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Uma mulher

Uma mulher
Bruna Lombardi

Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la
nua no quarto pouco se sabe dela
a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca
uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: os sonhos, as axilas,
a vagina ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora
o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a ver a aurora.

Martha Medeiros

Energia parada
Martha Medeiros
Zero Hora.com 26/12/07, nº 15460

Um novo ano está começando. Por mais cético que você seja, por mais que você não acredite que a passagem do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro provocará alguma alteração cósmica, por mais que você considere toda essa contagem regressiva uma chatice, não dá para negar que é uma época propícia para fazer um descarrego. Não estou sugerindo que você visite um terreiro para tomar passes de um preto-velho. Estou falando de um descarrego mais urbano, rápido e eficiente: abra seus armários e doe pelo menos metade do que encontrar.

Você tem roupas que usou uma ou duas vezes e que estão guardadas há anos. É bem provável que tenha que comprar algumas peças novas para encarar as festas que o verão vai trazer. Ou seja, irá acumular mais e mais roupa. Chega. Desça do cabide tudo o que não usa e faça um bazar beneficente. Venda tudo baratinho e doe a renda para uma instituição de caridade, um asilo, um orfanato, uma associação - gente necessitada é o que não falta. Inunde a cidade de reuniões ao estilo garage sale. Liquide com os excessos. Convoque os amigos, selecionem tudo o que está sobrando em casa (não vale maridos e esposas) e organize um final de semana festivo a outro modo: incentivando um consumismo de purificação. Ou seja, alivie-se das suas tralhas.

Uma amiga, outro dia, usou um termo bacana pra isso. Ela disse que tudo o que guardamos e não usamos é energia parada. Certíssima. É necessário que a gente se desfaça desse imobilismo, que a gente movimente o estoque, que abra espaço para o novo, que propicie que outras pessoas dêem utilidade para o que não nos serve mais. É preciso fazer a vida circular, passando adiante o que está inerte. Esse exercício de desapego também ajuda a limpar nossa aura.

E não precisa ser um desapego só de roupas. Pode ser uma doação de livros. De medicamentos com prazos ainda válidos. De revistas antigas. Louça que você não usa mais só porque está lascada. Móveis que estão abandonados num depósito à espera de um interessado. O que mais dá em árvore no Brasil: interessados.

Aproveite e limpe também sua caixa de e-mails, renove sua agenda de telefones, peça desculpas para as pessoas com quem brigou neste ano (mágoas e rancores também são energia parada) e escancare as janelas: hora de arejar a vida.

É um outro tipo de expectoração. De esfoliação. De despacho. Sério, desfazer-se do que não precisamos ajuda até mesmo a organizar o nosso pensamento, deixa a cabeça mais leve, as idéias mais claras. E essa movimentação toda ainda vai fazer você perder alguns gramas. Finalmente, uma anorexia do bem, uma compulsão generosa.

Resolução de fim de ano: botar a casa abaixo, libertar-se do acúmulo de tranqueiras e sair deste 2007 carregando menos peso.

Ilustração: Quadro de Salvador Dali: Hour of the Monarchy, 1969

A prisão do apego

A prisão do apego
:: Elisabeth Cavalcante ::

O apego a coisas, pessoas e situações é um dos mais fortes obstáculos ao nosso processo de individuação. Conectar-se com nosso verdadeiro ser e direcionar nossa vida por sua sabedoria, implica, necessariamente, em que nos libertemos de toda forma de apego.
O apego é uma armadilha da mente e do ego que nos faz acreditar que sem a pessoa, o objeto ou a situação à qual nos apegamos, jamais poderemos ser felizes.
Nas relações afetivas é onde a dependência e o apego mais nos enredam. Acreditamos, de forma ilusória, que nossa felicidade depende daquela pessoa, e que ao ausentar-se de nossa vida, ela leva consigo toda e qualquer possibilidade que temos de sermos felizes.
Necessitar de alguém como do ar que é essencial à nossa sobrevivência, é uma doença emocional, da qual só podemos nos curar se tivermos consciência do problema e agirmos no sentido de alcançar a libertação.
Enquanto não nos convencermos de que ninguém, a não ser nós mesmos, pode garantir nossa serenidade e nosso equilíbrio interior, continuaremos presas fáceis das armadilhas do apego.
Visto que é impossível controlarmos a mente do outro, seus desejos e necessidades, colocar nossa chance de felicidade na dependência de suas atitudes é o caminho mais fácil para o sofrimento.
Libertar-se exige o desenvolvimento de nossa auto-estima e uma profunda confiança de que sempre será possível renascermos para uma nova vida, desde que estejamos abertos para isto com o entusiasmo e a alegria de uma criança.

Amor e a capacidade de estar só
Você deveria ser capaz de estar só, completamente só e, ainda assim, tremendamente feliz. Então, você pode amar. Então, seu amor não é mais uma necessidade, mas um compartilhar, não mais é uma carência. Você não se tornará dependente das pessoas que você ama. Você compartilhará - e compartilhar é bonito.Mas o que comumente acontece no mundo é: você não tem amor, a pessoa que você pensa que ama não tem nenhum amor em seu ser também, e ambas clamam pelo amor do outro. Dois mendigos mendigando entre si. Como resultado, as brigas, o conflito, a contínua rixa entre os amantes - a respeito de coisas triviais, coisas imateriais, coisas estúpidas! Mas continua-se brigando.
O conflito básico surge porque o marido acha que não está recebendo o que tem direito de receber, a mulher acha que não está recebendo o que tem direito de receber. A mulher acha que foi enganada e o marido também acha que foi enganado. Onde está o amor? Ninguém está preocupado em dar, todo mundo quer receber. E quando todo mundo está atrás de receber, ninguém recebe. E todo mundo se sente perturbado, vazio, tenso.
A fundação básica está faltando, e você começa a construir o templo sem a fundação. Ele irá cair, desabar a qualquer momento. E você sabe quantas vezes seu amor ruiu. E, ainda assim, você prossegue fazendo a mesma coisa repetidamente. Você vive em tal grau de inconsciência! Você não vê o que você tem feito à sua vida e à vida das outras pessoas. Você continua, como um robô, repetindo o velho padrão, sabendo perfeitamente bem que você já fez isso antes. E você sabe qual tem sido, sempre, o resultado. E lá no fundo você também está ciente de que vai acontecer o mesmo novamente - porque não há nenhuma diferença. Você está se preparando para a mesma conclusão, o mesmo colapso.
Se há algo que você deve aprender do fracasso do amor, é: torne-se mais consciente, mais meditativo. E por meditação eu quero dizer a capacidade de estar alegre sozinho. Muito raras pessoas são capazes de estarem felizes sem absolutamente nenhuma razão - simplesmente sentar-se em silêncio e completa felicidade! Os outros acharão essas pessoas loucas, porque a idéia de felicidade é que ela tem que vir de alguém. Você encontra uma linda mulher e você fica feliz, ou você encontra um homem belo e você fica feliz. Sentar-se em silêncio em seu quarto e feliz?! Feliz desse jeito!? Você deve estar louco! As pessoas vão suspeitar que você está usando alguma droga, que você está chapado.
Sim, a meditação é o LSD definitivo. Ela está liberando seus poderes psicodélicos. Está liberando seu próprio esplendor aprisionado. E você se torna tão alegre, surge uma tal celebração em seu ser, que você não necessita de nenhum relacionamento. Você pode se relacionar com as pessoas... E esta é a diferença entre relacionar-se e relacionamento: relacionamento é uma coisa: você se apega a ele; relacionar-se é um fluxo, um movimento, um processo. Você encontra uma pessoa e você ama, porque você tem muito amor disponível”.
Osho, do livro The Dhammapada.

Elisabeth Cavalcante é Taróloga, Astróloga, Consultora de I Ching e Terapeuta Floral.
Atende em São Paulo e para agendar uma consulta, envie um email.
Conheça o I-Ching
Email: elisabeth.cavalcante@gmail.com

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Martha Medeiros

Ser feliz não é pecadoMartha Medeiros
Zero Hora.com 16/12/07, n° 15450

Felicidade é ter noção da precariedade da vida, é estar consciente de que nada é fácil, é não se exigir de forma desumana e, apesar (ou por causa) disso tudo, conseguir ter um prazer quase indecente em estar vivo.



A felicidade é desprezada por muita gente. A pessoa feliz sofre o preconceito de parecer uma pessoa vazia, sem conteúdo. No entanto, algo ela tem, senão não incomodaria tanto. Será que é porque ela nos confronta com nossa própria miséria existencial? É irritante ver alguém naturalmente linda, rica, simpática, inteligente, culta, talentosa, apaixonada e, ainda por cima, magra! Essa ninfa nunca ouviu falar em insônia, depressão, dívidas, mousse de chocolate?

Os felizes ainda estão associados ao padrão "comercial de margarina", portanto, costumam ser idealizados - e desacreditados. É como se fossem marcianos, só que não são verdes. Por isso, damos mais crédito aos angustiados, aos irônicos, aos pessimistas. Por não aparentarem possuir vínculo com essa tal felicidade, dão a entender que têm uma vida muito mais profunda. Você é feliz? Não espalhe, já que tanta gente se sente agredida com isso. Mas também não se culpe, porque felicidade é coisa bem diferente do que ser linda, rica, simpática e aquela coisa toda. Felicidade, se eu não estiver muito enganada, é ter noção da precariedade da vida, é estar consciente de que nada é fácil, é tirar algum proveito do sofrimento, é não se exigir de forma desumana e, apesar (ou por causa) disso tudo, conseguir ter um prazer quase indecente em estar vivo.

O psicanalista Contardo Calligaris certa vez disse uma frase que sublinhei: "Ser feliz não é tão importante, mais vale ter uma vida interessante". Creio que ele estava rejeitando justamente esta busca pelo kit felicidade, composto de meia dúzia de realizações convencionais. Ter uma vida interessante é outra coisa: é cair e levantar, se movimentar, relacionar-se com as pessoas, não ter medo de mudanças, encarar o erro como um caminho para encontrar novas soluções, ter a cara-de-pau de se testar em outros papéis - e humildade para abandoná-los se não der certo. Uma vida interessante é outro tipo de vida feliz: a que passou ao largo dos contos-de-fada. É o que faz você ter uma biografia com mais de 10 páginas.

Se você acredita que ser feliz compromete seu currículo de intelectual engajado, troque por outro termo, mas não cuspa neste prato. Embriague-se de satisfação íntima e justifique-se dizendo que é um louco, apenas isso. Como você sabe, os loucos sempre encontram as portas do céu abertas.

Rita Lee, que já passou por poucas e boas, mas nunca se queixou de não ter uma vida interessante, anos atrás musicou com Arnaldo Batista estes versos: "Se eles são bonitos, sou Alain Delon/ se eles são famosos/ sou Napoleão/se eles têm três carros/ eu posso voar". Também faço da Balada do Louco meu hino, que assim encerra: "Mais louco é quem me diz que não é feliz".

Eu sou feliz.

A vitória

A Vitória

Quer vencer os desafios? -Confie em Deus.

Quer ser bom no que faz? -Pratique!

Quer alcançar o objetivo? -Jamais desista!

Quer crescer? -Tenha raízes.

Quer ver resultados? -Persevere.

Quer ser feliz? -Esqueça o passado.

Quer falar bem? -Escute melhor.

Quer aprender? -Persista em ler.

Quer realização pessoal? -Sirva!

Quer fazer diferença? -Pague o preço.

Aqueles que nada fazem e esperam algum tipo de vitória estão enganados.

A vitória é dos que lutam, dos que agem, dos que "saem do porto".

A vitória é dos que se arriscam para alcançar o alto da montanha.

Edilson Ramos

Diga-me quem és... E te direi com quem andas

Diga-me quem és... E te direi com quem andas
por Nelson Sganzerla - nelson.sganzerla@terra.com.br

Quero aqui fazer uma ressalva: essa frase-título não é minha, mas de um comunicador de rádio - Hélio Ribeiro - em seu livro de crônicas "O Poder da Mensagem", escrito acho que na década de 80.

Notaram como vem a calhar tal indagação? Na verdade, quem somos realmente? Como trilharemos a nossa vida aqui, no grande planeta Terra? Com o que contribuiremos para a nossa evolução ou para a evolução do próximo?

Se pararmos seriamente para pensar, são tantas as coisas que deixamos de fazer que merecemos voltar novamente nessa grande nave-mãe em sua próxima viagem ao planeta.Não vamos nos iludir: esse mundo um dia irá acabar para nós que já nos acostumamos com todo tipo de vida que se apresenta, mas irá começar para outros seres que virão e que já estão vindo. Abro aqui um parêntese para a minha afilhada - Fernanda - que acabou de chegar, com sua consciência, seu caráter já alinhavado; como ela, pessoas que chegaram depois de nós irão ver coisas que não veremos, com certeza acharão ridículos muitos costumes e valores nossos, mas vão construir, como eu, como nós, as suas histórias de vida.
Na verdade, temos que saber quem somos, e de que maneira somos, para construirmos com sabedoria e muito amor a nossa história de vida, pois será essa história que dirá quem fomos e os amigos que fizemos ao longo da nossa jornada nesse planeta.
Não consigo imaginar alguém que não procure descobrir-se, que possua uma linda história de vida. Para isso temos que ter a nossa identidade e, junto dessa identidade, temos que exercer a nossa personalidade, seja ela qual for. Portanto, não podemos de maneira nenhuma sermos mornos - “aos mornos eu vomitarei”; já escrevi um artigo a esse respeito.
Se tivermos uma postura negativa em relação à vida, pessoas negativas sempre estarão ao nosso redor. Se o nosso caminho for o de obter vantagens ilicitamente iremos ter como amigos exatamente o espelho do que somos. Não dá para fugir disso, não adianta reclamarmos; em geral atraímos pessoas que são o nosso espelho, tanto para o BEM quanto para o MAL.
Entre o mal e o bem, acho que todos, com algumas exceções, irão preferir o bem. Digo isso porque sei que muitos preferem o caminho do mal. Notem, não quero aqui ser maniqueísta, mas por isso Deus nos concedeu o livre arbítrio e o que é mal para uns, pode não ser para outros e vice-versa.
Nós, através desse livre arbítrio, construímos os nossos caminhos e a nossa história de vida: um diamante bruto que teremos que lapidar, precisaremos trabalhar para melhorar sempre e obtermos o merecido valor. Isso consiste em um árduo trabalho de lapidação, um árduo trabalho de entrega, de aceitação, de batalhas internas, descobrimentos, mágoas, traições, indiferenças, invejas e ressentimentos.
Sim, a vida é temperada por todo tipo de sentimentos. Eu diria que 90% constitui-se de transpiração e 10% de inspiração. Todos nós teremos que experimentar e vivenciar sentimentos ora agradáveis e, na grande maioria das vezes, desagradáveis. Mas é dessa maneira que temperamos nossa existência, é dessa maneira que nos tornamos alquimistas e transformamos o chumbo em ouro.
Nossa existência é permeada pelo nosso caráter, pela maneira de conduzirmos a vida tanto nos bons quanto nos maus momentos. A maneira como tratamos o nosso semelhante é de fundamental importância: o bom pensamento, o espírito humanitário, a vontade de fazer o bem e nesse quesito não importa raça, condição social ou nível cultural, somos todos iguais perante DEUS.
São exatamente tais quesitos que irão nos identificar e também identificar as pessoas que andam conosco nessa incrível jornada que se chama VIDA.
Pense nisso.
Muita Paz.

Site: http://somostodosum.ig.com.br/clube/artigos.asp?id=10782&onde=2

Repensando a vida

Repensando a Vida
Neide Salles

Repensar a vida consiste em rever valores.
Receber o inevitável serenamente,
Depositar ao leito do regato antigos pudores,
Aceitar o que a vida nos reserva inteiramente.
É existir sem temor de ser feliz.
É padecer e abrigar a angústia da alma
Tendo ciência que somos meros aprendizes.
Intentar não perecer, mantendo a calma.
Rebuscando meu baú encontrei registros
Induziram-me a repensar quantos atos impensados.
De que adiantou tanta vigilância? Tudo era sinistro.
Não tive muitas opções, aceitei meus fardos.
O temor... a dor foi inevitável.
Girei entre a loucura e a sanidade,
Gritei por paz, por amor inesgotável.
Repensando a vida... grito por serenidade.
Imagem: Quadro de Salvador Dali - Solitude, 1931

O moço velho

O moço velho (1973)
Roberto Carlos
Composição de Silvio César

Eu sou um livro aberto sem histórias
Um sonho incerto sem memórias
Do meu passado que ficou

Eu sou um porto amigo sem navios
Um mar, abrigo a muitos rios
Eu sou apenas o que sou

Eu sou um moço velho
Que já viveu muito
Que já sofreu tudo
E já morreu cedo

Eu sou um velho moço
Que não viveu cedo
Que não sofreu muito
Mas não morreu tudo

Eu sou alguém livre
Não sou escravo e nunca fui senhor
Eu simplesmente sou um homem
Que ainda crê no amor

Eu sou um moço velho
Que já viveu muito
Que já sofreu tudo
E já morreu cedo

Eu sou um velho, um velho moço
Que não viveu cedo
Que não sofreu muito
Mas não morreu tudo

Eu sou alguém livre
Não sou escravo e nunca fui senhor
Eu simplesmente sou um homem
Que ainda crê no amor

Copyright © 1973 Irmãos Vitale

Álbum: A Cigana, 1973

Assim a vida nos afeiçoa

Assim a vida nos afeiçoa
Manuel Bandeira

Se fosse dor tudo na vida,
Seria a morte o sumo bem.
Libertadora apetecida,
A alma dir-lhe-ia, ansiosa: - Vem!
...
E a vida vai tecendo laços,
Quase impossíveis de romper:
Tudo que amamos são pedaços
vivos de nosso próprio ser

A vida assim nos afeiçoa,
Prende. Antes fosse toda fel!
Que ao mostrar às vezes boa,
Ela requinta em ser cruel...

Martha Medeiros

"Pedaços de mim"
Martha Medeiros

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante

Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.

Um Natal para reflexão

Um Natal para reflexão
Texto publicado na Revista Veja - Ponto de vista: Lya Luft.
Edição 1988. 27 de dezembro de 2006.

"No reduto de nossa casa, dos abraços sinceros, das memórias comovidas, dos bons projetos e do derradeiro otimismo, este é um Natal para repensar muita coisa”.

Há dois Natais em cada um de nós: o que sonha e o que sofre, o que concilia e o que corrói, o que se aflige e o que celebra, o que descrê e o que espera, o que cobre a cabeça para não ver e o que fala alto, claro e com fervor. Por acaso – eu, que pouco acredito em acasos – esta coluna vai sair na véspera da véspera de Natal: tema espinhoso, pois há os que cultuam, os que detestam, os que ignoram, os que ficam melancólicos, e todos precisam ser respeitados, todos no mesmo barco da alegria ou do susto, e da geral perplexidade sobre o que fazer, como fazer, quando começar a fazer. Fazer o quê? Refletir, mudar, gritar, amar, comprar ou vender, esperar, talvez morrer. Escrever, no meu caso. Sobre mim, sobre o mundo, sobre este estranho país de contrastes, de desencontros e desencantos, de rala e rara esperança.

Não aprecio a torre de marfim da estética e da emoção, em que se pretende que a realidade não nos diga respeito: diz respeito, sim, pois acredito que cada cidadão é senhor, é mestre em assuntos de seu país. Tem o doutorado da dura experiência, das contas a pagar, do emprego a conseguir, dos líderes cínicos e decepcionantes, dos filhos a criar, da saúde a desejar, da esperança a manter, apesar de tudo. No território da realidade concreta, aparentemente nossa resignação precisa começar a criar seus limites: bom presente de Natal para cada pessoa que pensa. Bradar em vez de sussurrar; olhar de frente em lugar de se esconder.

Andamos demais acomodados, todo mundo reclamando em voz baixa como se fosse errado indignar-se. Sem ufanismo, que dele estou cansada, sem dizer que este é um país rico, de gente boa e cordata, com natureza (a que sobrou) belíssima e generosa – sem fantasiar nem botar óculos cor-de-rosa que o momento não permite, eu me pergunto o que anda acontecendo com a gente. Tenho medo disso que nos tornamos ou em que estamos nos transformando, achando bonita a ignorância eloqüente, engraçado o cinismo bem-vestido, interessante o banditismo arrojado, normal o abismo em cuja beira nos equilibramos – não malabaristas, mas palhaços.

Saúde, educação, cultura, estradas, ferrovias, aviação estão numa decadência nunca vista, sem falar na honradez de nossos homens públicos. Líderes mentem e se desmentem, acobertam-se, insultam-se, à vista de todos se comprometem com a corrupção e os mais variados escândalos! Tudo normal, como o império macabro da violência que nos faz correr nas ruas feito ratos amedrontados, fechados em casa à noite devido à guerra civil, felizes se nenhuma das pessoas que amamos foi assaltada e morta naquele dia.

Dormimos no chão dos aeroportos, contentes quando nosso avião afinal chega salvo ao seu destino, enquanto se fazem mais cortes nesse setor e em muitos outros, para poder pagar o fantástico salário de deputados e senadores: as coisas por aqui são assim mesmo, por que se incomodar?

Tudo isso, e muito mais, acontecer com tamanha naturalidade é péssimo sinal. Mas como nem tudo são horrores, também existem os amigos que não nos decepcionam, os amores que nos fundamentam, os batalhadores e os idealistas, os conciliadores que nos fazem acreditar em harmonia mais do que em desagregação e rancor, no futuro mais do que no duvidoso presente. Houve no público e no pessoal realizações e até decência, e é bom lembrar disso para que a gente recupere a vergonha, abra braços mais generosos, endireite a espinha da dignidade e adoce a voz de todos os amores.

Para os que acreditam e os que apenas gostariam de acreditar em alguma religião, em algumas pessoas, em alguma nobreza, em alguma esperança, em si mesmos ou em sua família, este é um momento de parar, pensar, escutar e enxergar dentro e além dos limites pessoais e dos fatos com os quais corremos o perigo de nos resignar. No reduto de nossa casa, dos abraços sinceros, das memórias comovidas, dos bons projetos e do derradeiro otimismo, este é um Natal para repensar muita coisa, e prestar mais atenção no que está havendo dentro e fora de nós: indagando, de verdade, em que pessoas estamos nos tornando, que futuro estamos preparando, que país, que ordem, que progresso, que bem-estar, que segurança, que esperanças criamos neste quase fim de 2006.
Ilustração Atômica Studio

Sonhos e Milagres

Sonhos e Milagres
Floriano Serra

Acredite: tudo é possível para quem pratica o milagre de ainda sonhar.

Para que você me entenda, eu só preciso que você acredite que sonhar é bom e que milagres existem.

Eu só preciso que você acredite que, porque estamos nos aproximando do Natal, coisas maravilhosas acontecem quando e de quem a gente menos espera. Tudo o que você tem a fazer é acreditar que sonhar é bom e que milagres existem – principalmente em dezembro, que é o mês do Natal.

Acredite que durante todo o mês de dezembro, ao chegar no trabalho, você vai ser recebido pelos colegas com os braços abertos e um largo e sincero sorriso estampado no rosto de cada um deles.

Acredite que até os colegas mau-humorados vão descobrir o prazer da gargalhada e, a partir de dezembro, vão tentar recuperar o tempo perdido de cara feia.

Acredite que, em dezembro, seu chefe vai lhe dar um feedback bastante sincero e altamente motivador a respeito do seu desempenho, com muitas palavras de estímulo e nenhuma de crítica ou de ironia.

Acredite que, nas organizações, em dezembro, o preconceito será coisa do passado e ninguém deixará de ser aceito numa empresa por causa da idade, da cor, do sexo ou da aparência.

Também acredite que, em dezembro, a você será permitido administrar seu tempo de forma a que você equilibre trabalho com vida pessoal e, assim, possa desfrutar mais da família e dos amigos, sem prejuízo da sua produtividade.

Em dezembro, sua auto-estima no trabalho será intocável em qualquer empresa em que você esteja. E, assim, você será tratado com o merecido respeito, justiça e afetividade. Justamente por isso, no mês de dezembro, lágrimas no trabalho só acontecerão se nascidas de boas emoções. Acredite nisso.

Neste mês de dezembro, todos os profissionais de todas as empresas e de todos os níveis hierárquicos dar-se-ão as mãos e, de uma vez por todas, provarão ao mercado que é possível um trabalho de equipe movido pela alegria e pela fraternidade – que alguns chamarão de motivação.

Talvez o maior milagre dentre todos os maravilhosos milagres que acontecerão no mês de dezembro, será a descoberta que as pessoas e empresas farão quanto ao verdadeiro sentido da vida e do trabalho. Descobrirão, em dezembro, que vida e trabalho têm uma razão muito maior de ser, um transcendente propósito de vida, muito mais significativo que o simples mecanismo de produzir e vender bens e serviços.

E se você estiver desempregado em dezembro, não se desespere. O desespero nunca ofereceu melhores soluções que a perseverança e a fé. As coisas acontecem na hora certa para cada pessoa, ainda que às vezes pareçam estar demorando demais para acontecer. Acredite firmemente que em algum lugar há uma nova missão à sua espera e que em breve você será chamado.

Enfim, se você acredita mesmo que sonhar é bom e que milagres existem, faça a sua parte para que esses sonhos se realizem e para que esses milagres aconteçam.

Não importa o que, onde e quanto você poderá fazer, mas certamente, em dezembro, algo você poderá fazer, à sua maneira e dentro das suas possibilidades.

Juntos, poderemos provar que sonhos e milagres podem acontecer nas empresas todos os dias do ano – e não só em dezembro, porque é Natal. Basta que cada um de nós transforme em Natal todos os dias do ano, em todos os meses, ainda que o calendário insista em nos dizer que é Páscoa, São João ou Carnaval.

Acredite: tudo é possível para quem pratica o milagre de ainda sonhar.

Floriano Serra é psicólogo, diretor de RH e Qualidade de Vida da APSEN Farmacêutica, autor do livro “A Terceira Inteligência” (Butterfly Editora).
E-mail:
florianoserra@terra.com.br

Idade Rabugenta e Juventude

Idade Rabugenta e Juventude
William Shakespeare

Idade rabugenta e juventude não podem viver juntas:
Juventude é cheia de prazer, idade é cheia de cuidados;

Juventude gosta das manhãs de verão, envelheça como tempo de inverno,
Juventude gosta de verão valente, a idade gosta de invernos desguarnecidos:

Juventude está cheia de esportes, a respiração da idade é pequena;
Juventude é ágil, idade é manca:

Juventude é impetuosa e audaz, idade é fraca e fria,
Juventude é selvagem, e idade é dócil.

Idade, eu te detesto, juventude, eu te adoro;
O! meu amor, meu amor é jovem: idade, eu te desafio:

O! doce pastor, apresse-te,
Pois creio que permanecestes tempo demais.

As Chuvas dos Olhos

"Tens o direito de chorar, mas mesmo entre lágrimas não tens o direito de renunciar à alegria."

Michel Quoist


As Chuvas dos Olhos
Chove.
Na fonte das águas, chove.
Na fronte das lágrimas do pretérito calado.
Lavando a chuva dos olhos cansados.
Chovendo nos mares, nos mares amados.”
Há quanto tempo você não chora?
Há quanto tempo seus olhos não são inundados por lágrimas, por estas pequenas gotas que parecem nascer em nosso coração? Há quanto tempo?
Assim como o fenômeno natural da precipitação atmosférica, a chuva, realiza o trabalho de purificar a terra, a água e o ar, também nossas lágrimas têm tal função.
A de limpar nosso íntimo, a de externar nossas emoções, sejam elas de alegria ou de pesar.
Precisamos aprender a expressar nossos sentimentos.
Nossa cultura possui conceitos arraigados, como o de que “homem não chora”, ou que “é feio chorar”, que surgem em nossas vidas desde quando crianças, na educação familiar, e acabam por internalizarem-se em nossa alma, continuando a apresentar manifestações na vida adulta.
Sejamos homens ou mulheres na Terra, saibamos que todos rumamos para a busca da sensibilidade, do autodescobrimento, e da expressão de nossos sentimentos.
Tudo que deixarmos guardado virá à tona, cedo ou tarde.
Se forem bons os sentimentos contidos, estaremos perdendo uma oportunidade valiosa de trazê-los ao mundo, melhorando nossas relações com o próximo e conosco mesmo.
Se forem sentimentos desequilibrados, estaremos perdendo a chance de encará-los, de analisá-los, e de tomar providências para que possam ser erradicados de nosso interior.
As barreiras que nos impedem de nos emocionar, de chorar, são muitas vezes as mesmas que nos fazem pessoas fechadas e retraídas.
Barreiras que carecemos romper, para que nossos dias possam ser mais leves, mais limpos, como a atmosfera que recebe a água da chuva, e nela encontra sua purificação.
As chuvas dos olhos fazem um bem muito grande.
Desabafar, colocar para fora o que angustia nosso íntimo, ou o que lhe dá alegria, é um exercício precioso. Um hábito salutar.
Dizer a alguém o quanto o amamos, quando este sentimento surgir em nosso coração – mesmo sem um motivo especial -, será sempre uma forma de fortalecimento de laços.
De construção de uma união mais feliz, e principalmente, um recurso para elevarmos nossa auto-estima, nosso auto-amor.

* * *

Deus nos concedeu a chuva para regar os campos, para tornar mais puro o ar.
Também nos presenteou com as lágrimas, para que as nossas paisagens íntimas pudessem ser regadas, e para que os ares do Espírito encontrassem a pureza.

Autor: Redação do Momento Espírita.
http://www.reflexao.com.br/mensagem_ler.php?idmensagem=539

Um Natal Diferente

Um Natal diferente
Sílvia Schmidt

Eu te desejo um Natal diferente.

Que os abraços apertados não sejam questão de
data, mas de sinceridade e de transparente amor.

Que os presentes dados e recebidos não contenham obrigação,
mas leveza de coração.

Que as bênçãos da meia-noite não dependam de 1 minuto,
mas que venham para a vida toda.

Que a ceia não seja só de alimentos com bom tempero,
mas que tenha muitas pitadas de bons pensamentos.

Que a família, por maior ou menor que seja,
não apenas celebre a data com os melhores vinhos,
mas que celebre também os sagrados laços de sangue.

Que a árvore não esteja predestinada a ser lançada ao lixo
após as Festas, mas que seja tão bem conservada quanto as
mais verdes esperanças.

Que o presépio não só represente o nascimento de Jesus,
mas também o renascimento da criança amorosa e inocente
que ainda vive em ti.

Eu te desejo um Natal diferente, e esse desejo vai a ti como
um presente.

FELIZ NATAL!
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