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Pensamento


 


Não tomes como amigo, um homem de quem não saibas primeiro como conservou a amizade com outros; porque deves esperar que procederá contigo, tal como procedeu com os demais.


Sócrates

Cristo Redentor: Um abraço de 80 anos

O Cristo Redentor completa 80 anos com muita festa, shows e várias comemorações na Cidade do Rio de Janeiro, foi eleito recentemente uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno.
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Steve Jobs


 "Meu trabalho não é ser fácil com as pessoas. Meu trabalho é torná-las melhores."
Steve Jobs

Pensamento




O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano. 

Isaac Newton

A pior vontade de viver

A pior vontade de viver

Todos são tão comprensívos, aceitam tão bem as suas escolhas, torce por tudo o que você faz, não é mesmo?  Desde que você faça o que está no script. Que siga o que foi determinado no roteiro, aquele que foi escrito sabe-se lá por quem e homologado no instante em que você nasceu. Mas e quem não quiser seguir esse script? Em dezembro próximo, serão completados 30 anos da morte da escritora Clarice Lispector, que entendia de subversões emocionais.

Fui convidada a participar de um evento que a homenageia, em Porto Alegre, e em função disso andei relendo algumas de suas obras, e encontrei no conto “Amor”, do livro “Laços de família”, uma de minhas frases prediletas. Assim ela descreve o sentimento da personagem Ana: “Seu coração enchera-se com a pior vontade de viver.” Ela é complexa, angustiante, subjetiva e intensa. Ela, “a pior vontade de viver”. A que não está disposta a negociar com a vontade dos outros.

No entanto, esta que foi chamada de a “pior” vontade pode ser também uma vontade genuína e inocente. É a vontade da criança que ainda levamos dentro, entranhada.

É o desejo de açúcar, de traquinagem, de fazer algo escondido, de quebrar algumas regras, de imitar os adultos. A “pior” vontade é curiosa, quer observar pelo buraco da fechadura e depois, mais ousadamente, abrir a porta e entrar no quarto proibido. A “pior” vontade é a de não se enraizar, não assinar contrato de exclusividade, não firmar compromisso, não se render às vontades fixas, apenas às vontades momentâneas, porque as fixas correm o risco de deixar de serem vontade para se transformarem em vaidade – como se sabe, há sempre aqueles que se envaidecem da própria persistência.

A “pior” vontade não quer ganhar medalha de honra ao mérito, não quer posar para fotografias, não quer completar bodas de ouro nem ser jubilada. A “pior” vontade não faz a menor questão de ser percebida, ela quer ser realizada. É quando você sabe que não deveria, mas vai. Sabe que não será fácil, mas enfrenta.

Sabe que tomarão como agressão, mas arrisca. Aqui, cabe lembrar: apenas se sentem agredidos aqueles que te invejam.

A vontade oficial, a vontade santinha, a que não causa incômodo, é a outra, a aprovada pela sociedade, a que não leva em conta o que vai no seu íntimo, e sim a opinião pública. É a vontade que todos nós, de certa forma, temos de mostrar para os outros que somos felizes, sem saber que para conseguir isso é preciso, antes, ter a”pior” vontade, aquela que faz você descobrir que ser feliz é ter consciência do efêmero, é saber-se capaz de agarrar o instante, é lidar bem com o que não é definitivo – ou seja, tudo.

É com esta “pior” vontade de viver que você atrai os outros, que seu magnetismo cresce, que seu rosto rejuvenesce e que você fica mais interessante. É uma pena que nem todos tenham a sorte de deixar vir à tona esta que Clarice Lispector chamou de “a pior vontade de viver”, e que, secretamente, é a melhor.

Martha Medeiros
Revista O Globo, 26/08/07

Rock in Rio 1985

Rock in Rio 1985 
Martha Medeiros

Em janeiro de 85 eu tinha um namorado que não era chegado a rock, preferia jazz, mas topou fazer uma viagem de carro para assistir ao Rock in Rio. Seria nossa primeira aventura on the road. Mas onde dormir? Ele sugeriu alugarmos um trailer. E assim foi. Botamos o Maverick vermelho na estrada puxando um trailer caindo aos pedaços. Chinelagem total, mas foi uma das passagens mais originais da minha história. Credo, eu já tenho uma história.

Saímos de Porto Alegre, passamos uns dias em Bombinhas, Maresias e Paraty, até que chegamos ao Rio, onde estacionamos o trailer num camping em Jacarepaguá. O festival já havia iniciado. No dia do nosso primeiro show, lembro que meu namorado foi tomar uma cerveja enquanto fiquei no trailer me arrumando. Quando ele retornou, não acreditou no que viu. Parecia que eu ia ao shopping: calça branca, top, acho até que coloquei salto alto.

— Tu tens ideia pra onde estamos indo? Pro meio da lama!

Teimosa, disse que iria daquele jeito mesmo, estava me sentindo um doce de coco. Resultado: virei a mulher de barro. Choveu demais e aquele descampado virou Woodstock. Da tal sandália nunca mais tive notícia e a calça branca virou pano de chão.

Nos dias seguintes, camiseta, jeans, tênis e rabo de cavalo. Pô, óbvio.

Foram muitos shows, mas lembro que o mais espetacular foi o do Queen. Freddie Mercury cantando “Love of my life” a capela enquanto regia a multidão foi de arrepiar. E eu estava lá.

Vimos Yes, Rod Stewart, B-52, Nina Hagen, Ozzy Osbourne. E Barão Vermelho, Rita Lee, Blitz, Lulu Santos, Kid Abelha, Paralamas.

Inesquecível, tudo.

Fim de festa. De volta a Porto Alegre, devolvemos o trailer e seguimos nossas vidas. O namorado? Casei com ele, tivemos duas filhas e vivemos juntos por 17 anos. Hoje é um querido amigo, está casado de novo e segue preferindo o jazz.
Em 1985, não havia telões nem camarotes vips, e lembro de apenas uma lanchonete nos fundos do terreno, assim como meia dúzia de banheiros, tudo muito precário. Nem sombra da megaestrutura de que se dispõe hoje. Passavase trabalho, mas, por outro lado, era uma experiência genuína. Só encarava essa indiada quem gostava realmente de música e aventura.

Ter 23 anos colaborava também.

Poucas coisas são tão vibrantes quanto um show. Eu começo a transcender antes mesmo de atravessar os portões. Curto a aproximação coletiva, aquele povo se dirigindo para o mesmo lugar e com o mesmo propósito, como se estivesse peregrinando até uma igreja em busca de comunhão.

Apagam-se as luzes. Expectativa, ansiedade.

Então surgem no palco os donos da noite. Ao soar o primeiro acorde, viramos todos evangélicos, budistas, espiritualistas do rock.

Show é consagração. Os aplausos são mesuras e o assovio é o código sonoro da reverência. O público faz parte de um só corpo e de um só sangue. Desta vez não irei, mas deixo aqui minha bênção para todos os devotos da guitarra. Rock in Rio 2011, amém.

Revista O Globo, 25 de setembro de 2011.

Pensamento

As palavras de amizade e conforto podem ser curtas e sucintas, mas o seu eco é infindável.
Madre Teresa de Calcutá

A cabeça dos outros

A cabeça dos outros

Recentemente a revista Veja publicou uma reportagem perturbadora sobre os motivos que levam alguém a matar outra pessoa. Foram entrevistados mais de 90 homicidas, e as respostas, quase todas, coincidiram. Eles sentem medo ao assaltar. Estabelecem um roteiro prévio e ficam em pânico quando algo ameaça sair errado. Qualquer movimento não previsto é razão para atirar. E atiram.


Nada de novo: todo mundo sabe que reagir a um assalto é o caminho mais curto para uma tragédia. Nunca passei por isso e espero ter o sangue frio necessário quando chegar minha vez, mas como deter o impulso de puxar o freio de mão, abrir o vidro, soltar o cinto de segurança, tudo o que pode ser considerado “imprevisto” pelos delinquentes? Por exemplo, quando passo por um susto violento, eu travo, fico sem voz. Ela não sai de jeito nenhum. Se acaso me perguntarem alguma coisa, como provar que meu silêncio não é uma provocação, e sim uma reação fora do meu controle?


Melhor nem pensar.


O que me ficou disso tudo é que somos prisioneiros não só da nossa cabeça, mas da cabeça dos outros também, do que eles pensam a nosso respeito, do que imaginam que iremos fazer, das conclusões a que chegam, das interpretações que fazem. Não há escapatória. Estamos sujeitos ao que nossas narrativas revelam, e elas nem sempre revelam nossa pureza. Estamos sujeitos ao que nossos atos revelam, e eles nem sempre revelam o que sentimos. O que somos de verdade e o que queremos de fato, só nós sabemos. Só nós. Sós.


O planeta é povoado por bilhões de solitários tentando se comunicar em meio a situações de euforia, desespero, descrença e êxtase. Quantas vezes tentaram adivinhar o que sentíamos, e erraram. Julgaram nossas ações, e erraram. Tiveram certeza sobre nossos propósitos, e erraram. Balas perdidas disparadas a esmo, bilhões tentando compreender uns aos outros e passando longe do alvo. Reverenciamos tanto a conexão, mas ela segue mais rara do que nunca.


A cabeça do outro é nosso juíz mais implacável. Acreditamos que temos controle sobre nosso destino, mas esse controle está atrelado ao pensamento do outro sobre nós, o sentimento (ou ressentimento) que ele nutre a despeito de todas as nossas boas intenções. Nossos pais, nossos amigos, nossos filhos, nossos clientes, nosso amor: tudo andará bem desde que sejamos fiéis ao que está previsto. Mas somos seres imprevisíveis por natureza, o que nos faz passar a vida inteira correndo riscos.

Martha Medeiros
texto publicado no Jornal de Santa Catarina n° 12151 em  15/01/11
link: http://www.clicrbs.com.br/jsc/sc/impressa/4,1147,3174548,16291

Disseram...

Disseram...

que não vencerás em teus empreendimentos;

que o teu doente querido está no clima da morte;

que atravessarás longa noite de provações;

que não mais encontrarás o trabalho que mais desejas;

que não te recuperarás de certas perdas sofridas;

que não realizarás os sonhos que acelentas;

que os entes amados distantes de ti nunca mais te voltarão ao convívio;

que o desgaste do corpo físico não mais te permitirá as realizações que tanto almejas;

que, por essa ou aquela falta, andarás sobre a Terra constantemente sobre pedras e espinhos.

Tudo isso disseram...

Entretanto, continua agindo e servindo, orando e esperando, porque as opiniões de Deus são diferentes.

Emmanuel/Chico Xavier in Momentos de Paz

O que reside atrás de nós...


"O que reside atrás de nós e o que reside à nossa frente são de minúscula importância comparados ao que reside dentro de nós."

Oliver Wendell Holmes

Pensamento

Cansado de chorar pelas estradas.
 Exausto de pisar mágoas pisadas.
 Hoje eu carrego a cruz das minhas dores. 
 Augusto dos Anjos

Clarice Lispector

Dá-me a tua mão:

Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.

De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

Clarice Lispector

Clarice Lispector

"Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar."


Clarice Lispector

Pensamento


Um homem não está acabado quando enfrenta a derrota. Ele está acabado quando desiste.

Richard Nixon

Dia das Mães

O Dia das Mães também designado de Dia da Mãe teve a sua origem no princípio do século XX, quando uma jovem norte-americana, Anna Jarvis, perdeu sua mãe e entrou em completa depressão. Preocupadas com aquele sofrimento, algumas amigas tiveram a ideia de perpetuar a memória da mãe de Annie com uma festa. Annie quis que a homenagem fosse estendida a todas as mães, vivas ou mortas. Em pouco tempo, a comemoração e consequentemente o Dia das Mães se alastrou por todos os Estados Unidos e, em 1914, sua data foi oficializada pelo presidente Woodrow Wilson: dia 9 de Maio.

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