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Jorge da Capadócia

Jorge da Capadócia
Jorge Ben Jor
Jorge sentou na praça
Na cavalaria
Eu estou feliz
Porque eu também
Sou da sua Companhia

Eu estou vestido
Com as roupas
E as armas de Jorge
Para que meu inimigos
Tenham pés e não me alcancem
Para que meus inimigos
Tenham mãos e não me toquem
Para que meus inimigos
Tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo pensamento
Eles possam ter
Para me fazerem mal
Armas de fogo
Meu corpo não alcançarão
Facas e espadas se quebrem
Sem o meu corpo tocar
Cordas e correntes se arrebentem
Sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido
Com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é de Capadócia
Salve Jorge, salve Jorge
Salve Jorge, salve Jorge
- © ArlequimBRMCA0200092
Ficha Técnica da Faixa: 
Baixo: Dádi - Bateria: Gustavo Schroeter -
Percussão: Joãozinho - Percussão - Piano: João Vandaluz - Voz e violão: Jorge Ben Jor

Faxina nos mitos

Faxina nos mitos


"Boa parte de nossa infelicidade nasce do fato de vivermos rodeados por mitos.Deixamos que aflorem e construímos emcima deles a nossa desgraça"

Boa parte de nossa infelicidade ou aflição nasce do fato de vivermos rodeados (por vezes esmagados ou algemados) por mitos. Nem falo dos belos, grandiosos ou enigmáticos mitos da Antiguidade grega. Falo, sim, dos mitinhos bobos que inventou nosso inconsciente medroso, sempre beirando precipícios com olhos míopes e passo temeroso. Inventam-se os mitos, ou deixamos que aflorem, e construímos em cima deles a nossa desgraça.
Por exemplo, o mito da mãe-mártir. Primeiro engano: nem toda mulher nasce para ser mãe, e nem toda mãe é mártir. Muitas são algozes, aliás. Cuidado com a mãe sacrificial, a grande vítima, aquela que desnecessariamente deixa de comer ou come restos dos pratos dos filhos, ou, ainda, que acorda às 2 da manhã para fritar (cheia de rancor) um bife para o filho marmanjo que chega em casa vindo da farra. Cuidado com a mãe atarefada que nunca pára, sempre arrumando, dobrando roupas, escarafunchando armários e bolsos alheios sob o pretexto de limpar, a mãe que controla e persegue como se fosse cuidar, não importa a idade das crias. Essa mãe certamente há de cobrar com gestos, palavras, suspiros ou silêncios cada migalhinha de gentileza. Eu, que me sacrifiquei por você, agora sou abandonada, relegada, esquecida? E por aí vai...
Ou o mito do bom velhinho: nem todo velho é bom só por ser velho. Ao contrário, se não acumularmos bom humor, autocrítica, certa generosidade e cultivo de afetos vários, seremos velhos rabugentos que afastam família e amigos. Nem sempre o velho ou velha estão isolados porque os filhos não prestam ou a vida foi injusta. Muitas vezes se tornam tão ressequidos de alma, tão ralos de emoções, tão pobres de generosidade e alegria que espalham ao seu redor uma atmosfera gélida, a espantar os outros.
E o mito do homem fortão, obrigado a ser poderoso, competente, eterno provedor, quando esconde como todos nós um coração carente, uma solidão fria, a necessidade de companhia, de colo e de abraço – quando é, enfim, apenas um pobre mortal.
Falemos ainda no mito da esposa perfeita, aquela da qual alguns homens, enquanto pulam valentemente a cerca, dizem: "Minha mulher é uma santa". Sinto muito, mas nem todas são. Eu até diria que, mais vezes do que sonhamos, somos umas chatas. Sempre reclamando, cobrando, controlando, não querendo intimidades, ocupadas em limpar, cozinhar, comandar, irritar, na crença vã de que boa mulher é a que mantém a casa limpa e a roupa passada. Seria bem mais humano ter braços abertos, coração cálido, compreensão, interesse e ternura.
O mito de que a juventude é a glória demora a ruir, mas deveria. Pois jovem se deprime, se mata, adoece, sofre de perdas, angustia-se com o mercado de trabalho, as exigências familiares, a pressão social, as incertezas da própria idade. A juventude – esquecemos isso tantas vezes – é transformação por vezes difícil, com horizontes nublados e paulatina queda de ilusões. É fragilidade diante de modelos impossíveis que nos são apresentados clara ou subliminarmente o tempo todo.
Enfim, a lista seria longa, mas, se a gente começar a desmitificar algumas dessas imagens internalizadas, começaremos a ser mais sensatamente felizes. Ou, dizendo melhor: capazes de alegria com aquilo que temos e com o que podemos fazer numa vida produtiva, porque real.

Lya Luft é escritora

VEJA - Edição 1901 . 20 de abril de 2005
Ilustracao Atômica Studio

No paraíso da transgressão

No paraíso da transgressão
Lya Luft


"Vivemos feito bandos de ratos aflitos, recorrendo à droga, à bebida, ao delírio, à alienação e à indiferença, para aguentar uma realidade cada dia mais confusa"


A gente se acostuma a criticar os jovens por eles serem pouco educados, os homens por serem arrogantes, as mulheres por serem chatas, os governos por serem omissos ou incompetentes, quando não mal-intencionados. Políticos sendo acusados de corrupção é tão trivial que as exceções se vão tornando ícones, ralas esperanças nossas. Onde estão os homens honrados, os cidadãos ilustres e respeitados, que buscam o bem da pátria e do povo, independentemente de cargos, poder e vantagens?
Transgredir no mau sentido é natural entre nós. Ladrões e assassinos, mesmo estupradores, recebem penas ridículas ou aguardam o julgamento em liberdade; se condenados, conseguem indultos absurdos ou saem em ocasiões como o Natal, e boa parte deles naturalmente não volta. Crianças continuarão a ser estupradas, inocentes mortos, velhinhos roubados, mulheres trancadas em suas casas, porque a justiça é cega, porque as leis são insensatas e, quando prestam, raramente se cumprem.
Nesta nossa terra, muitos cidadãos destacados, líderes, são conhecidos como canalhas e desonestos, mas, ainda que réus confessos ou comprovados, inevitavelmente se safam. Continuam recebendo polpudos dinheiros. Depois de algum tempo na sombra, feito eminências pardas, voltam a ocupar importantes cargos de onde nos comandam. Assassinos ao volante nem são presos. Se presos, são soltos para o famoso "aguardar o julgamento em liberdade". Centenas e centenas de vidas cortadas de maneira brutal e o assassino, a não ser que acossado pela culpa moral, se tiver moral, logo voltará ao seu dia-a-dia, numa boa. Se invadir a casa de meu vizinho, fizer seus empregados de reféns, der pauladas na sua mulher ou na sua velha mãe e escrever nas paredes com excremento humano frases ameaçadoras, imagino que eu vá para a cadeia. Os bandos de pseudoagricultores (a maioria não sabe lidar na terra) fazem tudo isso e muito mais, e nada lhes acontece: no seu caso, bizarramente, não se aplica a lei.
Se sobram muitas vagas nos exames vestibulares, em alguns casos simplesmente se fazem novas provas, provinhas mais fáceis. Leio (se me engano já me desculpo, nem tudo o que se lê é verdadeiro) que, como são poucos os aprovados nos exames da OAB, porque os estudantes saem despreparados demais das faculdades de direito que pululam pelo país, o exame se tornou mais simples: há que aprovar mais gente. Quantidade, não qualidade. Governantes, os bons e esforçados, viram objeto de ódio de adversários cujo interesse não é o bem da comunidade, estado ou país, mas o insulto, o desrespeito, a violência moral do pior nível. Aliás, nesses casos o nível não importa, o que importa é destruir.
Eis o paraíso dos transgressores: a lei é a da selva, a honradez foi para o brejo, a decência tem de ser procurada como fez há séculos um filósofo grego: ao lhe indagarem por que andava pela cidade com uma lanterna acesa em dia claro, declarou: "Procuro um homem honesto". O que devemos dizer nós? Temos pouca liderança positiva, raríssimo abrigo e norte, referências pífias, pobre conforto e estímulo zero, quase nenhuma orientação. A juventude é quem mais sofre, pois não sabe em que direção olhar, em que empreitadas empregar sua força e sua esperança, em quem acreditar nesse tumulto de idéias desencontradas. Vivemos feito bandos de ratos aflitos, recorrendo à droga, à bebida, ao delírio, à alienação e à indiferença, para aguentar uma realidade cada dia mais confusa: de um lado, os sensatos recomendando prudência e cautela; de outro, os irresponsáveis garantindo que não há nada de mais com a gigantesca crise atual, que não tem raízes financeiras, mas morais: a ganância, a mentira, a roubalheira, a omissão e a falta de vergonha. E a tudo isso, abafando nossa indignação, prestamos a homenagem do nosso desinteresse e fazemos a continência da nossa resignação. Meus pêsames, senhores. Espero que na hora de fechar a porta haja um homem honrado, para que se apague a luz de verdade, não com grandes palavras e reles mentiras.


Lya Luft é escritora

VEJA - Edição 2103 - 11 de março de 2009
Ilustração Atômica Studio

Pense e anote

Pense e anote

Se a cólera está alcançando você, reserve algum canto do cérebro em que você consiga pensar.

Qualquer raciocínio rápido lhe trará serenidade para reconhecer a inconveniência da irritação.

Se você pode refletir, perceberá de pronto, que ante a pessoa capaz de desequilibrar-lhe os sentimentos, a possibilidade de auxiliar com mais segurança, está do seu lado.

Se alguém lhe trouxe prejuízos, este alguém começou por lesar a si mesmo.

Se você sofre agressão, o ofensor realmente não sabe que débitos contraiu com isso, sem que haja necessidade de se lhe agravar a situação.

Azedume é ambiente para perturbação e enfermidade.

Raiva, em muitos casos, é ponto de apoio a processos obsessivos.

Intemperança mental é um espetáculo de fraqueza.A raiva diminuirá ou extinguirá os seus créditos de confiança.

Em qualquer ocorrência desagradável, pense e acalme-se porque a cólera não auxilia ninguém.

pelo Espírito André Luiz - Psicografia de Francisco Cândido Xavier

A Mentira

A Mentira

Primeiro de abril. Dia da mentira. Dia de fazer brincadeiras com colegas e amigos. Dia de passar trotes. Dia dos bobos.
Tantas denominações para um mesmo efeito. É o dia em que até mesmo pessoas ditas sérias se dão ao prazer de armar pequenas ciladas para expor ao ridículo os que dizem ser seus amigos.
O fato não é novo. Mas nem por isso deixa de ser desagradável. E para muitos, até constrangedor.
Já houve manchetes mentirosas nesse dia. Desmentidas no seguinte.
O que se pretende é dar boas risadas às custas dos outros. O que não nos damos conta, quando agimos desta forma leviana, é que podemos provocar problemas de saúde em alguém.
Quantas pessoas estão atravessando sérias dificuldades financeiras, lutando para pagar suas dívidas e são surpreendidas por um telefonema informando que seu cheque foi devolvido por falta de fundos.
Ou existe um título protestado em seu nome. Está no jornal, na lista dos protestos, diz o informante.
Outros são surpreendidos com a notícia de que devem comparecer a tal empresa para uma entrevista.
Esperançosos, os desempregados se dirigem para o local citado. Para descobrirem que perderam tempo e o dinheiro da passagem.
Não há nenhum emprego a vista. Por vezes, nem empresa. O endereço todo é falso.
Brincadeiras perigosas. Trotes que comprometem. Brinca­-se com sentimentos e situações de pessoas, muitas vezes, em desespero.
Já paramos para pensar alguma vez o que pode acarretar uma falsa notícia? Boa ou má?
E se a pessoa que a recebe sofrer de problemas cardíacos e vier a ter uma dificuldade maior?
Quantos sustos em telefonemas a cobrar, em que quem recebe fica com o coração aos saltos, pois naqueles breves segundos da mensagem gravada que antecede a identificação, mil pensamentos passam pela mente.
Quem será? O irmão viajando? Terá se acidentado? A mãe doente? Terá piorado seu estado de saúde?
A filha que já deveria ter chegado? Que terá acontecido?
Desgastes e mais desgastes. Por nada. Tudo brincadeira. Coisa de quem não tem nada mais sério para fazer. Nem mais importante.
Somos responsáveis por tudo que nos outros provocamos.
Não se brinca com sentimentos, apreensões, ansiedades. O envolvido pode não resistir ou lhe podemos provocar séria lesão física ou moral.
Ocupemos o nosso tempo com tudo que é construtivo. Com o que possa diminuir problemas para os outros.
Preocupemo-nos pelo bem estar do nosso amigo, colega, irmão. Não lhe aumentemos a carga de dificuldades, já por si tão pesada.
Usemos a nossa palavra para divulgar as coisas boas, alegres, que orientam e felicitam.
Usemos o telefone com responsabilidade. É instrumento de auxílio, trabalho, jamais de brincadeiras tolas ou levianas.
Bilhetes, cartas e cartões que geram expectativas que jamais se concretizarão, não deverão ser por nós escritos.
A palavra impressa deve ser conduzida para as boas coisas. Nunca a divulgação da mentira ou do trote.
Não busquemos alegrias passageiras, risadas bobas em troca da paz, da tranqüilidade e da harmonia de outras pessoas, mesmo que sejam aquelas da nossa mesma idade, do mesmo rol de interesses.
Há tantas formas sadias de promover alegria, sem se servir de tolices, trotes e brincadeiras de mau gosto.

Você sabia?
...que foi na véspera do dia 1º de abril de 1848 que os fenômenos mediúnicos, em uma pequena vila do Estado de Nova York, se apresentaram de tal forma que chamaram a atenção do Mundo?
Eram arranhaduras no interior da madeira, pancadas através das quais um Espírito respondia às questões de duas meninas: Kate e Margareth.
O vilarejo chamava-se Hydesville, no Condado de Rochester.
E você sabia que as meninas pertenciam a uma família de sobrenome Fox?
E que na noite/madrugada em que os fenômenos atingiram o auge, vizinhos e curiosos a eles assistiram?
No dia 1º de abril foram em torno de 350 as pessoas presentes.

PensamentoPalavra é talento. Utiliza a tua palavra para produzir alegria, tranqüilidade e paz.
A palavra nobre sustenta para sempre.


Equipe de Redação do Momento Espírita.
www.momento.com.br

Esqueça

Esqueça

Esqueça os dias de nuvens escuras...
Mas lembre-se das horas passadas ao sol .
Esqueça as vezes em que você foi derrotado...
Mas lembre-se das suas conquistas e vitórias.
Esqueça os erros que já não podem ser corrigidos...
Mas lembre-se das lições que você aprendeu.
Esqueça as infelicidades que você enfrentou...
Mas lembre-se de quando a felicidade voltou.
Esqueça os dias solitários que você atravessou...
Mas lembre-se dos sorrisos amáveis que encontrou...
Esqueça os planos que não deram certo...
Mas lembre-se de SEMPRE TER UM SONHO...
Autor desconhecido

Partidas e Chegadas

Partidas e Chegadas
Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espetáculo de beleza rara.


O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.

Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.

Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamará: "já se foi”.
Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.

O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas.

O veleiro não evaporou, apenas não o podemos mais ver. Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante em que alguém diz: já se foi, haverá outras vozes, mais além, a afirmar: "lá vem o veleiro”. Assim é a morte. Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o visível do invisível dizemos: "já se foi".

Terá sumido? Evaporado?
Não, certamente. Apenas o perdemos de vista.
O ser que amamos continua o mesmo. Sua capacidade mental não se perdeu. Suas conquistas seguem intactas, da mesma forma que quando estava ao nosso lado.

Conserva o mesmo afeto que nutria por nós. Nada se perde, a não ser o corpo físico de que não mais necessita no outro lado.

E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: já se foi, no mais além, outro alguém dirá feliz: "já está chegando".

Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a viagem terrena.
A vida jamais se interrompe nem oferece mudanças espetaculares, pois a natureza não dá saltos.

Cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afetos e desafetos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.

A vida é feita de partidas e chegadas. De idas e vindas.
Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.

Um dia partimos do mundo espiritual na direção do mundo físico; noutro partimos daqui para o espiritual, num constante ir e vir, como viajantes da imortalidade que somos todos nós.

Richard Simonetti

O sucesso

O sucesso
por Nizan Guanaes

O publicitário Nizan Guanaes foi paraninfo de uma turma da FAAP-SP, e proferiu o seguinte discurso:


Dizem que conselho só se dá a quem pede. E, se vocês me convidaram para paraninfo, sou tentado a acreditar que tenho sua licença para dar alguns.

Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valiosos.

Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro. Ame seu ofício com todo coração. Persiga fazer o melhor. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser nem um grande bandido, nem um grande canalha.

Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma.

A propósito disso, lembro-me uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo." E ela responde: "Eu também não, meu filho".

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar em realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada.

Os pobres vivem como bichos, e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega viver como homens. Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguaçu. Que era ficção, mas hoje é realidade, na pessoa de Geraldo Bulhões, Denilma e Rosângela, sua concubina.

Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laudiceia: seja quente, ou seja, frio, não seja morno que eu te vomito. É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio.

Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido. Tendo consciência de que, cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução.

Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado, para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra.

Não use Rider, não dê férias a seus pés. Não sente-se e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: eu não disse!, eu sabia! Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa.

Chega dos poetas não publicados. Empresários de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.

Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 às 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio, que é a morada do demônio, e constrói prodígios. O Brasil, este país de malandros e espertos, da vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses que trabalham de sol a sol construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta. Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho.

Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama sucesso.


Um abraço e MUITO TRABALHO a todos nós (sempre com prazer é claro...)


TRABALHE EM ALGO QUE VOCÊ REALMENTE GOSTE, E VOCÊ NUNCAPRECISARÁ TRABALHAR NA VIDA”.

Nizan Guanaes
Publicitário baiano, fundador da holding Ypy, que conta com as agências Africa, DM9DDB e MPM.
É uma das figuras mais polêmicas da propaganda brasileira, misturando seu alto critério criativo (por serredator) com um espírito extremamente empreendedor.Administrador formado pela Universidade Federal da Bahia, começou a carreira em Salvador, na DM9, de Duda Mendonça.Transferiu-se para Artplan, na década de 80. Já trabalhou aolado de Washington Olivetto na W/Brasil, antes de fundar a DM9 em São Paulo, com Guga Valente.Sob seu comando, a DM9 se transformou numa das maiores agências do país (e uma das mais premiadas). Vendeu sua parte da agência para a DDB Needham, em 1997, a qual tornou-se DM9DDB. Nizan foi o fundador do portal iG e se manteve no comando da empresa por dois anos.Hoje, preside a Africa, uma das maiores do mercadobrasileiro, com uma estrutura diferente das outras agências do ercado, marcada por poucos e poderosos clientes; entre eles Vivo, Itaú, Nivea e Gradiente...

Nós somos o que pensamos e o que fazemos

Nós somos o que pensamos e o que fazemos
por Nelson Sganzerla - nelsonsganzerla@terra.com.br

Nós somos o que pensamos e o que fazemos, apesar de muitas vezes não nos darmos conta de tudo isso. Estamos sempre preocupados com coisas pequenas da vida, coisas que ferem o nosso ego, vaidades bobas, ansiedades desnecessárias, picuinhas com nossos parceiros(as), desentendimentos com alguém no trabalho.

Despertei para esse assunto, pois uma amiga me disse que estava muito down, com uma tristeza sem fim, preocupada em não passar o Natal e o Final de Ano sozinha, sofrendo por antecipação e vale dizer: quem sofre por antecipação, sofre duas vezes. Ela me dizia que não era uma pessoa que soubesse viver só e que, após a sua separação, não achou que fosse tão difícil refazer a sua vida com alguém; toda pessoa que dela se aproxima ou é compromissada ou não quer nada que seja sério.

Pergunta de entendimento: "Será que é só ela?"

Vocês conhecem alguém que em sã consciência goste de viver só, que não goste de chegar em casa com alguém lhe esperando, desfrutar da companhia de alguém em uma viagem, em um restaurante, ou de dormir abraçado?

Quando estamos em profunda tristeza, à beira de uma depressão, não atinamos em nada que seja diferente ao nosso redor. Nada nos chama a atenção; tudo é cinza, tudo é denso demais e nem desconfiamos, mas chegamos a passar esse clima para todos ao nosso redor. Quantas vezes nos pegamos dizendo: "Nossa! Como aquela pessoa é pesada! É para baixo, não me sinto bem ao lado dela...

"Seja negativo(a), achando que nada vai acontecer de bom em sua vida que, fatalmente, nada irá acontecer mesmo.

Uma pessoa que fica remoendo tristezas, decepções, amarguras 24 horas não poderá, de maneira nenhuma, enxergar uma saída; a não ser a de se afundar mais no limbo em que se encontra; nunca saberá reverter nenhum fato.

Vocês vão argumentar: "É muito fácil falar quando não se está na pele de quem está mal. Pimenta nos olhos dos outros é refresco..." Eu sei, cada caso é um caso; cada história traz as suas dificuldades. Não fosse assim, o número de suicidas no mundo seria bem menor. Mas se não lutarmos contra o que nos faz mal, contra as agruras da nossa vida, nada acontece. Somos nós que devemos dar o start para a nossa felicidade; de nada adiantará procurarmos formulas mágicas.

Os livros de auto-ajuda são ótimos, mas é necessário acreditar em você, no que realmente quer para você e para a sua vida. Se você for descrente de nada adianta; vai perder seu tempo.

Esse start está dentro de você. Tudo o que diz respeito a assuntos como tristeza e felicidade requer uma certa disciplina, uma certa dose de perseverança. Pois, por mais que eu diga que esse é o caminho é muito difícil para quem está lá no fundo, com a auto-estima baixa, sem se valorizar como pessoa. Fica muito difícil enxergar algo fora disso.

Eu diria efetivamente que o primeiro passo é ser positivo com seus pensamentos, com suas palavras, suas atitudes. Você tem que ter um foco no horizonte da sua vida e perseverar todo santo dia. “Todos os dias sob todos os pontos de vista, eu vou cada vez melhor”. Repita essa frase toda manhã antes de sair de casa, quantas vezes você achar necessário.

O segundo passo: Gostar-se! E essa mudança não poderá ser só superficial; tem que acontecer de dentro para fora. Comece a quebrar paradigmas do tipo: "Eu não tenho sorte! Nada de bom me acontece!" Tudo acontece com todo mundo, em todos os dias. Simplesmente uns absorvem esses acontecimentos e deixam que eles passem, mas não guardam nada no fundo da alma, para ficar remoendo à noite na hora da insônia. Outros acumulam tudo. Absorvem as tristezas, as desilusões, as amarguras da vida como se fossem pára-raios expostos a tempestades, atraindo pessoas mais amarguradas.

Tristeza leva a mais tristeza, a mais desilusões. A tristeza alimenta as forças contrárias, alimenta quem habita nas trevas. Não tenha dúvidas: existem forças contrárias que precisam da sua tristeza, necessitam da sua dor, do seu desespero. O fato é que a tristeza alimenta os vampiros que estão à nossa volta, à espreita de um sinal nosso, por menor que seja. Uma lágrima, um rancor, alguma coisa que os alimente.
Nem que seja nossas migalhas.

Toda manhã esteja receptivo(a) para o novo, para o agora. A vida é já, nesse exato momento em que você está lendo esse meu artigo. Respire fundo, conte até dez e esboce um sorriso!

Muita Paz

Texto revisado por Cris

por Nelson Sganzerla - nelsonsganzerla@terra.com.br

Ser Mulher

Ser Mulher

Ser mulher é viver mil vezes em apenas uma vida, é lutar por causas perdidas e sempre sair vencedora, é estar antes do ontem e depois do amanhã, é desconhecer a palavra recompensa apesar dos seus atos.

Ser mulher é caminhar na dúvida cheia de certezas, é correr atrás das nuvens num dia de sol e alcançar o sol num dia de chuva.

Ser mulher é chorar de alegria e muitas vezes sorrir com tristeza, é cancelar sonhos em prol de terceiros, é acreditar quando ninguém mais acredita, é esperar quando ninguém mais espera.

Ser mulher é identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa, é ser enganada e sempre dar mais uma chance, é cair no fundo do poço e emergir sem ajuda.

Ser mulher é estar em mil lugares de uma só vez, é fazer mil papeis ao mesmo tempo, é ser forte e fingir que é frágil pra ter um carinho.

Ser mulher é se perder em palavras e depois perceber que se encontrou nelas, é distribuir emoções que nem sempre são captadas.

Ser mulher é comprar, emprestar, alugar, vender sentimentos, mas jamais dever, é construir castelos na areia, vê-los desmoronados pelas águas e ainda assim amá-las.

Ser mulher é saber dar o perdão, é tentar recuperar o irrecuperável, é entender o que ninguém mais conseguiu desvendar.

Ser mulher é estender a mão a quem ainda não pediu, é doar o que ainda não foi solicitado.

Ser mulher é não ter vergonha de chorar por amor, é saber a hora certa do fim, é esperar sempre por um recomeço.

Ser mulher é ter a arrogância de viver apesar dos dissabores, das desilusões, das traições e das decepções.

Ser mulher é ser mãe dos seus filhos e dos filhos de outros e amá-los igualmente.

Ser mulher é ter confiança no amanhã e aceitação pelo ontem, é desbravar caminhos difíceis em instantes inoportunos e fincar a bandeira da conquista.

Ser mulher é entender as fases da lua por ter suas próprias fases. É ser "nova" quando o coração está à espera do amor, ser "crescente" quando o coração está se enchendo de amor, ser cheia quando ele já está transbordando de tanto amor e minguante quando esse amor vai embora.

Ser mulher é hospedar dentro de si o sentimento do perdão, é voltar no tempo todos os dias e viver por poucos instantes coisas que nunca ficaram esquecidas.

Ser mulher é cicatrizar feridas de outros e inúmeras vezes deixar as suas próprias feridas sangrando.

Ser mulher é ser princesa aos 20, rainha aos 30, imperatriz aos 40 e especial a vida toda.

Ser mulher é conseguir encontrar uma flor no deserto, água na seca e labaredas no mar.

Ser mulher é chorar calada as dores do mundo e em apenas um segundo já estar sorrindo.

Ser mulher é subir degraus e se os tiver que descer não precisar de ajuda, é tropeçar, cair e voltar a andar.

Ser mulher é saber ser super-homem quando o sol nasce e virar Cinderela quando a noite chega.

Ser mulher é ter sido escolhida por Deus para colocar no mundo os homens.

Ser mulher é acima de tudo um estado de espírito, é uma dádiva, é ter dentro de si um tesouro escondido e ainda assim dividi-lo com o mundo!

Silvana Duboc

Se alguém te procurar...

SE ALGUÉM TE PROCURAR...


Com frio
É porque você tem o cobertor.

Com alegria
É porque você tem o sorriso acolhedor.

Com lágrimas
É porque você tem o conforto.

Com versos
É porque você tem a música.

Com dor
É porque você tem a possibilidade de aliviá-la.

Com palavras
É porque você tem a capacidade de ouvir.

Com fome
É porque você tem o alimento.

Com beijos
É porque você tem o mel.

Com dúvidas
É porque você tem o caminho.

Com orquestras
É porque você tem a festa.

Com desânimo
É porque você tem o estimulo.

Com fantasias
É porque você tem a realidade.

Com desespero
É porque você tem a Serenidade.

Com entusiasmo
É porque você tem o brilho.

Com segredos
É porque você tem a cumplicidade.

Com tumulto
É porque você tem a paz de espírito.

Com confiança
É porque você tem a segurança.

Com medo
É porque você tem o AMOR!!!

Ninguém chega até VOCÊ por acaso...
Em "TUDO" há o propósito de Deus! Inclusive em você estar lendo aqui, agora.
Por esta razão e outras, repasse a tantos quanto puder.
Afinal... O mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar, e correr o risco de viver seus sonhos.
Cada qual com seu talento.

Desconheço a Autoria

Martha Medeiros

A tristeza permitida


Se eu disser para você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que normalmente faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair para compras e reuniões - se eu disser que foi assim, o que você me diz? Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem para sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?
Você vai dizer "te anima" e me recomendar um anti-depressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer para eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.
Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.
A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro da nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.
Depressão é coisa muita mais séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente - as razões têm essa mania de serem discretas.
"Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago de razão/ eu ando tão down..." Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor desamarrar a cara. "Não quero te ver triste assim", sussurrava Roberto Carlos em meio a uma outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar o seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinicius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.
Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem por isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, anunciando o fim de mais uma dor - até que venha a próxima, normais que somos.

Martha Medeiros
20 de novembro de 2005
Livro: Doidas e Santas; L&PM, 2008, Porto Alegre - RS
As crônicas deste livro foram originalmente publicadas nos jornais O Globo e Zero Hora

Music



Don't Believe In Love

Dido
Composição: Dido Armstrong

I wanna go to bed
With arms around me
But wake up on my own
Pretend
That I'm still sleeping
Til' you go home

Oh

I can't look at you
This morning
I should probably have a sign
That says
'Leave right now or quicker'
You've overstayed your time

If I don't believe in love
Nothing will last for me
If I don't believe in love
Nothing is safe for me

When I don't believe in love
You're too close to me
And that's why
You have to leave
Maybe I slept peaceful
On your shoulder
Your arm warm around my side
But it's different now
It's morning
And I can't face your smile
The second that I feel

Your safe hands
Reaching out for mine
I slip away and out of sight
You've ovestayed your time

If I don't believe in love
Nothing is good for me
If I don't believe in love
Nothing will last for me
When I don't believe in love

Nothing is new for me
Nothing is wrong for me
And nothing is real for me

If I don't believe in love
What do you get from me?
When I don't believe in love
Nothing is real for me
If I don't believe in love
You're getting to close to me
And that's why you have to leave
And that's why you have to leave

If I don't believe in love
If I don't believe in love
If I don't believe in love

Nothing is left for me
If I don't believe in love
You're too good for me

Outra Pessoa

Outra Pessoa
Martha Medeiros

Sou fã da Gloria Kalil, uma mulher elegante em sua despretensiosa simplicidade e que consegue ser feminina e categórica ao mesmo tempo - combinação rara. Pois é ela que dá graça e leveza ao quadro Etiqueta Urbana, que apresenta junto com Renata Ceribelli no Fantástico, aos domingos. No último programa (22/07), o assunto era etiqueta nas relações amorosas: o que a intimidade permite e o que não permite. Todos deveriam nascer sabendo, mas há quem se atrapalhe, normal. O que é difícil de acreditar é que ainda exista, como o programa mostrou, mulheres que atendam o celular do parceiro para checar quem está ligando pra ele. Uma moça explicou que faz isso porque se sente no direito de saber quem está atrás do seu marido, e justificou: “se fosse outra pessoa, eu não faria”. No que Gloria Kalil, abismada, alertou: “mas ele é outra pessoa”.

Extra, extra! Notícia quente para quem está chegando agora da lua: nossos namorados, maridos e esposas são outras pessoas. Eles dizem que nos amam, e tudo indica que é verdade, mas isso não significa que o amor possua o dom de fundir o casal. Este ser com quem você divide o teto e as contas continua tendo amigos próprios, clientes próprios, vida própria. Você não vai acreditar: até pensamentos próprios! Pois é, criatura. Seu grande amor nasceu de uma família que não tem nada a ver com a sua, teve uma infância muito diferente da que você teve e viveu muito bem sem sonhar que você iria atravessar o destino dele - claro que, se ele for romântico, vai negar esta última parte e dizer que simplesmente não existiu antes de você aparecer. Como é que você tem coragem de xeretar a privacidade de um sujeito tão sedutor?

Celulares tocam numa tarde de domingo e isso não quer dizer que do outro lado da linha esteja um ricardão ou uma manteúda. Mas pode ser que esteja também, quem aqui tem bola de cristal? Só que não é esta a questão. O assunto em pauta é civilidade, lembra? Tem que ter! Educação segue sendo necessário até pra quem está casado há 82 anos, sem contar os sete de namoro. Se não houver gentileza e respeito, vira barraco. Baixaria. Fiasco. Portanto, pare de achar que está sendo traído e de ficar procurando evidências. Siga o conselho do sábio psiquiatra suíço Adolph Meyer: não coce onde não está coçando.

As relações amorosas seriam muito menos traumatizantes se os envolvidos tivessem a consciência de que estão vivenciando um excitante encontro entre adultos, e não um projeto de mútua adoção. Ninguém é criança, ninguém agüenta monitoramento constante. Morando em casas separadas ou na mesma casa, ele é uma pessoa, você é outra, e é aconselhável que cada um respire com o próprio nariz, pra não acabar em asfixia.
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