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Ser feliz...

"Ser feliz não é ter uma vida perfeita.
Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.
Usar as perdas para refinar a paciência.
Usar as falhas para esculpir a serenidade.
Usar a dor para lapidar o prazer.
Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência."
Augusto Cury

Solidão

Solidão
Francisco Buarque de Holanda

"Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo...

Isto é carência!

Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar...

Isto é saudade!

Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos...

Isto é equilíbrio!

Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida...

Isto é um princípio da natureza!

Solidão não é um vazio de gente ao nosso lado...

Isto é circunstância!

Solidão é muito mais do que isto!

Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma!"

Barbara Streisand - Filme: Yentl - Papa Can you Hear Me?


Barbara (Barbra) Streisand
Filme: Yentl
Música: Papa Can you Hear Me?

18 Atitudes de Auto-Estima

18 Atitudes de Auto-Estima

CONHECENDO A AUTO ESTIMA

Características da baixa auto-estima: insegurança, sensação de inadequação, incertezas e dúvidas constantes, irrefreável necessidade de aprovação, decorrentes, em geral de processos de perda, abandono, rejeição e críticas.

Formamos a opinião e o sentimento que temos por nós mesmos na infância, absorvendo dos adultos, o conceito sobre nós próprios. Assim, se formos incentivados seremos confiantes e teremos iniciativa e autoconfiança. Seremos capazes de respeitar, confiar e gostar de nós mesmos. Ao contrário se recebermos críticas, proibições severas e humilhação, nossa tendência será de duvidar de nossa capacidade e teremos baixa auto-estima.

Com a auto-estima elevada, por sua vez, somos o reverso. Ficamos mais dispostos ao elogio e à expressão de afeto, ficamos menos ansiosos, mais auto-confiantes e satisfeitos. Somos capazes de construir relações mais saudáveis e criativas e de conquistar a paz interior. Essa que conquistamos sozinhos e que ninguém nos tira.

18 ATITUDES DE AUTO- ESTIMA

1) Seja o melhor amigo que você tem. Incentive e ame a si mesmo. Não tenha expectativas de ser perfeito. Dê uma chance a si mesmo.
2) Tome tempo para gozar sua vida. Escolha algo que você gosta e programe isto dentro do seu tempo, assim como marcaria uma consulta médica importante. Faça disso uma prioridade.
3) Livre-se do passado. Abra mão da dor, da raiva, das desilusões e da culpa. Se alguma delas voltar a se infiltrar na sua vida, livre-se dela quantas vezes for preciso.
4) Não tente agradar a todos. Essa é uma tarefa humanamente impossível. Aprenda a dizer NÃO, pois em muitas situações essa expressão não só é inevitável como necessária.
5) Estabeleça metas para sua vida. Reveja regularmente suas metas a curto e longo prazo. Não tenha medo de buscar algo difícil.
6) Invista no autoconhecimento, Investigue-se, dedique mais tempo a você, suas necessidades, suas escolhas. Não tenha pressa.
7) Fale positivamente consigo mesmo.Use afirmações para dar à sua mente uma mensagem fortemente positiva. Canalize a energia que você tem dentro de si para levá-lo à sua meta escolhida.
8) Visualize o seu comportamento de sucesso. Em cada aspecto de sua vida, visualize-se atingindo sua meta. Sinta as emoções e o prazer de realizar aquilo a que você se propôs. Torne-se o que pensa.
9) Faça escolhas para sua vida. Você é livre para mudar, para crescer, e para escolher como irá viver o resto da sua vida.
10) Selecione as pessoas que terão o privilégio de viver com você. De fazer parte da sua vida. Existem aquelas que, definitivamente, não valem a pena. O seu tempo é precioso. Não o desperdice.
11) Alie-se a outras pessoas. Aprenda a depender dos outros para obter informações, apoio e exemplos. Você não precisa fazer tudo sozinho.
12) Não culpe ninguém pelos erros que você comete E não encare as criticas como ataques pessoais. Aprenda a receber críticas. Lembre-se que somos pessoas diferentes. Cada uma percebe as coisas a sua maneira, de acordo com as suas circunstâncias e experiências. Sempre podemos aprender com os outros.
13) Acostume-se com sua imagem no espelho e aprenda a gostar dela. Realce as partes que mais gosta. Mas por você, não por conta da opinião alheia. Lembre-se que defeitos todos têm.
14) Ouça a sua intuição. Confie em você. No seu próprio valor, nas suas qualidades, ainda que os outros não reconheçam ou não concordem com você.
15) Busque prazer no trabalho. É onde gastamos a maior parte do nosso tempo. Portanto, além do dinheiro, ele deve ser uma fonte de satisfação.
16) Como está a sua casa? Reflete harmonia, equilíbrio e bem-estar? O seu espaço deve refletir o seu mundo interior. Uma casa desorganizada tende a destruir sua auto-estima. Faça uma faxina já!
17) Escreva o seu roteiro de vida na família. Decida o papel que você quer desempenhar no filme da sua família. Siga o roteiro que você tiver escrito, em lugar do roteiro que foi preparado por você pelas expectativas e decisões do outros.
18) Aceite-se como você é. Ame a si mesmo física, mental e emocionalmente como amaria um amigo querido. Encoraje esse amigo a crescer, não com críticas, mas com uma carinhosa aceitação.

Nilcely Gomes Costa
texto no site: http://www.otimismoemrede.com/18atitudesdeautoestima.html

Um homem diferente

Um homem diferente

O que faz que uma pessoa se destaque, no contexto social? Dirão alguns, talvez, que a soma dos valores que detém em contas bancárias, aplicações, rendas, bens móveis e imóveis.

Poderão pensar outros que o destaque se pode dar no ambiente artístico, cultural, político.
A pessoa também poderá se destacar pela inteligência, pela visão de mundo, adiante de seu próprio tempo.
Ou pela beleza, pelo porte, pelo discurso fácil, ágil, atilado. No entanto, o maior destaque, com certeza, é no campo moral. A intimidade do ser.
Porque alguém pode ser muito rico, belo, de discurso impecável, um cientista, uma alta inteligência e ser moralmente pobre.
Na atualidade, o tom dominante parece ser o de fazer o que todos fazem.
Assim, os homens desejam mostrar virilidade, sendo comandantes de sua própria casa.
As mulheres desejam demonstrar que são belas e desejadas, que jamais a solidão as haverá de abraçar.
E assim por diante...
Dizemos que isso faz parte da cultura do país onde se vive, do mundo onde nos movemos.
Será que não podemos destoar do comum? Será que não podemos nos destacar, exatamente por sermos diferentes?
Na Índia, entre os parses, a mulher é educada para servir ao homem.
Ela deve lhe dar muitos filhos, pois se assim não for, significa que algo errado existe na relação matrimonial.
Ela deve ser-lhe a servidora, preparando-lhe os pratos de arroz, lentilhas, carnes, a cada dia.
Deve zelar pela sua roupa, porque ele precisa parecer impecável aos olhos do mundo.
Pois aquela mulher nascida em Calcutá se apaixonara por um jovem de Bombaim.
Conhecera-o em casa de uma amiga, em uma festa. Pouco mais de 4 meses depois, estava casada.
Logo que os dois se casaram, ela havia insistido em passar a ferro as camisetas finas para ele.
Ele, no entanto, fincara pé e lhe dissera que se casara com ela por amor e para ter a sua companhia.
Se desejasse simplesmente alguém que lavasse e passasse a sua roupa teria se casado com quem trabalhava exatamente para cuidar do seu vestuário.
Seu senso de justiça, sua indignação moral diante do status inferior das mulheres, entre os seus, era inigualável.
Mais de uma vez a jovem sentira a inveja das amigas.
Qual é o segredo? Lhe indagavam. Como foi que você o treinou tão bem?
Mas ela dizia que nada tinha a ver com isso. Ele chegara a ela desse jeito.
Ele é a pessoa mais justa que eu conheço. Acredita na igualdade de direitos para as mulheres.
***
Um homem diferente, destoando entre os de sua estirpe. Dentro de sua própria comunidade.
Isso nos diz que não importa onde vivamos, a cultura que se nos impõe.
Cada qual pode, dentro de seus parâmetros de justiça e moral, ser diferente. Destoar para melhor.
Ser uma flor perfumada, colorida, num campo cinzento de erva seca e dura.
Pensemos nisso! informações colhidas no livro A doçura do mundo, de Thrity Umrigar, ed. Nova Fronteira.

Mãe

Mãe - é palavra que exprime com perfeição o que a natureza tem de mais sublime.
É o exercício permanente do amor.
Mãe, o céu sem confins revela-me teu amor...
A vastidão do mar fala-me da tua bondade...
As altas montanhas refletem teu heroísmo...
A profundeza dos vales espelha tua humildade...
A beleza das flores traduz teu caminho...
Tudo isso encerras dentro de teu grande coração...
E silenciosa, serena, sorrindo, continuas labutando no cotidiano da vida.
Obrigado, Mãe!
Parabéns a todas as Mães do Mundo !!!

O medo

O medo
Carlos Drumond de Andrade
"Porque há para todos nós um problema sério...
Este problema é o do medo."

(Antonio Candido, Plataforma de Uma Geração)


Em verdade temos medo.
Nascemos escuro.
As existências são poucas:
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
vadeamos.

Somos apenas uns homens
e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.

Refugiamo-nos no amor,
este célebre sentimento,
e o amor faltou: chovia,
ventava, fazia frio em São Paulo.

Fazia frio em São Paulo...
Nevava.
O medo, com sua capa,
nos dissimula e nos berça.

Fiquei com medo de ti,
meu companheiro moreno,
De nós, de vós: e de tudo.
Estou com medo da honra.

Assim nos criam burgueses,
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?

Vem, harmonia do medo,
vem, ó terror das estradas,
susto na noite, receio
de águas poluídas. Muletas
do homem só. Ajudai-nos,
lentos poderes do láudano.
Até a canção medrosas
e parte,
se transe e cala-se.

Faremos casas de medo,
duros tijolos de medo,
medrosos caules, repuxos,
ruas só de medo e calma.

E com asas de prudência,
com resplendores covardes,
atingiremos o cimo
de nossa cauta subida.
O medo, com sua física,
tanto produz: carcereiros,
edifícios, escritores,
este poema; outras vidas.

Tenhamos o maior pavor
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.

Adeus: vamos para a frente,
recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes...
Fiéis herdeiros do medo,

eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
dançando o baile do medo.


Scren sun - Filtro Solar (original)

Use filtro solar...

Jorge da Capadócia

Jorge da Capadócia
Jorge Ben Jor
Jorge sentou na praça
Na cavalaria
Eu estou feliz
Porque eu também
Sou da sua Companhia

Eu estou vestido
Com as roupas
E as armas de Jorge
Para que meu inimigos
Tenham pés e não me alcancem
Para que meus inimigos
Tenham mãos e não me toquem
Para que meus inimigos
Tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo pensamento
Eles possam ter
Para me fazerem mal
Armas de fogo
Meu corpo não alcançarão
Facas e espadas se quebrem
Sem o meu corpo tocar
Cordas e correntes se arrebentem
Sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido
Com as roupas e as armas de Jorge
Jorge é de Capadócia
Salve Jorge, salve Jorge
Salve Jorge, salve Jorge
- © ArlequimBRMCA0200092
Ficha Técnica da Faixa: 
Baixo: Dádi - Bateria: Gustavo Schroeter -
Percussão: Joãozinho - Percussão - Piano: João Vandaluz - Voz e violão: Jorge Ben Jor

Faxina nos mitos

Faxina nos mitos


"Boa parte de nossa infelicidade nasce do fato de vivermos rodeados por mitos.Deixamos que aflorem e construímos emcima deles a nossa desgraça"

Boa parte de nossa infelicidade ou aflição nasce do fato de vivermos rodeados (por vezes esmagados ou algemados) por mitos. Nem falo dos belos, grandiosos ou enigmáticos mitos da Antiguidade grega. Falo, sim, dos mitinhos bobos que inventou nosso inconsciente medroso, sempre beirando precipícios com olhos míopes e passo temeroso. Inventam-se os mitos, ou deixamos que aflorem, e construímos em cima deles a nossa desgraça.
Por exemplo, o mito da mãe-mártir. Primeiro engano: nem toda mulher nasce para ser mãe, e nem toda mãe é mártir. Muitas são algozes, aliás. Cuidado com a mãe sacrificial, a grande vítima, aquela que desnecessariamente deixa de comer ou come restos dos pratos dos filhos, ou, ainda, que acorda às 2 da manhã para fritar (cheia de rancor) um bife para o filho marmanjo que chega em casa vindo da farra. Cuidado com a mãe atarefada que nunca pára, sempre arrumando, dobrando roupas, escarafunchando armários e bolsos alheios sob o pretexto de limpar, a mãe que controla e persegue como se fosse cuidar, não importa a idade das crias. Essa mãe certamente há de cobrar com gestos, palavras, suspiros ou silêncios cada migalhinha de gentileza. Eu, que me sacrifiquei por você, agora sou abandonada, relegada, esquecida? E por aí vai...
Ou o mito do bom velhinho: nem todo velho é bom só por ser velho. Ao contrário, se não acumularmos bom humor, autocrítica, certa generosidade e cultivo de afetos vários, seremos velhos rabugentos que afastam família e amigos. Nem sempre o velho ou velha estão isolados porque os filhos não prestam ou a vida foi injusta. Muitas vezes se tornam tão ressequidos de alma, tão ralos de emoções, tão pobres de generosidade e alegria que espalham ao seu redor uma atmosfera gélida, a espantar os outros.
E o mito do homem fortão, obrigado a ser poderoso, competente, eterno provedor, quando esconde como todos nós um coração carente, uma solidão fria, a necessidade de companhia, de colo e de abraço – quando é, enfim, apenas um pobre mortal.
Falemos ainda no mito da esposa perfeita, aquela da qual alguns homens, enquanto pulam valentemente a cerca, dizem: "Minha mulher é uma santa". Sinto muito, mas nem todas são. Eu até diria que, mais vezes do que sonhamos, somos umas chatas. Sempre reclamando, cobrando, controlando, não querendo intimidades, ocupadas em limpar, cozinhar, comandar, irritar, na crença vã de que boa mulher é a que mantém a casa limpa e a roupa passada. Seria bem mais humano ter braços abertos, coração cálido, compreensão, interesse e ternura.
O mito de que a juventude é a glória demora a ruir, mas deveria. Pois jovem se deprime, se mata, adoece, sofre de perdas, angustia-se com o mercado de trabalho, as exigências familiares, a pressão social, as incertezas da própria idade. A juventude – esquecemos isso tantas vezes – é transformação por vezes difícil, com horizontes nublados e paulatina queda de ilusões. É fragilidade diante de modelos impossíveis que nos são apresentados clara ou subliminarmente o tempo todo.
Enfim, a lista seria longa, mas, se a gente começar a desmitificar algumas dessas imagens internalizadas, começaremos a ser mais sensatamente felizes. Ou, dizendo melhor: capazes de alegria com aquilo que temos e com o que podemos fazer numa vida produtiva, porque real.

Lya Luft é escritora

VEJA - Edição 1901 . 20 de abril de 2005
Ilustracao Atômica Studio

No paraíso da transgressão

No paraíso da transgressão
Lya Luft


"Vivemos feito bandos de ratos aflitos, recorrendo à droga, à bebida, ao delírio, à alienação e à indiferença, para aguentar uma realidade cada dia mais confusa"


A gente se acostuma a criticar os jovens por eles serem pouco educados, os homens por serem arrogantes, as mulheres por serem chatas, os governos por serem omissos ou incompetentes, quando não mal-intencionados. Políticos sendo acusados de corrupção é tão trivial que as exceções se vão tornando ícones, ralas esperanças nossas. Onde estão os homens honrados, os cidadãos ilustres e respeitados, que buscam o bem da pátria e do povo, independentemente de cargos, poder e vantagens?
Transgredir no mau sentido é natural entre nós. Ladrões e assassinos, mesmo estupradores, recebem penas ridículas ou aguardam o julgamento em liberdade; se condenados, conseguem indultos absurdos ou saem em ocasiões como o Natal, e boa parte deles naturalmente não volta. Crianças continuarão a ser estupradas, inocentes mortos, velhinhos roubados, mulheres trancadas em suas casas, porque a justiça é cega, porque as leis são insensatas e, quando prestam, raramente se cumprem.
Nesta nossa terra, muitos cidadãos destacados, líderes, são conhecidos como canalhas e desonestos, mas, ainda que réus confessos ou comprovados, inevitavelmente se safam. Continuam recebendo polpudos dinheiros. Depois de algum tempo na sombra, feito eminências pardas, voltam a ocupar importantes cargos de onde nos comandam. Assassinos ao volante nem são presos. Se presos, são soltos para o famoso "aguardar o julgamento em liberdade". Centenas e centenas de vidas cortadas de maneira brutal e o assassino, a não ser que acossado pela culpa moral, se tiver moral, logo voltará ao seu dia-a-dia, numa boa. Se invadir a casa de meu vizinho, fizer seus empregados de reféns, der pauladas na sua mulher ou na sua velha mãe e escrever nas paredes com excremento humano frases ameaçadoras, imagino que eu vá para a cadeia. Os bandos de pseudoagricultores (a maioria não sabe lidar na terra) fazem tudo isso e muito mais, e nada lhes acontece: no seu caso, bizarramente, não se aplica a lei.
Se sobram muitas vagas nos exames vestibulares, em alguns casos simplesmente se fazem novas provas, provinhas mais fáceis. Leio (se me engano já me desculpo, nem tudo o que se lê é verdadeiro) que, como são poucos os aprovados nos exames da OAB, porque os estudantes saem despreparados demais das faculdades de direito que pululam pelo país, o exame se tornou mais simples: há que aprovar mais gente. Quantidade, não qualidade. Governantes, os bons e esforçados, viram objeto de ódio de adversários cujo interesse não é o bem da comunidade, estado ou país, mas o insulto, o desrespeito, a violência moral do pior nível. Aliás, nesses casos o nível não importa, o que importa é destruir.
Eis o paraíso dos transgressores: a lei é a da selva, a honradez foi para o brejo, a decência tem de ser procurada como fez há séculos um filósofo grego: ao lhe indagarem por que andava pela cidade com uma lanterna acesa em dia claro, declarou: "Procuro um homem honesto". O que devemos dizer nós? Temos pouca liderança positiva, raríssimo abrigo e norte, referências pífias, pobre conforto e estímulo zero, quase nenhuma orientação. A juventude é quem mais sofre, pois não sabe em que direção olhar, em que empreitadas empregar sua força e sua esperança, em quem acreditar nesse tumulto de idéias desencontradas. Vivemos feito bandos de ratos aflitos, recorrendo à droga, à bebida, ao delírio, à alienação e à indiferença, para aguentar uma realidade cada dia mais confusa: de um lado, os sensatos recomendando prudência e cautela; de outro, os irresponsáveis garantindo que não há nada de mais com a gigantesca crise atual, que não tem raízes financeiras, mas morais: a ganância, a mentira, a roubalheira, a omissão e a falta de vergonha. E a tudo isso, abafando nossa indignação, prestamos a homenagem do nosso desinteresse e fazemos a continência da nossa resignação. Meus pêsames, senhores. Espero que na hora de fechar a porta haja um homem honrado, para que se apague a luz de verdade, não com grandes palavras e reles mentiras.


Lya Luft é escritora

VEJA - Edição 2103 - 11 de março de 2009
Ilustração Atômica Studio

Pense e anote

Pense e anote

Se a cólera está alcançando você, reserve algum canto do cérebro em que você consiga pensar.

Qualquer raciocínio rápido lhe trará serenidade para reconhecer a inconveniência da irritação.

Se você pode refletir, perceberá de pronto, que ante a pessoa capaz de desequilibrar-lhe os sentimentos, a possibilidade de auxiliar com mais segurança, está do seu lado.

Se alguém lhe trouxe prejuízos, este alguém começou por lesar a si mesmo.

Se você sofre agressão, o ofensor realmente não sabe que débitos contraiu com isso, sem que haja necessidade de se lhe agravar a situação.

Azedume é ambiente para perturbação e enfermidade.

Raiva, em muitos casos, é ponto de apoio a processos obsessivos.

Intemperança mental é um espetáculo de fraqueza.A raiva diminuirá ou extinguirá os seus créditos de confiança.

Em qualquer ocorrência desagradável, pense e acalme-se porque a cólera não auxilia ninguém.

pelo Espírito André Luiz - Psicografia de Francisco Cândido Xavier

A Mentira

A Mentira

Primeiro de abril. Dia da mentira. Dia de fazer brincadeiras com colegas e amigos. Dia de passar trotes. Dia dos bobos.
Tantas denominações para um mesmo efeito. É o dia em que até mesmo pessoas ditas sérias se dão ao prazer de armar pequenas ciladas para expor ao ridículo os que dizem ser seus amigos.
O fato não é novo. Mas nem por isso deixa de ser desagradável. E para muitos, até constrangedor.
Já houve manchetes mentirosas nesse dia. Desmentidas no seguinte.
O que se pretende é dar boas risadas às custas dos outros. O que não nos damos conta, quando agimos desta forma leviana, é que podemos provocar problemas de saúde em alguém.
Quantas pessoas estão atravessando sérias dificuldades financeiras, lutando para pagar suas dívidas e são surpreendidas por um telefonema informando que seu cheque foi devolvido por falta de fundos.
Ou existe um título protestado em seu nome. Está no jornal, na lista dos protestos, diz o informante.
Outros são surpreendidos com a notícia de que devem comparecer a tal empresa para uma entrevista.
Esperançosos, os desempregados se dirigem para o local citado. Para descobrirem que perderam tempo e o dinheiro da passagem.
Não há nenhum emprego a vista. Por vezes, nem empresa. O endereço todo é falso.
Brincadeiras perigosas. Trotes que comprometem. Brinca­-se com sentimentos e situações de pessoas, muitas vezes, em desespero.
Já paramos para pensar alguma vez o que pode acarretar uma falsa notícia? Boa ou má?
E se a pessoa que a recebe sofrer de problemas cardíacos e vier a ter uma dificuldade maior?
Quantos sustos em telefonemas a cobrar, em que quem recebe fica com o coração aos saltos, pois naqueles breves segundos da mensagem gravada que antecede a identificação, mil pensamentos passam pela mente.
Quem será? O irmão viajando? Terá se acidentado? A mãe doente? Terá piorado seu estado de saúde?
A filha que já deveria ter chegado? Que terá acontecido?
Desgastes e mais desgastes. Por nada. Tudo brincadeira. Coisa de quem não tem nada mais sério para fazer. Nem mais importante.
Somos responsáveis por tudo que nos outros provocamos.
Não se brinca com sentimentos, apreensões, ansiedades. O envolvido pode não resistir ou lhe podemos provocar séria lesão física ou moral.
Ocupemos o nosso tempo com tudo que é construtivo. Com o que possa diminuir problemas para os outros.
Preocupemo-nos pelo bem estar do nosso amigo, colega, irmão. Não lhe aumentemos a carga de dificuldades, já por si tão pesada.
Usemos a nossa palavra para divulgar as coisas boas, alegres, que orientam e felicitam.
Usemos o telefone com responsabilidade. É instrumento de auxílio, trabalho, jamais de brincadeiras tolas ou levianas.
Bilhetes, cartas e cartões que geram expectativas que jamais se concretizarão, não deverão ser por nós escritos.
A palavra impressa deve ser conduzida para as boas coisas. Nunca a divulgação da mentira ou do trote.
Não busquemos alegrias passageiras, risadas bobas em troca da paz, da tranqüilidade e da harmonia de outras pessoas, mesmo que sejam aquelas da nossa mesma idade, do mesmo rol de interesses.
Há tantas formas sadias de promover alegria, sem se servir de tolices, trotes e brincadeiras de mau gosto.

Você sabia?
...que foi na véspera do dia 1º de abril de 1848 que os fenômenos mediúnicos, em uma pequena vila do Estado de Nova York, se apresentaram de tal forma que chamaram a atenção do Mundo?
Eram arranhaduras no interior da madeira, pancadas através das quais um Espírito respondia às questões de duas meninas: Kate e Margareth.
O vilarejo chamava-se Hydesville, no Condado de Rochester.
E você sabia que as meninas pertenciam a uma família de sobrenome Fox?
E que na noite/madrugada em que os fenômenos atingiram o auge, vizinhos e curiosos a eles assistiram?
No dia 1º de abril foram em torno de 350 as pessoas presentes.

PensamentoPalavra é talento. Utiliza a tua palavra para produzir alegria, tranqüilidade e paz.
A palavra nobre sustenta para sempre.


Equipe de Redação do Momento Espírita.
www.momento.com.br
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