtase de si mesmas, como se tivessem rompido uma escala de medição trivial para lá da barreira dos gemidos e amorosos alaridos.
É isso: quando a mulher foi amada e bem amada, ela ingressa nessa atmosfera sagrada, cuja descrição se aproxima daquilo que as santas estáticas descreveram.
Uma aura de mistérios as envolve.
E isso, por não ser muito trivial, por não ser nada profano, talvez se assemelhe aos mistérios gozosos de que muitos místicos falaram.

Separação

Separação
Paulo Roberto Gaefke

"De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto".
Vinícius de Moraes - Soneto da Separação

Não tem como explicar o que acontece de repente,
e mal dá para fingir o que de verdade a gente sente,
na separação inesperada de quem tanto amamos,
no relacionamento quebrado, a dor do indesejado,
na morte, a ruptura, a dor da eternidade;nos dois;
o luto da infelicidade.

Por isso quero viver cada dia
como se fosse um ano inteiro,
e mesmo estando em janeiro,
eu possa perceber no ar a docilidade de dezembro,
e fazer desse amor que carrego,
um eterno tocar de sinos, de luzes que se acendem,
de beijos eternos que não saciam,
que pedem sempre mais...

E assim, se um dia eu partir,
ou se o amor me deixar,
eu posso ter a certeza
de ter vivido a plenitude do amor,
e carregar comigo, não a dor da separação,
mas o gosto doce da paixão bem resolvida,
de almas que se tocam além dos corpos,
e assim, poderei dizer do amor vivido:
foi mais do que chama, mais que paixão,
foi a entrega permitida, plena e segura
do meu coração.

Fora de Moda

Fora de Moda
(autor desconhecido)

Se não estivesse tão fora de moda...
Eu ia falar de Amor.
Daquele amor sincero, olhos nos olhos, frio no coração, aquela dorzinha gostosa de ter muito medo de perder tudo...
Daqueles momentos que só quem já amou um dia conhece bem...
Daquela vontade de repartir, de conquistar todas as coisas, mas não para retê-las no egoísmo material da posse, mas para doá-las no sentimento nobre de amar.

Se não estivesse tão fora de moda...
Eu ia falar de Serenidade.
Sabe, aquele negócio antigo de Fidelidade... Respeito mútuo... e aquelas outras coisas que deixaram de ter valor?
Aquela sensação que embriaga mais que a bebida; que é ter, numa pessoa só, a soma de tudo que às vezes procuramos em muitas...

A admiração pelas virtudes e a aceitação dos defeitos, mas, sobretudo, o respeito pela individualidade, que até julgamos nos pertencer, mas que cada um tem o direito de possuir...

Se não estivesse tão fora de moda...
Eu ia falar em Amizade.
Na amizade que deve existir entre duas pessoas que se querem bem... O apoio, o interesse, a solidariedade de um pelas coisas do outro e vice-versa.
A união além dos sentimentos, a dedicação de compreender para depois gostar...

Se não estivesse tão fora de moda...
Eu ia falar em Família.
Sim...Família!
Essa instituição que ultimamente vive a beira da falência, sofrendo continuas e violentas agressões.Pai, Mãe, Irmãos, Irmãs, Filhos, Lar...
Aquele bem maior de ter uma comunidade unida pelos laços sangüíneos e protegidas pelas bênçãos divinas.
Um canto de paz no mundo, o aconchego da morada, a fonte de descanso e a renovação das energias... realização da mais sublime missão Humana de seqüenciar a obra do Criador...

E depois, eu ia até, quem sabe, falar sobre algo como a... Felicidade.
Mas é uma pena que a felicidade, como tudo mais, há muito tempo já esteja tão fora de moda e tenha dado seu lugar aos modismos da civilização.

Ainda assim, gostaria que a sua vida fosse repleta dessas questões tão fora de moda e que, sem dúvida, fazem a diferença!
Se pudéssemos parar somente um pouquinho e doássemos esses sentimentos tão “fora de moda”, com certeza muitas vidas poderiam ser salvas.
Doem, a Vida é o bem mais precioso que o Ser Humano possui.
Não esperem retribuições.
A maior retribuição que podemos ter é o singelo Sorriso de outra pessoa, não importando se ela nos magoou ou não, vale sempre a intenção, o gesto.
Isso vale mais do que qualquer outra coisa.

Nem Tudo é Fácil

Nem Tudo é Fácil
(autor anônimo)

É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada.
É difícil ser fiel, assim como é fácil se aventurar.
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer por hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil abrir os olhos e enxergar o que de bom a vida te deu, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.

É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil se pôr no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
É difícil ver o trem partindo, assim como é fácil pedir para ficar quem quer te levar.
Se você errou, peça desculpas!
É difícil pedir perdão?
Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o!
É difícil perdoar?
Mas quem disse que é fácil se arrepender?

Se você sente algo, diga!
É difícil se abrir?
Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça!
É difícil ouvir certas coisas?
Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o!
É difícil se entregar?
Mas quem disse que é fácil ser feliz?

Nem tudo é fácil na vida, mas com certeza nada é impossível!
Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos, mas também tornemos sonhos em realidade!

Clarice Lispector

Silêncio

É tão vasto o silêncio da noite na montanha. É tão despovoado. Tenta-se em vão trabalhar para não ouvi-lo, pensar depressa para disfarçá-lo. Ou inventar um programa, frágil ponto que mal nos liga ao subitamente improvável dia de amanhã. Como ultrapassar essa paz que nos espreita. Silêncio tão grande que o desespero tem pudor. Montanhas tão altas que o desespero tem pudor. Os ouvidos se afiam, a cabeça se inclina, o corpo todo escuta: nenhum rumor. Nenhum galo. Como estar ao alcance dessa profunda meditação do silêncio. Desse silêncio sem lembranças de palavras. Se és morte, como te alcançar. É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas insone; e sem fantasmas. É terrível - sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é a vida. Ou neve. Que é muda mas deixa rastro - tudo embranquece, as crianças riem, os passos rangem e marcam. Há uma continuidade que é a vida. Mas este silêncio não deixa provas. Não se pode falar do silêncio como se fala da neve. Não se pode dizer a ninguém como se diria da neve: sentiu o silêncio desta noite? Quem ouviu não diz.
A noite desce com suas pequenas alegrias de quem acende lâmpadas com o cansaço que tanto justifica o dia. As crianças de Berna adormecem, fecham-se as últimas portas. As ruas brilham nas pedras do chão e brilham já vazias. E afinal apagam-se as luzes as mais distantes.
Mas este primeiro silêncio ainda não é o silêncio. Que se espere, pois as folhas das árvores ainda se ajeitarão melhor, algum passo tardio talvez se ouça com esperança pelas escadas.
Mas há um momento em que do corpo descansado se ergue o espírito atento, e da terra a lua alta. Então ele, o silêncio, aparece.
O coração bate ao reconhecê-lo.
Pode-se depressa pensar no dia que passou. Ou nos amigos que passaram e para sempre se perderam. Mas é inútil esquivar-se: há o silêncio. Mesmo o sofrimento pior, o da amizade perdida, é apenas fuga. Pois se no começo o silêncio parece aguardar uma resposta - como ardemos por ser chamados a responder - cedo se descobre que de ti ele nada exige, talvez apenas o teu silêncio. Quantas horas se perdem na escuridão supondo que o silêncio te julga - como esperamos em vão por ser julgados pelo Deus. Surgem as justificações, trágicas justificações forjadas, humildes desculpas até a indignidade. Tão suave é para o ser humano enfim mostrar sua indignidade e ser perdoado com a justificativa de que se é um ser humano humilhado de nascença.
Até que se descobre - nem a sua indignidade ele quer. Ele é o silêncio.
Pode-se tentar enganá-lo também. Deixa-se como por acaso o livro de cabeceira cair no chão. Mas, horror - o livro cai dentro do silêncio e se perde na muda e parada voragem deste. E se um pássaro enlouquecido cantasse? Esperança inútil. O canto apenas atravessaria como uma leve flauta o silêncio.
Então, se há coragem, não se luta mais. Entra-se nele, vai-se com ele, nós os únicos fantasmas de uma noite em Berna. Que se entre. Que não se espere o resto da escuridão diante dele, só ele próprio. Será como se estivéssemos num navio tão descomunalmente enorme que ignorássemos estar num navio. E este singrasse tão largamente que ignorássemos estar indo. Mais do que isso um homem não pode. Viver na orla da morte e das estrelas é vibração mais tensa do que as veias podem suportar. Não há sequer um filho de astro e de mulher como intermediário piedoso. O coração tem que se apresentar diante do nada sozinho e sozinho bater alto nas trevas. Só se sente nos ouvidos o próprio coração. Quando este se apresenta todo nu, nem é comunicação, é submissão. Pois nós não fomos feitos senão para o pequeno silêncio.
Se não há coragem, que não se entre. Que se espere o resto da escuridão diante do silêncio, só os pés molhados pela espuma de algo que se espraia de dentro de nós. Que se espere. Um insolúvel pelo outro. Um ao lado do outro, duas coisas que não se vêem na escuridão. Que se espere. Não o fim do silêncio mas o auxílio bendito de um terceiro elemento, a luz da aurora.
Depois nunca mais se esquece. Inútil até fugir para outra cidade. Pois quando menos se espera pode-se reconhecê-lo - de repente. Ao atravessar a rua no meio das buzinas dos carros. Entre uma gargalhada fantasmagórica e outra. Depois de uma palavra dita. Às vezes no próprio coração da palavra. Os ouvidos se assombram, o olhar se esgazeia - ei-lo. E dessa vez ele é fantasma.

Clarice Lispector- "Onde estivestes de noite?"
7ª Ed. - Ed. Francisco Alves - Rio de Janeiro – 1994.

Mude

MUDE
Edson Marques

Mude,
Mas comece devagar, porque a direção é mais importantedo que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente no campo, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos...
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama... depois, procure dormir em outras camas da casa.
Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,o novo jeito, a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete,outro creme dental... tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva versos e poesias.
Jogue os velhos relógios,quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo.
Grite o mais alto que puder no espaço vazio.
Deixem pensar que você está louco.
Aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
A positividade que você está sentindo agora.
Só o que está morto não muda!

"Na espera do amanhã"

"Na espera do amanhã"
Affonso Romano de Sant'Anna

Vou dizer uma coisa banal: sem o mito do amanhã não existiríamos. Digo e assumo essa fundamental banalidade. Não fora o amanhã secaríamos à beira dos caminhos. O amanhã é que fermenta o hoje, que fermenta o ontem.
Por que migram as aves sobre os oceanos?Por que os peixes sobem cachoeiras procurando as nascentes do futuro?Os animais, aves e insetos ao redor, nos dão lição de aurora.
Ganhei duas crisálidas de borboletas.Aprendi a ver nesses casulos as asasque se desenharão em algum céu.Seguro nas mãos essas formas vivas disfarçadas de vegetal.Imagino o futuro dessas células.Mas tal imaginação não é privilégio só meu. No meu quarto, dependuradas num vaso de samambaia, duas crisálidas me contemplam a mim. Elas sabem, mais que eu, a que horas duas estupendas borboletas sairão do útero do tempo para esbaterem contra as vidraças do dia. A trepadeira no terraço, que avança dois-três centímetros cada jornada, seguindo o fio de náilon do tempo, me ensina a direção das coisas. O vento sopra pelas costas de suas folhas e ela navega verde na pilastra como uma caravela reinventando seu concreto mar. O suicida é o que decretou a morte do amanhã. O idealista é o viciado que toma o amanhã nas veias, aspira-o, esfrega-o nos olhos e gengivas. No entanto, dizemos: "está difícil", "a vida está dura”, "assim não é possível", "esse país não tem mais jeito", mas no dia seguinte, amarfanhados, caminhamos junto ao mar para saudar a aurora.
Sábia é a natureza, nos dizem. Olhai os lírios do campo, eles passam a vida tecendo e fiando a manhã. E o jardineiro que parece um perverso podador, tão-somente antecipa a floração da vida com suas lâminas de dor.
Em busca do amanhã as cobras perdem sua pele. Penas caem na muda da plumagem airosa dos airões. Cães ladram pressentindo o terremoto, que os homens sequer percebem. Os cães, quando uivam para a Lua, estão à sua maneira saudando o cio das madrugadas.
Em busca do amanhã uma nave passou por Marte e segue rumo a Urano. Alguns pré-videntes já estão legislando a constituição do amanhã.E se acabarem com o amanhã aqui, ele continuará com outros seres menos ferozes em outras galáxias, mais humanas, talvez.É assim que Penélope tecia e destecia seu amor nos fios da madrugada esperando Ulisses atracar na enseada.É assim que Sísifo - o mais otimista dos deuses condenados - sempre rolava montanha acima a pedra que sempre rolava montanha abaixo.É assim que Fênix - a fabulosa ave queimada nos desertos da Arábia- renascia das próprias cinzas e cantava transfigurada.
Deus é o renovado amanhã.
O que fazem os amantes pelos bares e praias, junto às árvores de noturnas ruas e nos leitos secretos, senão cumprir o ritual de crença no amanhã. E o ano mais uma vez termina. E estamos comendo e bebendo as horas que faltam eansiando por um novo dia. Também são assim os primitivos, quando celebram o potlach. Vão destruindo os objetos, as memórias que ficaram para reinaugurarem um ano novo.
Oh, amanhã!
Os que vão viver te saúdam.

Martha Medeiros

Até a rapa
Martha Medeiros

Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de 40 graus, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade. Pois metade deste povaréu sofre de dor-de-cotovelo.
Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estimação, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos têm um amor mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação.
Por que isso acontece? Eu tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórica no assunto. Acho que as pessoas não gastam seu amor. Isso mesmo. Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim.
Você sabe, o amor acaba.
É mentira dizer que não. Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais. Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: amizade, parceria, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor foi devorado até a rapa.
Dor-de-cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote. O amor tem que ser vivenciado. Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia, sem falar do tempo que ninguém tem para esperar. E tem que ser vivido em sua totalidade. É preciso passar por todas as etapas: atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim.
Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos, mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estar aberto para novos amores.Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez.
Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e os maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo.
Isso é que libera a gente para ser feliz de novo.

Pessoas Diferentes

Pessoas Diferentes
Autor desconhecido

Quando perguntávamos aos entrevistados de uma pesquisa qual a razão da admiração que sentiam por quem consideravam "pessoas especiais", a resposta era quase sempre esta:
Essa pessoa é "diferente!”
E quando perguntávamos:
-"Diferente" em quê?
A resposta era quase sempre:
-"Diferente" em tudo!
De fato, as pessoas especiais, sejam elas o que forem, são "diferentes" das demais.
Elas pensam de forma diferente.
Agem de forma diferente.
Enxergam a vida e o mundo de maneira diferente.
Elas são mais positivas.
Acreditam em si próprias.
Conseguem enxergar oportunidades nas crises.
Elas participam mais. Comprometem-se mais.
Terminam as coisas que começam.
Dão atenção aos detalhes em tudo o que fazem.
São polidas e educadas e além da "boa intenção" tem muita sensibilidade e empatia para colocar-se no lugar das outras pessoas.
Elas ouvem, mais do que falam.
Elas respeitam as opiniões alheias.
Elas sabem dizer "eu não sei" e dizem com freqüência "eu não compreendi...".
São pessoas simples e objetivas.
Não usam vocabulário rebuscado e complexo.
Falam e agem com simplicidade e têm muito foco em tudo o que fazem.
Daí a "diferença".
A diferença positiva está mais na simplicidade do que na complexidade, mais na humildade do que na arrogância, mais no "ser" do que no "ter".

Imaginação

΅Imaginação΅
Vânia Vianna

O pensamento deita e rola
Faz desvios, cria imagens
Fica doido e encaracola
Pensa sempre em mil bobagens!

Cria tudo o que bem quer
Idealiza, sonha, faz fitas
Seja em homem ou mulher
Pensa tanto que acredita!

Imagina pela aparência
Acredita sem provas ter
É tonto, tem inocência
Registra coisas sem saber

É um perigo esse rapaz
Às vezes é um pré-concebido
Cria asas, não se satisfaz,
Em outras é doido varrido!

Mas se o dono for coerente
Tiver critério na imaginação
Imagina, pensa e não fala
Há de ter ponderação!

Imagina que se enganou
Imagina que esteve errado!
Certo que a si perdoou
Imagina que é perdoado!

Como criança, ele cresce!
Como adolescente, se engana!
Como adulto, enobrece!
Como ancião, entra em nirvana!

Martha Medeiros

Beleza e inteligência
Martha Medeiros
Zero Hora.com 02/10/05 nº 14649

Burrice é pior que um nariz torto, é pior que cabelo ruim, é a pior das cicatrizes. Inteligência, por sua vez, torna qualquer pessoa iluminada.

A capa da última edição da Revista da MTV traz apergunta: Você abriria mão da sua inteligência para sermais bonito? Li a reportagem com a esperança de encontrar uma resposta óbvia, mas nossos óbvios nunca batem com os dos outros. O óbvio que encontrei foi que, dos 2.359 brasileiros entre 15 e 30 anos pesquisados pelo Dossiê Universo Jovem, cerca de 60% responderam que pessoas bonitas têm mais oportunidades na vida, e, portanto, sim, topariam ficar um pouco mais burros se em troca ficassem um pouco mais belos.

Esta é uma obviedade que, em tese, se justifica: aparência conta muito no jogo da sedução e na conquista de um emprego. Todos tratam melhor os magros e lindos. Na escola, te imitam. Nas festas, te cercam. Nada mal. Marcia Tiburi, durante o programa Saia Justa, disse para Luana Piovani que ela havia sido bem tratada pelo mundo em função da beleza, mas que a vida não é assim tão fácil para quem não nasce com tais atributos. Foi extremamente sincera, mesmo que a outra não tenha ficado muito feliz com a observação. Luanas enfrentam menos percalços do que as não tão formosas, porém tão talentosas quanto. Não é demérito ser bonita, não é pecado, ao contrário, é uma glória, uma bênção, e beleza e inteligência podem muito bem conviver em paz no mesmo corpo, há vários exemplos de gente linda e sabida. Mas tendo que optar entre uma coisa e outra, alto lá, melhor pensar direitinho.

A minha resposta óbvia à enquete seria: toda pessoa inteligente é bonita, não importa seu aspecto físico. Logo, não tem cabimento trocar neurônios por olhos azuis. É rara uma pessoa inteligente que não seja cativante. Por outro lado, conheço vários belos que só provocam bocejos. Há mais de 20 anos, quando ainda era publicitária, acompanhei a gravação de um comercial de tevê interpretado por um deus grego, o homem mais estonteante que havia visto. No final da gravação, ele me pediu carona. Eu, longe de ser uma Luana e desacostumada com estas generosidades cósmicas, vibrei. Sabia que o rapaz morava num bairro distante, mas estava disposta a levá-lo até Pernambuco, se ele pedisse. Em três minutos de conversa dentro do carro, eu queria cortar os pulsos. Inventei um mal súbito, aleguei falta de combustível, sei lá, não lembro, só sei que acabei deixando-o num ponto de táxi e fui pra casa dormir.

Burrice é pior que um nariz torto, é pior que cabelo ruim, é a pior das cicatrizes. Inteligência, por sua vez, torna qualquer pessoa iluminada. Qualquer uma. Faça uma lista dos seres humanos que você mais admira: a maioria não é linda, se analisadas apenas pelo padrão estético.
Mas, sendo inteligentes, ninguém lhes tira o carisma. Só não percebem isso aqueles que, não tendo mesmo muita massa cinzenta, topam a troca.

20 de julho, dia do amigo

20 de julho, dia do amigo
Antônio Moris Cury

Amizade = sentimento de amigo, afeto que liga as pessoas, reciprocidade de afeto, benevolência, amor (Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, Michaelis, 1ª edição, 1998, Cia. Melhoramentos de São Paulo, página 132).

Amizade = sentimento fiel de afeição, simpatia, estima ou ternura entre pessoas que geralmente não são ligadas por laços de família ou por atração sexual; entendimento, concordância, fraternidade; benevolência, bondade (Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, 2ª edição, 1986, Editora Nova Fronteira, página 106).

20 de julho é a data consagrada ao amigo. Depois de muita reflexão, associada ao decurso do tempo e, principalmente, às experiências vivenciadas, concluímos de repente, não mais que de repente, que a sabedoria popular, que é construída ao longo dos anos e fruto de agudíssima observação do dia-a-dia, está absolutamente correta: quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro! E que tesouro!

Referimo-nos, é claro, ao verdadeiro, afetuoso, benevolente, simpático, estimado, terno, fraterno, fiel e bondoso amigo, tal como se referem os dicionários aqui indicados a respeito da amizade, esta preciosa conquista que só se consolida com respeito e com fraterno amor, sempre.
Com efeito, só o veraz amigo é capaz de aceitar, com discernimento e compreensão e continuando a nos querer bem, os nossos defeitos e falhas, que são inúmeros e que nós mesmos só enxergamos em parte, quando conseguimos ter isenção suficiente e humildade bastante para perceber e admitir os nossos erros, males e equívocos.
Só ele, o autêntico amigo, é capaz de discordar de nossa opinião e de nossa orientação, com absoluta sinceridade, se entendê-las equivocadas, apontando outros rumos e apresentando novos argumentos, com o objetivo exclusivo de ser útil e de nos auxiliar, verdadeira, fraternal e bondosamente.
É ele, por igual, quem fica feliz quando alcançamos o bem-estar material, com trabalho, disciplina e esforço, e que será estendido à nossa família, assim como é ele quem vibra alegremente com o nosso progresso intelectual e, sobretudo, moral.
Por essas rapidíssimas observações, vê-se, assim, que poucos são os amigos verdadeiros, com os quais podemos contar nos momentos de dificuldade de variada ordem, de ansiedade, de angústia, de medo, de dor e de aflição.
Isto, porém, faz parte do processo evolutivo, a que todos estamos sujeitos, uma vez que o progresso é uma lei natural, que, como toda lei natural, é perfeita e por isso mesmo imutável.
O progresso do ser humano na escala evolutiva é lento e gradual, até porque depende, quando menos, de seu livre-arbítrio, máxime quando vive na Terra, um planeta de provas e expiações, de categoria inferior no Universo, em que não se pode esperar perfeição, conquanto todos os esforços devam ser direcionados para a busca permanente da perfeição relativa e da felicidade suprema, destino final dos seres humanos, através do auto-aperfeiçoamento, diminuindo e de preferência eliminando o orgulho e o egoísmo, as duas maiores chagas da humanidade, que insistem em nos acompanhar e prevalecer em nossas atitudes e decisões.
Essa, talvez, a razão principal de serem tão raros os amigos verdadeiros.
Não obstante, gostaríamos de enfatizar, com a veneranda e abençoada Doutrina Espírita, que o homem pode sempre contar com pelo menos três amigos, não encarnados.
Em primeiríssimo lugar, pode contar com Deus, nosso Pai Celestial, a inteligência suprema do Universo, Autor da Vida e causa primária de todas as coisas, soberanamente bom e justo, que não abandona a nenhum de seus filhos e que, de quebra, oferece todas as oportunidades de que necessitem para progredir, ajustando e reajustando contas, quitando débitos ainda que parcialmente, estudando e aperfeiçoando-se, aprendendo sempre neste educandário chamado Terra, no mínimo a viver em harmonia com o seu semelhante, preferencialmente em regime de respeito, consideração e fraternidade.
Em segundo lugar, o homem pode contar com Jesus de Nazaré, o Cristo, o ser mais perfeito que já esteve na Terra, modelo e guia da humanidade, nosso mestre e amigo de todas as horas, que nos legou ensinamentos definitivos, revelando sobretudo que o amor é a lei maior da vida, razão pela qual sentenciou, resumindo a lei e os profetas, que devemos amar ao próximo como a nós mesmos, com o que estaremos amando a Deus sobre todas as coisas, ou seja, aconselhando que façamos ao próximo exatamente aquilo que gostaríamos que ele nos fizesse.
E foi Ele, o Rabi da Galiléia, já naquela época, há quase 2.000 anos, quem deu a exata medida da importância e do extraordinário valor da amizade, ao dizer aos seus discípulos que: "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer" (Jo, 15:15).
Por fim, o homem pode contar com o seu Espírito protetor, o seu anjo da guarda, pertencente a uma ordem elevada, cuja missão é a mesma de um pai em relação aos filhos, procurando guiar o seu protegido pela senda do bem, auxiliá-lo com seus conselhos, consolá-lo nas suas aflições e levantar-lhe o ânimo nas provas da vida (questão 491 de O Livro dos Espíritos, a obra basilar do Espiritismo), vibrando quando haja acerto e lastimando quando haja erro nas decisões, que obrigatoriamente têm que ser tomadas pelo protegido, em razão de seu livre-arbítrio, com o que passa a ser por elas responsável, e naturalmente responsável pelas suas conseqüências. Não poderia ser de outra forma, uma vez que o anjo guardião não pode e não deve fazer a parte que compete ao homem.
Assim sendo, não fica difícil concluir que, ao contrário do que alguns pensam, nenhum ser humano está só!
(Jornal Mundo Espírita de Julho de 1998)

De quem você é refém?

De quem você é refém?
:: Rosana Braga ::

Há alguns dias, tendo de tomar uma importante decisão no meu universo profissional, comecei a me sentir incomodada com algo, mas sem saber o que, exatamente. Sentia-me sem vontade de trabalhar, me dispersando por qualquer motivo, improdutiva. Resolvi me observar; queria descobrir o que estava me deixando irritadiça, como se estivesse contestando alguém ou alguma coisa.

Numa tarde, conversando com minha agente e amiga muito querida, a Claudinha, descobri! Enquanto contava sobre como vinha me sentindo nos últimos dias, inclusive porque ela mesma dizia perceber que eu não estava dando o retorno de sempre, ‘a ficha caiu’: estava me sentindo refém!

Mergulhei neste sentimento... Refém de quê? De quem? A troco de quê? Quanto deveria ser pago pelo meu resgate, a fim de que eu me sentisse livre? Quem pagaria?

Segundo o Aurélio, ‘refém’ significa: “Pessoa importante que o inimigo mantém em seu poder para garantir uma promessa, um tratado, etc.”. Achei esta definição perfeita, formidável. Era exatamente isso que estava acontecendo. E fiquei pensando que a maioria de nós se torna refém de algum inimigo durante boa parte de nossa vida.

“Mas que inimigo? Não tenho inimigos!”, você poderia argumentar. E eu afirmo, com certeza, que se não estivermos atentos, teremos um inimigo em potencial muito mais perto do que imaginamos: uma parte de nós mesmos, seja em forma de pensamentos negativos, de crenças limitantes, de promessas ultrapassadas, de tratados que já não fazem sentido, ou simplesmente de desejos que não valem o preço do resgate.

Traduzindo melhor, esses inimigos podem ser escolhas que garantem aquisição de bens materiais – uma casa ou um carro, por exemplo; podem ser comportamentos para obtenção de fama ou reconhecimento de alguém ou a crença de que agindo de determinada forma seremos amados; a aceitação inconsciente da ilusão de que somos o que vestimos, o lugar onde freqüentamos, e assim por diante.

Claro... tudo isso tem sua importância, sem dúvida! Mas desde que você seja sempre o mentor de cada uma dessas crenças e afirmações. Desde que você seja comandante de suas ações, dirigente de seus passos e tutor de suas escolhas – cada uma delas – durante todos os dias de sua vida, lembrando que a sua verdade de hoje pode simplesmente se tornar uma mentira amanhã... e que isso, na maioria das vezes, se observarmos com os olhos do coração, não é de todo ruim.

Por fim, é bom começar a considerar que a partir do momento em que você age sem respeitar seus verdadeiros sentimentos, sem levar em conta sua missão, seus dons e seus valores, torna-se refém de si mesmo, torna-se seu próprio inimigo.

Abdica deliberadamente do seu direito de questionar o caminho que tem seguido e, se for o caso, mudar de idéia, de perceber que nada é garantia nesta vida, além da chance encantada de viver...

Deste modo, quando algo nos incomodar, que tal nos interrogarmos: quem disse que só existe esta saída? Quem disse que eu só poderei me sentir feliz deste jeito, neste lugar, com esta pessoa ou neste trabalho? Quem disse que eu tenho de ter isso ou aquilo? O que eu realmente quero? O que tenho feito para seguir a minha verdade, ainda que ela seja diferente da verdade de ontem? E, por fim, o que tenho feito para apostar diariamente naquilo em que eu genuinamente acredito?!?

Assim, estou certa de que valerá a pena pagar o preço do seu resgate. Sim, porque é você, sempre você, quem terá de pagá-lo. Afinal de contas, você é uma pessoa importante e não pode permitir que o inimigo – ainda que seja você mesmo – o mantenha em seu poder para garantir uma promessa, um tratado, etc. Se uma promessa se torna um cativeiro, é hora de pagar o preço por sua liberdade e retomar o caminho da felicidade, o seu caminho!

http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=6498&onde=2

Rosana Braga é Escritora, Jornalista e Consultora em Relacionamentos Palestrante e Autora dos livros "Alma Gêmea - Segredos de um Encontro" e "Amor - sem regras para viver", entre outros.www.rosanabraga.com.br e Comunidade no Orkut
Email: rosanabraga@rosanabraga.com.br

Cristo Redentor - Uma das 7 Maravilhas do Mundo

Cristo Redentor

De braços abertos para o mundo

História

A construção de um monumento religioso no local foi sugerida pela primeira vez em 1859, pelo padre lazarista Pedro Maria Boss, à Princesa Isabel. No entanto, apenas retomou-se efetivamente a idéia em 1921, quando se avizinhavam as comemorações pelo centenário da Independência.
A estrada de rodagem que dá acesso ao local onde hoje se situa o Cristo Redentor foi construída em 1824. Já a estrada de ferro teve seu primeiro trecho (Cosme Velho-Paineiras) inaugurado em 1884. No ano seguinte, 1885, o segundo trecho foi concluido, completando a ligação com o cume. A ferrovia, que tem 3.800 metros de extensão, foi a primeira ser eletrificada no Brasil, em 1906. A construção do Cristo Redentor ainda é considerada uma dos grandes capítulos da engenharia civil brasileira. O dono do projeto levou sua vida inteira construindo a estátua, que foi construída em pedra-sabão, originária do próprio pico do Corcovado.

Pedra fundamental
A pedra fundamental da estátua foi lançada no dia 4 de abril de 1922, mas as obras somente foram iniciadas em 1926. Dentre outras pessoas que colaboraram para a sua realização, podem ser citados o engenheiro Heitor da Silva Costa (autor do projeto escolhido em 1923), o artista plástico Carlos Oswald (autor do desenho final do monumento) e o escultor francês de origem polonesa Paul Landowski (executor da escultura).
Alguns historiadores especulam que o monumento seria um presente da França para o Brasil em resposta a alguma tentativas de invasão.

Inauguração
Na cerimônia da inauguração no dia 12 de Outubro de 1931, estava previsto que a iluminação do monumento seria acionada a partir da cidade de Nápoles, de onde o cientista italiano Guglielmo Marconi emitiria um sinal elétrico que seria retransmitido para uma antena situada no bairro carioca de Jacarepaguá, via uma estação receptora localizada em Dorchester, Inglaterra. No entanto, o mau tempo impossibiltou a façanha, e a iluminação foi acionada diretamente do local. O sistema de iluminação original foi substituído duas vezes: em 1932 e no ano 2000.
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (IPHAN) em 1937, o monumento sobre obras de recuperação em 1980, quando da visita do papa João Paulo II e novamente em 1990. Outro conjunto de obras importantes foi feito em 2003, quando foi inaugurado um sistema de escadas rolantes e elevadores para facilitar o acesso à plataforma de onde se eleva a estátua.

Símbolo
Conhecido como símbolo não só da cidade do Rio de Janeiro, mas também do Brasil, a estátua do Cristo Redentor tem seus direitos de uso comercial pertencentes à Mitra Arquiepiscopal do Rio de Janeiro, embora haja disputa por parte dos herdeiros dos envolvidos na concepção da obra. Há que se observar, ainda, que a estátua está situada em logradouro público, estando portanto sujeita a ter sua imagem captada pelas lentes dos milhares de turistas que a contemplam e que trasformam este ponto turístico numa verdadeira "torre de Babel".


Sete maravilhas do mundo moderno

No dia 7 de julho de 2007, em uma festa realizada em Portugal, o Cristo Redentor foi incluído entre as novas sete maravilhas do mundo moderno. A decisão, após um concurso informal, foi baseada em votos populares (internet e telefone), votação esta que ultrapassou a casa dos cem milhões de votos.
Todavia, o concurso não possui o apoio da UNESCO, que apontou a falta de critérios científicos para a escolha das maravilhas.

Endereço: Parque Nacional da Tijuca
Acesso: Estrada de Ferro Corcovado (saídas de 30 em 30 min.)
Rua Cosme Velho, 513 - Rio de Janeiro - RJ
Tel: (21) 2558-1329

Acima das desilusões

Acima das desilusões

Na vida todos nós enfrentamos desilusões.
Nos decepcionamos com amigos, parentes, e até conosco mesmo.
Nos desiludimos quando vemos um sonho se transformar em pesadelo, um alvo se transformar numa miragem bem distante, um desejo desaparecer como uma neblina.
A desilusão dói, como um ferimento. Atinge a qualquer um, sem acepção.
Mas o importante é saber que novos sonhos podem ser sonhados, e que um novo dia certamente amanhecerá.
Fomos criados por Deus com a incrível capacidade de nos recuperarmos.
Fomos feitos com a capacidade de sair das cinzas para a glória, do nada para o tudo, da derrota para a vitória.
Como a águia, temos dentro de nós o desejo de voar grandes alturas, portanto também acima das desilusões.
Cada desilusão é um convite a um novo sonho, a uma nova visão da vida.
É um convite a um novo desafio, a um novo caminho...

Pr. Edilson Ramos

Compromisso com a Consciência

"Prefira afrontar o mundo servindo a sua consciência, a afrontar sua consciência para ser agradável ao mundo”.

Humberto de Campos
Compromisso com a Consciência

Você certamente já leu ou ouviu, algum dia, a notícia de roubo, incêndio, naufrágio ou explosão de algum bem móvel ou imóvel que pertencia a alguém, não é mesmo?
No entanto, ninguém jamais ouviu ou leu uma manchete com os dizeres:
“Foi roubada a coragem desta ou daquela pessoa”, “Foi extraviada grande porção de otimismo.Quem a encontrar favor devolver no endereço citado”.
Ou então, “Incêndio consumiu toda a fidelidade de fulano” ou “Naufragou a honestidade de beltrano”.
Enfim, nunca se ouve falar que as virtudes de alguém tenham sofrido assaltos ou outro dano qualquer.
Todavia, isso acontece diariamente quando as negociatas indignas põem por terra a honestidade e a honradez deste ou daquele cidadão, que sucumbe ante grandes quantias em dinheiro ou favorecimentos de toda ordem.
No entanto, as virtudes que se deixam arrastar por interesses próprios, não são virtudes efetivas, são ensaios de virtudes.
Quem verdadeiramente conquista uma virtude, jamais a perde.
Contou-nos um amigo, jovem advogado que labora num órgão público que, em certa ocasião, estava com uma pilha de processos sobre a mesa, quando seu superior entrou na sala, tomou dois daqueles processos e pôs de lado, dizendo-lhe:
“Quero que você arquive estes processos.”
O advogado perguntou por que razão deveria arquivá-los, e o diretor respondeu simplesmente: “Porque os acusados são meus amigos e me pediram esse favor”.
O moço, que tinha compromisso sério com a própria consciência, fez com que os processos seguissem seu curso, sem interferir.
Tempos depois, os acusados tiveram que arcar com as custas do processo e indenizar vários cidadãos, aos quais haviam prejudicado de alguma forma.
Quando questionado por seu superior sobre o ocorrido, o advogado argumentou que o fato de os acusados serem seus amigos, não era suficiente para isentá-los da responsabilidade de seus atos.
Se o jovem advogado não tivesse firmeza de caráter, poderia ter dado ocasião a que fosse registrado em sua ficha espiritual a seguinte anotação:
“Este Espírito sofreu, em tal data, um assalto da corrupção e da prepotência e teve seus bens mais preciosos, que são a fidelidade e a honestidade, roubados.”
Felizmente isso não aconteceu.
**************************************************
Toda vez que permitimos que nosso patrimônio ético-moral seja comprado ou roubado, ficamos mais pobres espiritualmente.
Quando aplaudimos a corrupção e a ganância dos outros, somos coniventes com essas misérias morais, e empobrecemos.
Pense nisso, e considere que vale a pena preservar esse bem tão valioso que é o seu patrimônio moral.

Texto da Equipe de Redação do site www.momento.com.br, com base em fato real

Martha Medeiros

Ponto G
Martha Medeiros

"Isabel Allende é uma das escritoras que mais admiro, não só por seus livros, mas também por seu humor, sua trajetória de vida e sua força diante de dramas inesperados, como a morte prematura de sua filha, Paula, aos 28 anos, que acabou lhe inspirando um romance biográfico emocionante.
Hoje, Isabel vive feliz em Sausalito, Califórnia, com o segundomarido.
Lendo a entrevista que ela deu para a Playboy, ri muito com suas declarações e uma delas me pareceu um verdadeiro achado.
"As mulheres gostam que lhes digam palavras de amor. O ponto G está nos ouvidos. Inútil procurá-lo em outro lugar".
Ah, o ponto G, esse paraíso secreto que leva os homens a exploraçõesminuciosas.
Não temos um ponto G, mas dois, um em cada lateral da cabeça, e não é preciso tirar nossa roupa para nos deixar em êxtase.
Falem, rapazes. Digam tudo o que sentem por nós, assim, assim...isso.
Concordo com a autora de A Casa dos Espíritos: o melhor afrodisíaco é a declaração de amor. Não aquelas mecânicas, faladas no piloto automático, mas as verdadeiras, sentidas, aquelas que os homens imaginam que basta serem ditas com o olhar e com as mãos, mas que fazemos questão de escutar também com a voz. "Como eu gosto de estar com você, esqueço do tempo ao seu lado, que horas são? Já? Que me esperem, não consigo desgrudar de você, amor."
Caetano Veloso vendeu um milhão de cópias do seu último disco, e tenho certeza de que não foi por causa de "vou me embora, vou me embora,prenda minha,... "e sim "por que você me deixa tão solto, por que você não cola em mim?"
As feministas mais ortodoxas devem estar bufando. Tanta coisa pra se exigir de um homem: mais espaço na política, mais ajuda em casa, salários iguais e nada de gracinhas no escritório, e vem essa daí clamar por palavras!
Pois essa daqui acha tão interessante a idéia de igualdade entre os sexos que adoraria vê-los soltar o verbo como nós fazemos, expressar os sentimentos sem medo de ser piegas, afirmar e reafirmar diariamente como a gente é importante para eles e que saudades estavam do perfume dos nossos cabelos.
Clichê em último grau, reconheço, mas quem quer ser moderna nessa hora?
Tudo o que se reivindica é o desbloqueio emocional masculino.
Nossos hormônios saberão como agradecer."

Remorso ou lamento?

Remorso ou Lamento?
Carlos Rosa - Diretor do Curso Trilha do Sucesso

É melhor fazer e se arrepender ou se arrepender do que fez?

Qual a melhor escolha para as nossas decisões?

Talvez tenhamos que conviver com as duas, ou melhor, não conviver com nenhuma delas. Inicialmente, com o suporte do dicionário, entenderemos o significado dos substantivos lamento e remorso.

O primeiro quer dizer lamentação interminável, que importuna e que a nada leva; queixume; queixa; ato de falar de modo triste; falação longa e fastidiosa em que são evocadas desgraças de toda sorte por alguém que deseja ver-se atendido naquilo que pede; choradeira; lengalenga; arenga .

O segundo quer dizer aflição; tormento de consciência por um ato mau que se praticou; revolta da consciência contra uma ação pecaminosa ou culpável; remordimento; arrependimento. Por estas definições, fica claro que o melhor é fazer sem arrepender-se.

Conheço pessoas que dizem que só se arrependem do que não fizeram. Isto tem um fundo de verdade: o ato de executar nos leva à grandeza do aprendizado.

O fazer nos leva a aprender, a melhorar, a crescer. O fazer nos leva ao futuro enquanto as indecisões, os medos nos levam ao passado.

Como é mais fácil obtermos perdão do que permissão, não tenhamos medo de errar e se o erro acontecer, precisamos aprender com ele.

Somente não erre por omissão, pois este é um erro que nos leva em direção à lamentação.

A informática, além dos inúmeros benefícios que nos trouxe, também é responsável em transformar o erro em uma situação normal, muito diferente dos anos passado.

Os jogos eletrônicos permitiram ao jovem a decidir que jogada fazer e se errasse ganhava nova chance e neste mecanismo de tentativa e erro nossa juventude cresceu com esta mutação da nossa cultura.

E isto é muito bom, pois os jovens profissionais estão mais criativos e decidem mais; lamentam-se menos porque incorporaram esta boa pratica na sua vida profissional. Vamos agora analisar um outro seleto grupo de pessoas: os empreendedores, que são a solução do emprego na maioria dos países.

Estes arquitetos do fazer, do executar sonhos, são verdadeiros heróis, principalmente no nosso país, onde a carga tributária e a proteção exagerada aos funcionários chegam a inviabilizar e desestimular negócios.

E estes grandes executores, transformam sonhos em realidades. Tem na atitude, na perseverança, no comprometimento e no deixar um legado, competências maravilhosas.

Os mais bem sucedidos levam consigo uma outra competência que elimina o remorso, o planejamento. Esta é uma importante ferramenta para buscar informações para decidir o melhor caminho. Os empreendedores que agem sem pensar, que só tem uma idéia, por oportunidade ou por necessidade, não otimizam e nem limitam seus recursos, não definem estratégias especificas e podem levar seu negócio ao fim, e ai o remorso aparecerá.

Nestes casos, é muito comum identificar erros primários e arrepender-se de não ter se dedicado mais tempo na analise do negócio ou do problema.

Porém, não há queixas quanto a terem feito o empreendimento, pois este leva a uma riqueza de conhecimentos, uma sensação de vitória futura, de responsabilidade social e desafios. Fico feliz de analisar estatísticas de redução de mortalidade das pequenas e médias empresas. É um ótimo sinal que o empreendedor continua com a sua interminável chama acesa do fazer, que é inimigo mortal do remorso.

Agora começa a se preocupar com os estudos prévios, as análises mercadológicas, a profissionalização desde cedo da sua empresa, através de consultorias especializadas e, com isto, a lamentação cada vez terá menos espaço em nossas vidas e empresas. É nosso dever deixar este Mundo melhor do que quando aqui chegamos, sem lamentações e remorsos. Pelo contrário, com ações concretas, com relacionamentos duradouros, com amizade e respeito aos nossos irmãos, com transmissão de nossa espiritualidade dentro de um corpo saudável.

Viva, viva intensamente a vida, se doe, cultive o conhecimento que é a nutrição da nossa mente e deixe um legado. A vida foi feita para ser vivida a cada momento com muita alegria e felicidade, sem remorsos nem lamentações.

Procura-se um Amante!

Procura-se um amante!
Dr. Jorge Bucay
(tradução do original: "Hay que buscarse um Amante").

Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um.
Há também as que não têm, e as que tinham e perderam.
Geralmente são essas últimas as que vêem ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro ou as mais diversas dores.
Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre.
Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: "Depressão", além da inevitável receita do anti-depressivo do momento.
Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que elas não precisam de nenhum antidepressivo; digo-lhes que elas precisam de um AMANTE!
É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho.Há as que pensam: "Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas?! "
Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais.
Àquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte: AMANTE é "aquilo que nos apaixona".
É o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.
O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.
Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis.
Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou no prazer obsessivo do passatempo predileto...
Enfim, é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida e nos afasta do triste destino de "ir levando".
E o que é “ir levando?” Ir levando é ter medo de viver.
É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.
Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã. Por favor, não se contente com "ir levando"; procure um amante, seja também um amante e um protagonista da SUA VIDA...
Acredite: o trágico não é morrer; afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver; por isso, e sem mais delongas, procure um amante.
A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental:

"PARA SE ESTAR SATISFEITO, ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA”.

Terceirizando Responsabilidades

Terceirizando Responsabilidades

Um artigo publicado no jornal nos chamou a atenção, pelo tema enfocado. Tratava das desculpas que sempre damos para justificar a nossa infelicidade.

O articulista dizia que um amigo seu, depois de mais de uma década de casamento infeliz, separou-se e, após temporária euforia, caiu em profunda tristeza.

Curioso, perguntou-lhe: "qual a razão para tanto sofrimento?".

E seu amigo respondeu: "aquela maldita está me fazendo uma grande falta, pois agora já não tenho a quem culpar pela minha infelicidade".

O curioso é que muitas vezes nós também agimos de maneira semelhante, pois sempre estamos à procura de alguém a quem responsabilizar pela nossa infelicidade.

E isso é resultado do atavismo que trazemos embutido na nossa forma de pensar e agir.

Quando somos jovens ouvimos nossos pais e amigos dizerem que um dia encontraremos alguém que nos faça feliz.

Então acreditamos que esse alguém tem a missão de nos trazer a felicidade. E passamos a aguardar que chegue logo para fazer o milagre.

Mas, antes disso, quando ainda somos criança, nossos pais acham sempre algo ou alguém a quem culpar pelo nosso sofrimento.

Se nos descuidamos e tropeçamos numa pedra, a culpa foi da pedra, que não saiu da nossa frente.

Se brigamos com o amiguinho, foi ele que nos provocou. Se tiramos nota baixa na escola, a culpa é do professor que não soube nos ensinar.

E é assim que vamos terceirizando nossos problemas e nossa felicidade. E, por conseguinte, as responsabilidades e as soluções.

Se sinto ciúmes, é porque a pessoa com quem me relaciono não permite que eu dirija a sua vida. Embora devesse admitir que é porque não sinto confiança em mim.

Se a inveja me consome, a culpa é de quem se sobressai, de quem estuda mais do que eu, de quem avança e não me dá satisfação dos seus atos.

Se alguém do meu relacionamento tem mais amizades e recebe mais afeto do que eu, fico inventando fofocas para destruir as relações, em vez de conquistar, com sinceridade e dedicação, o afeto que desejo.

Se uma amiga, ou amigo, faz regime e emagrece, e eu não consigo, fico infeliz por isso.

Se tenho problemas de saúde e não melhoro, a culpa é do médico, afinal eu o pago para me curar e ele não cumpre o seu dever..., ainda que eu não siga as suas orientações.

Se não consigo um bom emprego é porque ninguém me valoriza, e às vezes esqueço de que há muito tempo não invisto na melhoria de minha qualidade profissional.

Pensando assim, nós nos colocamos na posição de vítimas, julgando que só não somos felizes por causa dos outros. Afinal, ninguém sabe nos fazer feliz...

Importante pensar com maturidade a esse respeito, pois somente admitindo que somos senhores da nossa vida e do nosso destino, deixaremos de encontrar desculpas, e faremos a nossa parte.

Se seus relacionamentos estão enfermos, analise o que você tem oferecido aos outros. De que maneira os tem tratado. Que atenção tem lhes dado.

Considere sempre que você pode ser o problema. Analise-se. Observe-se. Ouça a sua voz quando fala com os outros.

Sinta o teor de suas palavras. Preste atenção quando fala de alguém ausente.

Depois dessas observações, pergunte-se, sinceramente, se você tem problemas ou se é o próprio problema.

Não tenha medo da resposta, afinal você não deseja ser feliz?

Então não há outro jeito, a não ser enfrentar a realidade...

A felicidade é construção diária e depende do que consideramos o que seja ser feliz.

Se admitimos que a felicidade é uma forma de viver, basta aprender a arte de bem-viver.

E bem viver é buscar a solução dos problemas, sem terceirização...

É assumir a responsabilidade pelos próprios atos.

É admitir que a única pessoa capaz de lhe fazer feliz, está bem perto...

Para vê-la é só chegar em frente ao espelho, e dizer: "muito prazer pessoa capaz de me fazer feliz!".

Pense nisso, e vá em busca de sua real felicidade, sem ilusões e sem medo.

Autor: Texto da Equipe de Redação do site www.momento.com.br, com base em artigo de Oriovisto Guimarães, intitulado "Os verdadeiros inimigos do Brasil", publicado no jornal Gazeta do Povo, no dia 03/12/05.
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