Postagens

Pensamento


"A melhor maneira de sermos enganados é julgarmo-nos mais espertos do que os outros"
François de La Rochefoucauld

Martha Medeiros

Sem querer interromper, mas já interrompendo

Não é um defeito que mereça entrar no rol dos crimes hediondos, mas é bem chato: pessoas que falam em cima da fala da gente. Ainda nem terminamos a frase, e o nosso interlocutor já está falando junto, numa demonstração clara de que não importa o que estamos dizendo, ele próprio tem algo mais importante a dizer.

Pode parecer uma crítica, mas é, na verdade, uma autocrítica: entre essas pessoas, estou eu mesma. Minha família é ótima, alegre, desinibida, mas tem essa mania incontrolável: todos falam em cima dos outros. Não somos italianos, e sim ansiosos (nascidos e criados num país fictício chamado Ânsia). É um costume que passa de geração para geração. Mães, pais, avós, tios, primas, todos praticam essa esquizofrenia de não permitir que ninguém termine uma fala, ninguém. A conversa é de doidos, mas as festas são animadas.

Fui incorrigível, desse mesmo jeito, por muito tempo, até que comecei a perceber o quanto a situação é desagradável para quem não faz parte da nossa árvore genealógica. Levei uns puxões de orelha das amigas, o que me salvou. Hoje, se não estou 100% curada, posso dizer que já consigo me conter um pouco. Procuro não sair falando junto, em cima, atrapalhando o trânsito das palavras. Ouço o que o outro tem a dizer, mas ainda cometo o pecado de terminar a frase por ele. Basta que o coitado vacile na conclusão da sua argumentação, buscando uma palavra que não vem, e eu rapidamente encontro a palavra que ele procurava. Quase sempre acerto, o que não me redime. Por que raios não esperei ele próprio encerrar seu discurso? Nascida em Ânsia, num lugarejo chamado Impaciência.

Nós, os acelerados de berço, não fazemos por mal, mas precisamos nos dar conta de que duas pessoas falando juntas é a anticomunicação. Sabemos como é azucrinante ter que concluir nosso pensamento e, ao mesmo, tempo ouvir o que o nosso interlocutor está dizendo. Por isso, me compadeço de entrevistadores que usam o ponto eletrônico no ouvido, aquele dispositivo que permite que se receba instruções do diretor do programa. Que sufoco ouvir duas vozes ao mesmo tempo, a do entrevistado falando sobre sua obra e a do diretor avisando: “Arruma o cabelo que caiu no rosto”, “Não esquece de perguntar sobre o escândalo do ano passado”, “Corta esse chato e chama o comercial”.

Duas vozes simultâneas: adeus, diálogo. Faz alguns anos que prometi a mim mesma: não vou mais me atravessar. Vou aguardar minha vez. Esperar a amiga falar, o namorado concluir. Vou escutar. Vou respeitar. Quieta, deixa ele acabar. Ai, que aflição, não vou conseguir. Putz, não me segurei. Falei em cima, de novo.

Desculpe, desculpe. Termine o que você estava dizendo.

Martha Medeiros
marthamedeiros@terra.com.br
Publicado no Jornal de Santa Catarina n° 12443 em 17/12/2011.

Steve Jobs

"Algumas vezes, a vida vai golpeá-lo na cabeça com um tijolo. Não perca a fé.''
Steve Jobs

Eleanor Roosevelt

“Você ganha força, coragem e confiança em toda experiência em que você encara o seu medo. Você deve fazer aquilo que pensa que não pode fazer.”

Clarice Lispector

Minha alma tem o peso da luz.
Tem o peso da música.
Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita.
Tem o peso de uma lembrança.
Tem o peso de uma saudade.
Tem o peso de um olhar.
Pesa como pesa uma ausência.
E a  lágrima que não se chorou.
Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.
Frases e Pensamentos de Clarice Lispector

Buda


Persistir na raiva é como apanhar um pedaço de carvão quente com a intenção de o atirar em alguém. É sempre quem levanta a pedra que se queima.
Buda

Sétimo

José Miguel Wisnik
Sétimo

Ter ido uma vez ao sambódromo está entre os maiores acontecimentos que já presenciei. A frase provocativa de Oswald de Andrade, “Wagner submerge ante os cordões do Botafogo”, escrita no manifesto pau-brasil antes de existirem os desfiles das escolas de samba, fica cheia de verdade e de ressonâncias proféticas. Fora isso, assisto pela televisão a algumas escolas, com um interesse variável e não muito fiel. A transmissão chapa em muito a grandeza acachapante da “obra de arte total”. O caráter genérico do gênero prevalece muitas vezes sobre tudo o que ele mantém de fascinante. Mas fico torcendo, mesmo assim, para não estar de fora na hora em que acontecer algum evento sem paralelo. O que se passa quando a excelência supera a maestria consolidada e, sem abrir mão do controle técnico, desvela alguma coisa que o próprio controle técnico esconde. Foi o que senti com a Mangueira.

Acho que ninguém duvida da excepcionalidade do desfile da Mangueira, mesmo que o sétimo céu que ela atingiu tenha se traduzido, na hora da premiação, num sétimo lugar. Não estou focado prioritariamente na premiação. O gabarito avaliativo, segmentado em quesitos especializados, cobrindo pontualmente todos os aspectos de um desfile, é uma somatória que não capta certas qualidades totalizantes que extravasam das especialidades. Em outras palavras, é uma conta de mais e de menos que não dá conta, justamente, da potência de um acontecimento exponencial, no qual entram elementos variáveis, indeterminados e não segmentáveis.

Não estou discutindo com isso a justeza ou a justiça do resultado, dentro dos seus critérios, mas afirmando que há coisas que ele não é capaz de captar pela própria natureza do molde mental que o preside. Muitas coisas, aliás, no estado atual da arte, são avaliadas segundo o mesmo modelo.

A própria “paradona” da bateria Surdo Um da Mangueira, por exemplo, foi insistentemente descrita como uma proeza da ordem dos recordes, isto é, só entendida se quantificada, à maneira de um feito extracurricular da olimpíada do samba. Mas o que ela instaurava era mais ainda do que a inédita e arriscada suspensão, por toda uma volta do samba, desse sinal de sincronia que garante o movimento unificado das milhares de pessoas. Como a bateria da escola de samba é o som constante e dominante de um desfile, que está ali como se desde sempre e para sempre, com a exceção das “paradinhas” que confirmam a regra, suspendê-lo por tanto tempo é instaurar a quase surreal “presença de uma ausência”, em que a bateria fica soando ainda na sua falta.

Mas a “paradona” não faria sentido nenhum se o samba não correspondesse e não tivesse a capacidade de empolgar as arquibancadas. Porque era o canto do sambódromo inteiro que ocupava e preenchia o vazio deixado pela bateria, como se trocasse de função com ela, tornando-se o portador da pulsação subjacente, mantendo a sincronia perfeita até a volta da percussão.

A questão está longe de parar aí. A proposta do enredo, por sua vez, era a afirmação da sintonia da Estação Primeira com o Cacique de Ramos, da escola com o bloco que tem sido uma espécie de fio condutor do samba carioca, da batucada com o canto, da escola de samba com o fundo de quintal. Como é sabido, os enredos e os desfiles são todos “alegóricos”, isto é, representações de fatos históricos, personagens, temas gerais, do iogurte à realeza ou do que seja, através de figurações concretas. 

Tecnicamente, dentro de uma longa tradição, a alegoria é a representação figurada de uma “outra coisa”. As escolas em geral têm caminhado na direção de uma hipertrofia alegórica, com a correspondente espetacularização hiperbólica dos carros. A “alma da sanfona”, na abertura do desfile da Unidos da Tijuca, é um bom exemplo de virtuosismo alegórico levado ao extremo, nos confins do malabarismo, dos truques mágicos e dos efeitos de Cirque du Soleil, para dar corpo visível e concreto a um conceito inefável: o “espírito” do instrumento de Luiz Gonzaga. Paulo Barros tem sido um inovador ousado e refinado nessa verdadeira corrida desenfreada à alegoria. O enredo deste ano, ao que parece, foi mais palatável e premiável do que os seus dos anos anteriores.

Mas, voltando ao assunto: talvez a coisa mais profunda e inédita que Mangueira tenha feito este ano foi rebaixar o tom alegórico geral, saindo dessa corrida desenfreada e fazendo um desfile em que, em vez de “representar outra coisa”, isto é, o bloco Cacique de Ramos, “contando-lhe” a história etc. etc., ela tenha se transformado naquilo que representa, falando de algo sendo o mais próximo possível desse algo de que fala. Como se Mangueira “parasse”, não só a bateria, mas desse uma parada salutar nessa alegorização compulsiva de tudo quanto existe para desvelar o veio do samba que corre por baixo. E o samba, afinal, não falava de nenhuma outra coisa, senão desse lugar “de quem pôde chegar aonde a gente chegou”.

O Cacique batia o grande tambor no qual o pandeirista fazia suas evoluções malabarísticas, lembrando o histórico e mangueirense Carlinhos do trio Pandeiro de Ouro. Os orixás dançavam em círculo sob o tamarineiro. A palheta de cores era altamente sutil, não se destacando muito do chão da Sapucaí, com o qual formava um todo. Tudo isso neste momento em que os blocos renasceram e tomaram o carnaval do Rio.

Texto publicado no Jornal O Globo - Segundo Caderno em 25 de fevereiro de 2012.

Promoção

Promoção

Quando o fracasso nos desafia de perto...
Quando a tentação e a enfermidade nos visitam...
Quando a nossa esperança se dissolve no sofrimento...
Quando a provação se nos afigura invensível...
Quando somos apontados pelo dedo da injúria...
Quando os próprios amigos nos abandonam...
Quando todas as circunstâncias nos contrariam...
Quando a mágoa aparece...
Quando a incompreensão nos procura, ameaçadora...
Quando somos intimados a esquecer-nos, em benefício dos outros...
Então, é chegado para nós o teste de aproveitamento espiritual, na escola da vida, para efeito de promoção.

Albino Teixeira
(Mensagem Psicografada por Francisco Cândido Xavier)

Pensamento


Todos usamos máscaras e chega o tempo quando não conseguimos tirá-las sem remover nossa pele junto.


Andre Berthiaume

Pensamento


 “Não existe testemunha tão terrível, nem acusador tão terrível como a consciência que habita no coração de cada homem.”


Políbio

O que acontece no meio

O que acontece no meio


Vida é o que existe entre o nascimento e a morte. O que acontece no meio é o que importa.

No meio, a gente descobre que sexo sem amor também vale a pena, mas é ginástica, não tem transcendência nenhuma. Que tudo o que faz você voltar pra casa de mãos abanando (sem uma emoção, um conhecimento, uma surpresa, uma paz, uma ideia) foi perda de tempo. Que a primeira metade da vida é muito boa, mas da metade pro fim pode ser ainda melhor, se a gente aprendeu alguma coisa com os tropeços lá do início. Que o pensamento é uma aventura sem igual. Que é preciso abrir a nossa caixa preta de vez em quando, apesar do medo do que vamos encontrar lá dentro. Que maduro é aquele que mata no peito as vertigens e os espantos.

No meio, a gente descobre que sofremos mais com as coisas que imaginamos que estejam acontecendo do que com as que acontecem de fato. Que amar é lapidação, e não destruição. Que certos riscos compensam – o difícil é saber previamente quais. Que subir na vida é algo para se fazer sem pressa. Que é preciso dar uma colher de chá para o acaso. Que tudo que é muito rápido pode ser bem frustrante. Que Veneza, Mykonos, Bali e Patagônia são lugares excitantes, mas que incrível mesmo é se sentir feliz dentro da própria casa. Que a vontade é quase sempre mais forte que a razão. Quase? Ora, é sempre mais forte.

No meio, a gente descobre que reconhecer um problema é o primeiro passo para resolvê-lo. Que é muito narcisista ficar se consumindo consigo próprio. Que todas as escolhas geram dúvida, todas. Que depois de lutar pelo direito de ser diferente, chega a bendita hora de se permitir a indiferença. Que adultos se divertem mais do que os adolescentes. Que uma perda, qualquer perda, é um aperitivo da morte – mas não é a morte, que essa só acontece no fim, e ainda estamos falando do meio.

No meio, a gente descobre que precisa guardar a senha não apenas do banco e da caixa postal, mas a senha que nos revela a nós mesmos. Que passar pela vida à toa é um desperdício imperdoável. Que as mesmas coisas que nos exibem também nos escondem (escrever, por exemplo). Que tocar na dor do outro exige delicadeza. Que ser feliz pode ser uma decisão, não apenas uma contingência. Que não é preciso se estressar tanto em busca do orgasmo, há outras coisas que também levam ao clímax: um poema, um gol, um show, um beijo.

No meio, a gente descobre que fazer a coisa certa é sempre um ato revolucionário. Que é mais produtivo agir do que reagir. Que a vida não oferece opção: ou você segue, ou você segue. Que a pior maneira de avaliar a si mesmo é se comparando com os demais. Que a verdadeira paz é aquela que nasce da verdade. E que harmonizar o que pensamos, sentimos e fazemos é um desafio que leva uma vida toda, esse meio todo.

Martha Medeiros
Jornal de Santa Catarina, 10/12/2011 N° 12436

Martin Luther King

Talvez não tenhamos conseguido fazer o melhor, mas lutamos para que o melhor fosse feito. Não somos o que deveríamos ser, não somos o que iremos ser.. mas Graças a Deus, não somos o que éramos.

Martin Luther King

Pensamento

"Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única."

Albert Schweitzer

Pensamento

“Muito do que há de melhor em nós está ligado no nosso amor de família, que continua a ser a medida da nossa estabilidade, porque mede nosso senso de lealdade”.


Long Haniel
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...